A espuma do mar não é apenas um fenómeno natural, mas também um alerta ambiental da 'saúde' das praias e dos oceanos
A espuma do mar pode parecer inofensiva, mas a sua cor, densidade e persistência ajudam a perceber a qualidade da água e a saúde ambiental das praias. Descobra mais aqui!

Num dia de vento forte junto ao mar, é impossível não reparar na espuma branca que se forma nas ondas e se espalha pela areia.
Para muitos, trata-se apenas de um fenómeno natural associado ao rebentar das ondas. No entanto, a ciência mostra que a espuma marinha pode funcionar como um verdadeiro indicador da saúde ambiental das praias e dos oceanos.
Como se forma a espuma do mar?
A espuma do mar forma-se através da combinação entre água, ar e matéria orgânica dissolvida.
Quando as ondas rebentam com intensidade, o movimento mistura o oxigénio com compostos orgânicos presentes na água, criando milhares de pequenas bolhas que se agrupam à superfície.
Grande parte desta matéria orgânica vem do plâncton, de algas microscópicas e de resíduos naturais produzidos pelos ecossistemas marinhos.
O processo é semelhante ao que acontece quando agitamos água com detergente. A diferença é que, no oceano, os chamados surfatantes, substâncias que facilitam a formação de bolhas, podem ter origem natural.
Algumas moléculas orgânicas possuem uma extremidade que interage com a água e outra que repele a água, permitindo estabilizar as bolhas de ar e formar espuma.
Quando a espuma é natural
Nem toda a espuma é motivo de preocupação. Na verdade, uma espuma branca, leve e que desaparece rapidamente costuma indicar um ambiente marinho equilibrado.
Este tipo de espuma surge frequentemente em dias de forte ondulação e resulta da atividade biológica natural do oceano. Em muitas praias atlânticas, especialmente durante o inverno, é comum observar pequenas acumulações de espuma sem qualquer risco para a saúde humana.

O problema surge quando a espuma apresenta características anormais. Espumas muito densas, persistentes, com tonalidades acastanhadas ou acompanhadas de odores desagradáveis podem revelar sinais de poluição.
Nestes casos, a água pode conter excesso de fertilizantes agrícolas, descargas urbanas, resíduos industriais ou proliferação excessiva de algas. Estes elementos alteram a composição química da água e aumentam significativamente a quantidade de matéria orgânica e de compostos tensioativos presentes no mar.
A relação entre a espuma e a qualidade da água
Nos últimos anos, vários episódios de espuma intensa em praias de diferentes partes do mundo levantaram preocupações ambientais.
Em zonas costeiras da Austrália e da América do Sul foram registados casos de espuma associada a florações de algas, fenómeno conhecido como “bloom” algal. Estas proliferações podem reduzir o oxigénio na água, afetar espécies marinhas e causar irritações em pessoas mais sensíveis.
Curiosamente, a cor da espuma também ajuda a interpretar o estado do oceano. A espuma branca resulta da dispersão da luz nas bolhas de ar, que refletem praticamente todas as cores do espectro visível. Já tonalidades amareladas, castanhas ou esverdeadas podem indicar presença elevada de sedimentos, decomposição orgânica ou concentrações anormais de algas.
O impacto dos humanos nos ambientes costeiros
A poluição proveniente das cidades, da agricultura intensiva e do plástico acaba frequentemente transportada pelos rios até ao mar, alterando o equilíbrio natural das águas costeiras. Pequenas mudanças químicas podem refletir-se rapidamente em fenómenos visíveis nas praias.
Por isso, observar o estado da espuma pode ser mais útil do que parece. Cientistas e especialistas ambientais utilizam frequentemente indicadores visuais simples para monitorizar alterações nos ecossistemas marinhos.
Embora a espuma, por si só, não seja suficiente para diagnosticar contaminação, pode servir como sinal de alerta para análises mais aprofundadas da qualidade da água.
As praias são muito mais do que espaços de lazer. Funcionam como zonas de contacto direto entre os seres humanos e os oceanos, refletindo o impacto das nossas escolhas ambientais.
Quando encontramos uma praia limpa, com água transparente e espuma natural passageira, estamos perante um ecossistema saudável e equilibrado. Pelo contrário, espumas persistentes e anormais podem indicar que algo está a perturbar esse equilíbrio.
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