Aliados de peso: 5 espécies cruciais no controlo de pragas em Portugal
Inseticidas vivos em Portugal: como a conservação de espécies nativas garante um controlo de pragas eficiente e sustentável para o ambiente. Saiba mais aqui!

A importância vital da fauna autóctone no controlo biológico de espécies que podem tornar-se pragas ou afetar negativamente as atividades humanas. Em vez de recorrer exclusivamente a métodos químicos, a natureza oferece soluções eficazes através de predadores especializados. Assim sendo, vamos focar em cinco espécies principais que desempenham este papel em Portugal.
1. Bútio-vespeiro (Pernis apivorus)
Esta ave de rapina é uma especialista rara na alimentação à base de himenópteros (vespas e abelhas). A sua característica mais marcante é a capacidade de localizar e destruir ninhos de vespas para se alimentar das larvas.

Recentemente, o bútio-vespeiro ganhou relevância adicional no combate à Vespa velutina (vespa-asiática), uma espécie invasora que tem dizimado as populações de abelhas melíferas e causado alarme na apicultura nacional. A sua proteção é, portanto, estratégica para a preservação dos polinizadores.
2. Poupa-euroasiática (Upupa epops)
Com a sua crista, a poupa é uma das maiores aliadas no controlo da processionária-do-pinheiro (Thaumetopoea pityocampa). Esta lagarta é uma praga florestal grave que debilita os pinhais e causa reações alérgicas severas em humanos e animais.

A poupa tem uma apetência especial pelas pupas desta espécie, extraindo-as do solo. Outras aves, como o chapim-real e o cuco-rabilongo, também auxiliam neste combate ao consumirem as lagartas em diferentes fases do seu ciclo de vida.
3. Lontra-europeia (Lutra lutra)
Embora muitas vezes associada apenas à pureza das águas, a lontra desempenha um papel fundamental no controlo de espécies aquáticas invasoras, nomeadamente o lagostim-vermelho-do-Louisiana. Este lagostim altera drasticamente os ecossistemas de água doce e as culturas de arroz.

A lontra, ao consumir grandes quantidades destes crustáceos, ajuda a travar a sua multiplicação descontrolada. Outros animais, como a cegonha-branca e a raposa-vermelha, também participam neste equilíbrio.
4. Crisopas (Complexo Chrysoperla carnea)
No mundo dos insetos, as crisopas (conhecidas como "olhos-de-ouro") são predadores vorazes na sua fase larvar. São frequentemente chamadas de "leões-dos-pulgões", pois uma única larva pode consumir centenas de pulgões em poucos dias.

Devido à sua eficácia, estas espécies são fundamentais na agricultura biológica e integrada, ajudando a manter as colheitas saudáveis sem a necessidade de pesticidas agressivos.
5. Falcão-peregrino (Falco peregrinus)
O animal mais veloz do planeta é um regulador essencial das populações de aves, especialmente em contextos urbanos e agrícolas.

O falcão-peregrino controla o número de pombos e estorninhos, espécies que, em excesso, podem causar danos em monumentos, espalhar doenças ou destruir culturas frutícolas. A sua técnica de caça, baseada em picados a mais de 300 km/h, torna-o um predador de topo imbatível na gestão destas populações.
Em suma, o equilíbrio dos ecossistemas portugueses depende da conservação destas espécies. A presença destes "aliados naturais" não só protege a biodiversidade, como também oferece benefícios económicos diretos à agricultura e silvicultura. Valorizar e proteger os seus habitats é, na verdade, uma forma de garantir um controlo de pragas sustentável e gratuito.
Referência da notícia:
https://www.nationalgeographic.pt/mundo-animal/especies-capazes-controlar-pragas-portugal_6732