Estudo português conclui que polpa de café ajuda no controlo do peso, da glicose e da pressão arterial

A investigação da Universidade do Porto recomenda a utilização deste subproduto em infusões, pães, bolachas ou iogurtes.

A polpa de café, um subproduto frequentemente descartado durante a produção do grão, tem benefícios metabólicos. Imagem: Ernesto Rodriguez via Pixabay
A polpa de café, um subproduto frequentemente descartado durante a produção do grão, tem benefícios metabólicos. Imagem: Ernesto Rodriguez via Pixabay

Investigadores da Faculdade de Medicina (FMUP) e de Farmácia (FFUP) da Universidade do Porto concluíram que a polpa de café apresenta benefícios metabólicos relevantes, nomeadamente, no controlo do peso, da glicose e da pressão arterial.

O estudo, que também contou com a colaboração do Laboratório Associado para a Química Verde e da Rede de Química e Tecnologia (REQUIMTE/LAQV), incide na polpa de café, um subproduto frequentemente descartado durante a produção do grão.

A polpa de café tem elevada atividade antioxidante e efeitos benéficos no combate à inflamação, hipertensão, diabetes e acumulação de gordura. Imagem: Y tambe. Vetorizado por: Chabacano, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
A polpa de café tem elevada atividade antioxidante e efeitos benéficos no combate à inflamação, hipertensão, diabetes e acumulação de gordura. Imagem: Y tambe. Vetorizado por: Chabacano, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Publicado na revista científica Antioxidants, o trabalho demonstrou que a suplementação com polpa de café reduziu o aumento de peso, melhorou os níveis de glicose no sangue, diminuiu a resistência à insulina e atenuou a subida da pressão arterial em animais alimentados à base de uma dieta rica em frutose.

Um aliado contra a gordura

Os efeitos da polpa de café foram avaliados num modelo experimental, no qual se mimetizaram as alterações observadas na síndrome metabólica humana. Os resultados indicaram que a suplementação com este subproduto contribuiu para atenuar várias dessas alterações, incluindo a acumulação de gordura no fígado e perturbações no metabolismo da glicose.

Segundo as conclusões do estudo, os componentes bioativos da polpa de café atuam de forma integrada sobre as vias metabólicas, inflamatórias e vasculares, revelando-se um potencial funcional relevante na mitigação de múltiplos componentes da síndrome metabólica.

A polpa seca de café, referida também como cáscara, é o subproduto da secagem do fruto. Rica em antioxidantes, este resíduo resulta da secagem natural do fruto inteiro ou despolpado, transferindo açúcares para o grão e aumentando a doçura e corpo da bebida.

A investigação destaca, ainda, que este subproduto é particularmente rico em cafeína e compostos fenólicos, associados a uma elevada atividade antioxidante e a efeitos benéficos no combate à inflamação, hipertensão, diabetes e acumulação de gordura.

Infusões, pastelaria e lácteos com superpoderes

A polpa de café pode ser utilizada de diferentes formas, de infusões até incorporada em alimentos como pães, bolos, bolachas, iogurtes e até hambúrgueres.

As equipas de investigação da REQUIMTE e FFUP já desenvolveram, inclusive, vários produtos e bebidas alimentícias com polpa de café, que registaram boa aceitação por parte de um grupo de voluntários sujeito a uma prova de avaliação sensorial.

Uma vez que a introdução da polpa seca de café foi recentemente autorizada no mercado da União Europeia, os investigadores sugerem que a sua utilização poderá evoluir para um recurso multifuncional, capaz de gerar alimentos funcionais e ingredientes tecnológicos.

Além de aplicada em produtos alimentares para consumo humano, a polpa de café é também utilizada como ração de alta qualidade para gado e fertilizante orgânico para plantações.

"Esta transição não só amplia o portefólio de aplicações económicas, como também contribui para práticas agrícolas mais sustentáveis e para a redução do impacto ambiental da produção de café", relembram os investigadores da Universidade do Porto.

O aproveitamento de resíduos, como a polpa de café, além de benefícios para a saúde, gera impactos ambientais e económicos. Foto: Leonel Barreto via Pixabay
O aproveitamento de resíduos, como a polpa de café, além de benefícios para a saúde, gera impactos ambientais e económicos. Foto: Leonel Barreto via Pixabay

Os próximos passos vão passar agora por transpor os resultados obtidos para o contexto clínico em humanos, mas a realização desses ensaios dependerá da obtenção de novo financiamento.

A investigação foi realizada no âmbito do projeto COBY4HEALTH, liderado pela REQUIMTE e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Referências da notícia

Polpa de café pode ajudar a combater a síndrome metabólica. Universidade do Porto

Nelson Andrade, Ilda Rodrigues, Francisca Carmo, Gabriela Campanher, Isabella Bracchi, Joanne Lopes, Emília Patrício, João T. Guimarães, Juliana A. Barreto-Peixoto, Anabela S. G. Costa, Liliana Espírito Santo, Marlene Machado, Thiago F. Soares, Susana Machado, Maria Beatriz P. P. Oliveira, Rita C. Alves, Fátima Martel & Cláudia Silva. Sustainable Utilization of Coffee Pulp, a By-Product of Coffee Production: Effects on Metabolic Syndrome in Fructose-Fed Rats. revista científica Antioxidants