Porque é que a Via Láctea não foi destruída? Um estudo mostra como escapou à fase mais extrema do cosmos
Uma equipa internacional de astrofísicos utilizou dados de vários telescópios e simulações por computador para explicar como galáxias semelhantes à Via Láctea conseguiram sobreviver às fases mais violentas da história do Universo.

A maioria das galáxias mantém-se intacta graças aos esferóides luminosos presentes nos seus centros, embora algumas, como a Via Láctea, não os possuam. Até agora, não se sabia como estas estruturas celestes resistiram às fases mais violentas do cosmos, mas um estudo internacional revela possíveis hipóteses para este fenómeno.
O modelo utilizado pelos investigadores previu uma era dominada por fusões galácticas com interações violentas que poderiam ter destruído pequenas galáxias espirais há dez mil milhões de anos. Os cientistas do projeto internacional começam agora a ver os primeiros resultados que explicam a sua sobrevivência.
Mais de 600 horas de observações em 54 galáxias semelhantes à Via Láctea através do projeto BEARD
“As galáxias costumam ter outras estruturas densas, denominadas bulbos, que lhes conferem estabilidade e as ajudam a sobreviver”, explica o astrofísico do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), Jairo Méndez Abreu. Porém, algumas destas estruturas galácticas, como a Via Láctea, carecem delas e os especialistas desconheciam como é que conseguiram sobreviver sem estes elementos estabilizadores.
Além disto, recorreram ao uso de imagens de grande profundidade captadas pelo telescópio Isaac Newton, aplicando uma técnica de análise inovadora para revelar as partes mais ténues e externas dessas galáxias semelhantes à nossa. O intuito era determinar com precisão a sua extensão e identificar diferenças em relação a outros sistemas com bulbo.
Teorias sobre a sua sobrevivência
Carlos Marrero de la Rosa, estudante de doutoramento do IAC e autor principal de um dos estudos, explica que estas diferenças podem ser explicadas por formas especiais de fusão em galáxias sem bulbo, “um aspeto que explorámos em pormenor no projeto”, descreve o especialista.
Yetli Rosas, investigadora da Universidade de Córdoba (UCO) e autora principal de outro dos estudos, explica que estas estruturas conseguiram sobreviver durante a fase de grandes fusões do Universo através de dois mecanismos.

“Por um lado, existe uma pequena probabilidade de que algumas galáxias não tenham interagido com outras, apesar da frequência destes eventos violentos; por outro lado, pode ter existido um padrão específico de interação em que os discos puros não tenham sido destruídos”.
Segundo Salvador Cardona, outro investigador do projeto, “as galáxias análogas à Via Láctea apresentam uma distribuição de galáxias satélites diferente das restantes estruturas, mais concentrada e alinhada, de acordo com uma história de fusões tranquila e ordenada. Este resultado está em consonância com as duas explicações que o BEARD apresenta para a sobrevivência cósmica da Via Láctea”. Ou seja, as galáxias poderiam ter sido acompanhadas por sistemas estelares mais pequenos que lhes fossem benéficos.
Deste modo, este trabalho conseguiu explicar a existência de galáxias como a Via Láctea no modelo do Universo atualmente aceite, embora outros aspetos da vida destes objetos continuem a exigir mais investigações futuras.
Referências da notícia
Marrero de la Rosa. C. et al. Bulgeless Evolution And the Rise of Discs (BEARD): I. Physical drivers of the mass─size relation for Milky Way-like galaxies. Astronomy & Astrophysics. 2026
Rosas-Guevara, Yetli. et al. Bulgeless Evolution And the Rise of Discs (BEARD) II. The role of mergers in shaping the Milky Way analogues in TNG50. Astronomy & Astrophysics. 2026
¿Cómo sobrevivió la Vía Láctea a los episodios violentos del Universo? SINC. 22 de maio de 2026.
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