Ano de 2025 teve a época de incêndios florestais mais devastadora de que há registo. Portugal registou 999 incêndios

O Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais da União Europeia registou em 2025 a pior época de incêndios mais devastadora desde que há registos. Arderam, no total, 1.079 milhões de hectares, quase metade dos quais (460.585 hectares) em Portugal e Espanha.

O Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais da União Europeia registou em 2025 a pior época de incêndios mais devastadora desde que há registos. Arderam 1.079 milhões de hectares.
O Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais da União Europeia registou em 2025 a pior época de incêndios mais devastadora desde que há registos. Arderam 1.079 milhões de hectares.

Em 2025, a área ardida na União Europeia (UE) ultrapassou um milhão de hectares, uma área aproximadamente igual à de Chipre.

Foi a “época de incêndios florestais mais devastadora de que há registo em 2025”, alerta a Comissão Europeia, com base nos dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS).

Atualmente, os dados constantes da base de dados do EFFIS incluem cerca de dois milhões de registos fornecidos por 22 países.

Este Sistema é apoiado desde 1998 por uma rede de peritos dos países participantes no denominado grupo de peritos em incêndios florestais, da responsabilidade do Secretariado-Geral da Comissão Europeia. Atualmente, este grupo é composto por peritos de 43 países da Europa, do Médio Oriente e do Norte de África.

Os números avançados nesta terça-feira, 31 de março, quanto à área ardida em 2025 dizem respeito à UE, mas foi em Portugal e em Espanha que mais área ardeu em 2025. Só em Portugal foram registados 999 incêndios, que consumiram uma área de 284.012 hectares, ou seja, o dobro dos registados no ano anterior. E, desses, mais de 51 mil ocorreram em zonas protegidas. A monitorização por satélite revelou que, no ano passado, ocorreu um total de 7.783 incêndios florestais em 25 Estados-membros.

A temporada de incêndios começou, aliás, “invulgarmente cedo”, refere a Comissão Europeia, com mais de 100 mil hectares já destruídos até ao final de março de 2025.

2,2 milhões de hectares ardidos na Europa

A situação agravou-se drasticamente durante o verão, em particular na região do Mediterrâneo, onde uma vaga de calor prolongada em agosto provocou 22 grandes incêndios só em Portugal e em Espanha, queimando 460 585 hectares – quase metade da área total ardida da UE.

A monitorização por satélite do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais revelou que, em 2025, ocorreram 7.783 incêndios florestais em 25 Estados-membros.
A monitorização por satélite do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais revelou que, em 2025, ocorreram 7.783 incêndios florestais em 25 Estados-membros.

A monitorização do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) mostra ainda que, para além da UE, os incêndios florestais devastaram 2,2 milhões de hectares em toda a Europa, no Médio Oriente e no Norte de África, tendo a Ucrânia sofrido o impacto mais grave, representando 30% da área total ardida e 39% de todos os incêndios seguidos pelo EFFIS.

A Comissão Europeia faz notar que “a época de incêndios florestais de 2025 assinalou novos padrões preocupantes”, com épocas de incêndios mais precoces e mais longas, com incêndios a começar já em março com ondas de calor mais frequentes e intensas, que alimentam um fogo extremo.

A par disto, os incêndios florestais também se propagam a latitudes mais elevadas, afetando regiões anteriormente consideradas de baixo risco.

Esta época de números recorde não é, porém, uma situação atípica. A Comissão Europeia diz que tudo isto tem de ser encarado como “um apelo a uma resposta europeia mais forte e mais coordenada”.

Frota de aeronaves de combate da UE

Recorde-se que, em 25 de março de 2026, a Comissão Europeia adotou uma nova estratégia para combater o aumento da ameaça de incêndios florestais que abrange todo o ciclo de risco de catástrofes – prevenção, preparação, resposta e recuperação. E foram estabelecidas ações concretas a nível nacional e a nível europeu.

Em 2025, a área ardida na União Europeia ultrapassou um milhão de hectares, uma área aproximadamente igual à de Chipre. Quase metade foi em Portugal e Espanha.
Em 2025, a área ardida na União Europeia ultrapassou um milhão de hectares, uma área aproximadamente igual à de Chipre. Quase metade foi em Portugal e Espanha.

A estratégia promove a existência de paisagens resistentes aos incêndios através da gestão sustentável dos solos e da restauração da natureza, reforça o alerta precoce e a monitorização através do EFFIS e do Copernicus e aumenta a capacidade da UE de combate a incêndios.

Estas ações far-se-ão através de uma frota de aeronaves de combate a incêndios, do pré-posicionamento de bombeiros e de uma nova plataforma europeia de combate a incêndios, que terá sede em Chipre.

Esta estratégia inclui igualmente a preparação da população, a recuperação pós-incêndio e a integração do risco de incêndios florestais nos quadros de financiamento da UE. Com esta estratégia, a Europa está a adaptar-se a um risco de incêndio florestal que já não é sazonal, mas estrutural.

Em Portugal, o novo ministro da Administração Interna, Luís Neves, assumiu nesta quarta-feira, 1 de abril, em Pombal, à margem das comemorações do 19.º aniversário da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), que o próximo verão vai ser “muito duro” no risco de incêndios florestais. O governante garantiu que haverá um modelo de avaliação para definir as zonas de limpeza prioritárias.

“Temos um modelo de avaliação de risco das zonas mais afetadas, particularmente junto das populações mais pequenas, para podermos fazer o nosso trabalho [de limpeza] durante estes meses, e é isso que vai acontecer”, afirmou Luís Neves.

O governante falava à margem do evento no distrito de Leiria, um dos concelhos mais fustigados pelo comboio de tempestades de finais de janeiro e início de fevereiro.

O ministro deu a garantia de que Governo está a efetuar o seu trabalho “para no mais curto espaço de tempo poder minimizar os estragos” decorrentes das tempestades.

Isto, apesar das “condições de grande adversidade, de enorme preocupação e risco e com muito combustível nas florestas das zonas mais afetadas”.

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