Branca Edmée Marques e o desenvolvimento da investigação nuclear em Portugal
Branca Edmée Marques, cientista portuguesa, foi uma mulher que se destacou pela sua investigação em radioatividade e pelo papel inovador no ensino científico no século XX. Fique a saber mais sobre ela aqui!

A história da ciência em Portugal conta com figuras notáveis, mas poucas tão marcantes quanto Branca Edmée Marques.
Nascida a 14 de abril de 1899, em Lisboa, destacou-se como uma das primeiras mulheres cientistas portuguesas a alcançar o reconhecimento internacional, especialmente na área da química nuclear, um campo emergente e altamente inovador no início do século XX.
Branca iniciou os seus estudos em engenharia química no Instituto Superior Técnico, onde demonstrou desde cedo uma capacidade invulgar para a investigação científica.
No entanto, o verdadeiro ponto de viragem na sua carreira aconteceu quando se mudou para Paris, onde teve a oportunidade de trabalhar com a lendária Marie Curie.
A Influência de Marie Curie
Foi no prestigiado Instituto do Rádio, instituto de investigação em Paris, que Branca Marques mergulhou no estudo da radioatividade, onde colaborou diretamente com alguns dos maiores nomes da ciência da época.
Foi lá que obteve o doutoramento em 1935, na Faculdade da Sorbonne, em Paris, sob a orientação de Marie Curie.
Esta experiência não só consolidou os seus conhecimentos como também a colocou na vanguarda da investigação científica europeia.
Ao longo da sua carreira, Branca Edmée Marques dedicou-se ao estudo dos elementos radioativos e à química nuclear, áreas que estavam ainda em fase inicial de desenvolvimento.

A sua investigação contribuiu para uma melhor compreensão dos processos radioativos, tendo publicado diversos trabalhos científicos em revistas internacionais.
Reconhecimento no seu país: papel no ensino e na ciência
Um dos seus maiores méritos foi trazer esse conhecimento de volta a Portugal, num período em que o país ainda tinha uma presença limitada na investigação científica avançada.

Foi responsável pela criação e desenvolvimento de laboratórios modernos e pela introdução de novas metodologias experimentais no ensino da química.
De regresso a Lisboa, Branca Marques assumiu funções como professora no Instituto Superior Técnico, tornando-se uma figura central na formação de várias gerações de engenheiros e cientistas. Foi a primeira professora catedrática de Química da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Em 1970, em co-autoria com Maria Regina Sales Grade, publicou na Revista da Sociedade Portuguesa de Química o trabalho "Poluição radioactiva nas águas naturais".
Num contexto em que o ensino superior era dominado por homens, destacou-se não só pelo seu talento, mas também pela sua determinação e rigor.
A sua presença abriu caminho para outras mulheres na ciência, servindo de exemplo num período em que as oportunidades eram escassas.
Apesar do seu percurso brilhante, Branca Edmée Marques enfrentou diversos obstáculos ao longo da carreira.
As limitações impostas às mulheres na academia e as dificuldades estruturais da ciência portuguesa na época dificultaram o reconhecimento pleno do seu trabalho.
Ainda assim, o seu contributo foi progressivamente valorizado, sendo hoje reconhecida como uma das figuras mais importantes da ciência em Portugal no século XX.
O seu legado permanece vivo tanto nas instituições que ajudou a desenvolver como nas gerações de cientistas que formou.
Legado duradouro
Branca Edmée Marques faleceu a 19 de julho de 1986, deixando um legado que vai muito além das suas descobertas científicas.
Representa um símbolo de perseverança, excelência e inovação num contexto adverso.
Hoje, o seu nome é associado à afirmação da ciência portuguesa e à luta pela igualdade de género no meio académico.
A sua vida demonstra como a dedicação ao conhecimento pode ultrapassar barreiras sociais e transformar realidades.
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