Com as alterações climáticas, a duração da época dos incêndios nas latitudes mais elevadas será mais que o dobro
Com a intensificação da crise climática, a frequência e a magnitude dos incêndios florestais em todo o mundo estão a aumentar rapidamente, representando uma nova e alarmante ameaça à biodiversidade.

Um estudo liderado por investigadores da Universidade de Gotemburgo mostra que esta mudança está a aumentar a vulnerabilidade de milhares de plantas, animais e fungos.
Expansão da área global ardida e duração da época dos incêndios florestais
Com a subida das temperaturas globais, a incidência de incêndios florestais está a crescer em muitas regiões, o que se deve principalmente ao facto de as temperaturas médias serem mais elevadas e as mudanças nas condições climáticas estarem a secar o solo e a vegetação, tornando-os mais inflamáveis.
O estudo publicado recentemente na revista Nature Climate Change utilizou o poder das simulações computacionais avançadas e agregou resultados de treze modelos climáticos distintos para produzir uma previsão robusta da dinâmica dos incêndios florestais ao longo deste século.
Considerando um cenário moderado, em que as emissões não aumentam drasticamente nem são reduzidas até ao final deste século, este estudo mostra que os incêndios florestais podem ocorrer mais perto dos polos do que antes e em algumas áreas, a duração da época de incêndios pode mesmo duplicar.
A equipa de investigação avaliou, de seguida, como estas alterações afetam o risco para as espécies em todo o mundo, com base na Lista Vermelha da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
As espécies mais afetadas concentram-se na América do Sul, no Sul da Ásia e na Austrália, e uma grande proporção delas já está em perigo de extinção. Um aumento da frequência dos incêndios florestais pode levar algumas delas ainda mais perto da extinção.

Embora o risco de incêndios florestais esteja a aumentar em muitas partes do mundo, certas regiões de África poderão registar uma redução da área afetada pelos incêndios devido a um clima mais húmido no futuro. Este facto sublinha a complexidade e a heterogeneidade regional dos impactos climáticos nos regimes de incêndios.
A ação climática pode reduzir o risco
Esta abordagem feita neste estudo representa um avanço significativo na compreensão dos efeitos detalhados das alterações climáticas nos padrões de incêndios florestais e, por extensão, na vulnerabilidade da biodiversidade.
As conclusões do estudo fornecem uma projeção preocupante de como o aquecimento global contínuo pode agravar os riscos de incêndios florestais, incluindo o prolongamento das épocas de incêndio e a expansão das áreas queimadas para mais perto dos polos, impactando assim ecossistemas anteriormente considerados relativamente seguros contra incêndios.
A situação que se prevê, não só agrava as ameaças de incêndio existentes, como também introduz novos desafios para as espécies adaptadas a regimes de fogo específicos. Tal aumento pode levar a consequências ecológicas devastadoras, à medida que as espécies lutam para lidar com a exposição mais frequente e prolongada a perturbações causadas pelo fogo.

No entanto, os autores também mostram que as medidas para limitar as emissões podem reduzir significativamente a ocorrência de incêndios florestais.
Esta descoberta reforça a importância crucial de ações climáticas agressivas não só para estabilizar as temperaturas globais, mas também para proteger a biodiversidade global das crescentes ameaças de incêndios.
Regiões como a Nova Zelândia, a América do Sul e as zonas próximas do Ártico seriam as mais beneficiadas com a redução das emissões.
As atuais estratégias de conservação para plantas e animais vulneráveis correm o risco de subestimar as ameaças futuras se não tiverem em conta perturbações como os incêndios florestais.
Referência da notícia
“Climate change will increase wildfire exposure for nearly 10,000 species”, Xiaoye Yang, Mark C. Urban et al., Nature Climate Change, Published: 06 April 2026
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