A ascensão colossal das sucuris (anacondas) no Mioceno
A consolidação da grandeza: a persistência do gigantismo da sucuri através da crise ambiental do Mioceno (c. 12.4 Ma). Saiba mais aqui!

A investigação de fósseis de cobras provenientes das formações Socorro (Mioceno Médio) e Urumaco (Mioceno Superior), na Venezuela, permitiu desvendar um capítulo crucial na história evolutiva das sucuris (Eunectes), as anacondas. O estudo revela que o seu gigantismo tem uma origem surpreendentemente precoce.
A análise de 183 vértebras, pertencentes a mais de 30 indivíduos, mostrou que estas cobras atingiram o seu tamanho colossal muito cedo. Através de modelos de regressão baseados nas dimensões vertebrais, os cientistas estimaram que as primeiras sucuris, há cerca de 12.4 milhões de anos no Mioceno Médio, já apresentavam um Comprimento Corporal Total (CCT) médio de aproximadamente 5,2 metros (variando entre 5,5 e 3,5 metros). Este tamanho é impressionante, sendo comparável ao das sucuris-verdes modernas (Eunectes murinus), cuja média se situa entre os 4 e os 5 metros.
O berço dos gigantes: o sistema Pebas
Este evento evolutivo de gigantismo não foi aleatório, mas sim um reflexo de um ambiente único na América do Sul tropical.
Este vasto sistema de zonas húmidas, que dominava a Amazónia Ocidental, oferecia os recursos e o habitat aquático necessários para sustentar predadores de topo com grandes dimensões.

A disponibilidade de habitats extensos e as temperaturas quentes impulsionaram o gigantismo noutros grandes répteis da época, como os crocodilos gigantes e a tartaruga Stupendemys.
A sobrevivência inabalável
O que distingue as sucuris é a sua capacidade de permanência. Enquanto muitos dos seus contemporâneos gigantes não resistiram ou reduziram o seu tamanho, sendo substituídos por táxones de corpo mais pequeno, as sucuris mantiveram-se imponentes.
Isto contrasta com outros táxones gigantes que foram negativamente afetados pelas alterações climáticas e pela redução dos habitats aquáticos.

A persistência do seu tamanho sugere que, embora o ambiente quente e aquático do Mioceno tenha facilitado a origem do gigantismo, a manutenção deste tamanho colossal não dependeu apenas da extensão dos corpos de água ou da temperatura.
O seu sucesso pode ter sido sustentado por fatores bióticos, como o facto de serem hiper-carnívoros generalistas com acesso a uma vasta gama de presas e, possivelmente, uma baixa competição ou pressão de predação por parte de outros carnívoros.
A sucuri moderna é, assim, uma notável sobrevivente, uma prova de que a sua fórmula de tamanho e robustez transcendeu as mudanças ambientais extremas.
Referência da notícia
Alfonso-Rojas, A. F., Carrillo-Briceño, J. D., Sánchez, R., Sánchez-Villagra, M. R., & Head, J. J. (2023). An early origin of gigantism in anacondas (Serpentes: Eunectes) revealed by the fossil record. Journal of Vertebrate Paleontology. https://doi.org/10.1080/02724634.2025.2572967