Recorde histórico em La Palma: detetada a radiação mais distante do universo, a 8 000 milhões de anos-luz
Uma radiação que surgiu quando o universo era muito mais jovem acaba de se tornar uma pista valiosa para reconstruir a história das estrelas e das galáxias.

Observar o céu a partir de La Palma permitiu-nos recuar milhares de milhões de anos no tempo. Os telescópios do Observatório do Roque de los Muchachos detetaram radiação de altíssima energia proveniente de um blazar distante, tornando-o no objeto deste tipo mais distante observado até agora nestas energias.
O sinal provém do OP 313, uma galáxia ativa situada a cerca de 8 000 milhões de anos-luz. No seu centro, alberga um buraco negro supermassivo capaz de gerar um dos fenómenos mais extremos do universo. A deteção foi possível graças aos telescópios LST-1 e MAGIC, instalados em La Palma.
OP 313, um verdadeiro farol no Universo
Os blazares são galáxias ativas cujo buraco negro central absorve matéria e gera enormes jatos de partículas e radiação. Quando um desses jatos aponta aproximadamente na direção da Terra, o seu brilho pode revelar-se extraordinariamente intenso, como se se tratasse de um gigantesco farol cósmico.
El Observatorio del Roque de los Muchachos bate récord al observar OP 313, el blázar de muy alta energía más distante detectado!
— IAC Astrofísica (@IAC_Astrofisica) August 24, 2026
Un estudio de @CTAObservatory y MAGIC
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O OP 313 pertence, mais concretamente, à categoria dos quásares de rádio de espectro plano, considerados entre as fontes de radiação mais potentes que se conhecem. O sinal agora captado partiu deste objeto quando o Universo era consideravelmente mais jovem.
A atividade observada situa-se perto do final do chamado "Meio-dia Cósmico", um período que se estendeu aproximadamente entre 2 000 e 3 000 milhões de anos após o Big Bang e durante o qual o Universo atravessou uma fase especialmente intensa de formação de estrelas e crescimento de galáxias.
Uma viagem de 8 mil milhões de anos que deixa pistas
Durante a sua viagem até à Terra, os raios gama emitidos pelo OP 313 atravessaram o espaço e encontraram-se com a chamada luz de fundo extragaláctica. Esta espécie de névoa cósmica ténue é formada pela radiação acumulada emitida por estrelas e galáxias ao longo de milhares de milhões de anos. Quando os raios gama de muito alta energia interagem com os seus fotões, podem desaparecer e gerar pares de partículas compostos por um eletrão e um positrão.

O resultado é que o sinal original chega enfraquecido. É precisamente essa perda de intensidade que contém uma informação extremamente valiosa, uma vez que, ao estudarem o grau de atenuação da radiação, os cientistas podem estimar a quantidade de luz que existia em diferentes momentos da história do cosmos.
La Palma prepara-se para observar ainda mais longe
A capacidade de observação a partir das Canárias irá aumentar em breve. Está prevista para 15 de outubro de 2026 a inauguração da sub-rede completa do LST em La Palma, que irá incorporar mais três grandes telescópios, para além do LST-1. Estes instrumentos estarão especialmente preparados para estudar raios gama a partir de energias próximas dos 20 GeV, ampliando a capacidade de detetar fontes extremamente distantes.
O OP 313 demonstra até onde esta nova geração de observatórios pode chegar. Um sinal que iniciou a sua viagem há cerca de 8 000 milhões de anos acabou por se tornar, a partir de uma ilha do Atlântico, uma ferramenta para reconstruir a história da luz do universo.
Referência da notícia
LST Collaboration & MAGIC Collaboration. (2026). Detection of the distant quasar OP 313 with the first Large-Sized Telescope of CTAO.