Evidências base da variação do nível do mar

A 20 de setembro de 2019, o Anfiteatro Nobre da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, deu lugar a uma palestra dada pelo Professor Nils-Axel Mörner sobre algumas evidências da variação do nível do mar e a forma como esta pode ser estudada. Confira aqui!

Joana Campos Joana Campos 21 Set. 2019 - 15:14 UTC
Registo de sapa na praia de Vila Chã.

Professor Nils-Axel Mörner terminou o seu doutoramento em Geologia Quaternária na Universidade de Estocolmo em 1969. É autor de 683 artigos científicos e diversos livros, assim como lidera o departamento de Paleogeofísica e Geodinâmicas na mesma instituição. Foi presidente da comissão (pertencente à INQUA “International Union For Quaternary Research”) que estuda as variações do nível do mar e da evolução costeira, entre outros.

Na última sexta-feira, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), mostrou resultados de alguns trabalhos de investigação que tem feito ao longo do tempo, como por exemplo nas Maldivas ou nas ilhas Fiji. Falou também de alguns métodos de estudo, dando muita importância à observação de indicadores “on the field” (no campo de estudo), referindo sempre que nenhum método é exato. Segundo Mörner,

“quando as observações ou experimentações não se encaixam nos modelos, são os modelos que precisam de revisão e melhoramentos, e que não são as observações que têm que ser ignoradas e negligenciadas”

O cientista referiu ainda que, “na boa ciência, todos os factos são considerados e discutidos, não apenas os selecionados conforme as nossas visões.” Ao longo desta palestra foi mostrando fotografias com indicadores da variação do nível do mar, como as sapas ou praias fósseis.

Passando também por mostrar algumas previsões do nível eustático até ao ano de 2100. Estas previsões mostram um ligeiro aumento do mesmo na ordem dos 10 cm.

Causas da variação do nível do mar

Para além disto, providenciou alguns exemplos de causas para a variação eustática, como o degelo que foi denotado na Gronelândia devido ao aumento da temperatura no Holoceno, que resultou num aumento do nível do mar de 10 mm/ano, assim como a gravidade que influencia o nível do mar de forma a que haja uma diferença de 180 metros entre as Maldivas e a Nova Guiné, por exemplo. Explicou igualmente o Princípio de Arquimedes que refere que a glácio-isostasia é ajustada regionalmente e não a nível global.

Concluiu esta palestra dizendo que “as observações das evidências-base da variação do nível do mar são, de facto, as únicas das quais vale a pena construir uma história fidedigna”. Esta sessão contou com a presença de alguns professores e alunos daquela faculdade.

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