A transição da floresta africana de sumidouro a fonte de carbono

África deixou de ser um sumidouro de carbono após 2010, tornando-se uma fonte devido à desflorestação nas florestas húmidas. Saiba mais aqui!

Entre 2010 e 2017, as florestas e savanas arborizadas de África, que historicamente atuavam como um sumidouro de carbono, fizeram uma transição crítica e tornaram-se uma fonte líquida de carbono.
Entre 2010 e 2017, as florestas e savanas arborizadas de África, que historicamente atuavam como um sumidouro de carbono, fizeram uma transição crítica e tornaram-se uma fonte líquida de carbono.

Um estudo recente detalha uma análise de alta resolução da biomassa lenhosa acima do solo (AGB) em África ao longo de uma década, revelando uma transição crítica no papel do continente no ciclo global do carbono: de um histórico sumidouro de carbono para uma fonte de carbono entre 2010 e 2017. Esta mudança tem implicações significativas para as metas climáticas globais, como as do Acordo de Paris.

A dinâmica da biomassa lenhosa acima do solo (AGB)

Historicamente, as florestas e savanas arborizadas de África atuaram como um sumidouro de carbono, removendo o carbono atmosférico e armazenando-o como biomassa.

A análise dos autores, baseada em novos mapas de biomassa derivados de satélite, quantificou as seguintes tendências de mudança anual média na biomassa acima do solo para o continente:

  • 2007 a 2010 (Sumidouro): O continente registou um ganho líquido de Tg (Terragrama) yr (por ano) {-1} de biomassa acima do solo.
  • 2010 a 2015 (Perda): A biomassa declinou numa perda líquida.
  • 2015 a 2017 (Perda Contínua): Esta perda continuou.
O estudo utilizou uma resolução espacial fina (100 m) que permitiu contabilizar as tendências de perda de biomassa associadas a distúrbios florestais tão pequenos quanto um hectare, algo que não era possível até recentemente.
O estudo utilizou uma resolução espacial fina (100 m) que permitiu contabilizar as tendências de perda de biomassa associadas a distúrbios florestais tão pequenos quanto um hectare, algo que não era possível até recentemente.

Estes resultados indicam que as florestas africanas fizeram a transição de um sumidouro líquido de biomassa para uma fonte líquida durante este período.

Principais impulsionadores da perda de biomassa

As perdas recentes de biomassa em África são maioritariamente impulsionadas pela desflorestação no bioma das Florestas Tropicais de Folha Larga Húmida (Tropical Moist Broadleaf Forests). Este bioma inverteu-se de um ganho de +192Tgyr{-1} (2007–2010) para uma perda de -70Tgyr{-1} (2010–2015) e uma perda ainda maior de -154Tgyr{-1} (2015–2017).

A perda do sumidouro natural de carbono de África significa que são necessárias reduções ainda mais ambiciosas nas emissões globais para cumprir as metas do Acordo de Paris.
A perda do sumidouro natural de carbono de África significa que são necessárias reduções ainda mais ambiciosas nas emissões globais para cumprir as metas do Acordo de Paris.

As perdas foram parcialmente compensadas por ganhos de biomassa no bioma das savanas entre 2015 e 2017. Estes ganhos são plausivelmente explicados pelo aumento da invasão de arbustos devido ao efeito de fertilização por carbono do aumento do dióxido de carbono atmosférico. No entanto, estes ganhos não foram suficientes para reverter a tendência geral.

Implicações para o carbono global e as políticas

A implicação desta mudança é profunda: enquanto as florestas africanas e as áreas arborizadas serviram historicamente como um sumidouro de carbono, estão agora a contribuir para o aumento do défice global de emissões de gases de efeito estufa. O significado desta descoberta para as políticas climáticas globais é que são necessárias reduções de emissões de gases de efeito estufa ainda maiores do que antes, para compensar o encerramento deste sumidouro de carbono natural.

Os autores sublinham a necessidade urgente de implementar políticas para travar a desflorestação global, conforme exigido pela Declaração de Glasgow dos Líderes. Isso requer políticas de conservação reforçadas, melhoria da governação florestal e iniciativas de restauração direcionadas, como o REDD+.

Referência da notícia

Rodríguez-Veiga, P., Carreiras, J.M.B., Quegan, S. et al. Loss of tropical moist broadleaf forest has turned Africa’s forests from a carbon sink into a source. Sci Rep 15, 41744 (2025). https://doi.org/10.1038/s41598-025-27462-3