Serão os fogos de artifício prejudiciais para a qualidade do ambiente? A Ciência diz que sim!

Por detrás de um espetáculo de luz e cor, os fogos de artifício escondem impactos ambientais que a ciência tem vindo a revelar nos últimos anos. Venha descobir mais aqui!

As explosões de luz e cor dos fogos de artifício libertam partículas finas e compostos químicos que podem degradar temporariamente a qualidade do ar.
As explosões de luz e cor dos fogos de artifício libertam partículas finas e compostos químicos que podem degradar temporariamente a qualidade do ar.

São poucos os elementos que estão tão associados às grandes celebrações como os fogos de artifício. Seja na passagem de ano, em festas populares ou em eventos desportivos, as explosões de luz e cor continuam a atrair milhares de pessoas.

No entanto, aquilo que dura apenas alguns minutos pode ter efeitos que se prolongam muito para além do fim do espetáculo.

De acordo com um estudo publicado na revista científica Environmental Science & Technology, os fogos de artifício são responsáveis pela emissão de partículas finas e de diversos compostos químicos que afetam temporariamente a qualidade do ar.

As cores características dos espetáculos pirotécnicos resultam da combustão de diferentes sais metálicos. O estrôncio produz tons avermelhados, o bário gera o verde, o cobre é utilizado para obter o azul e o sódio cria tonalidades amarelas.

O que fica no ar após um espectáculo?

Quando estes compostos entram em combustão, nem todo o material é consumido. Parte transforma-se em partículas microscópicas que permanecem suspensas na atmosfera antes de se depositarem no solo ou na água.

Este estudo refere que, durante e imediatamente após grandes espetáculos pirotécnicos, as concentrações de partículas finas (PM2,5) podem aumentar significativamente. Estas partículas apresentam um diâmetro inferior a 2,5 micrómetros, o que lhes permite penetrar profundamente nos pulmões e, em alguns casos, entrar na corrente sanguínea.

Embora os episódios de poluição associados aos fogos de artifício sejam geralmente de curta duração, os especialistas alertam que estes picos podem representar um risco acrescido para pessoas mais vulneráveis, como as crianças, os idosos ou indivíduos com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

Em dias de grande utilização de pirotecnia, como a noite de passagem de ano, os níveis de partículas registados em algumas cidades chegam a multiplicar-se várias vezes relativamente aos valores habituais.

Para além do material com particulas, os investigadores identificaram a presença de metais utilizados na produção das cores e dos efeitos luminosos.

Grande fonte de poluição

Apesar de um único espetáculo libertar quantidades relativamente reduzidas destes elementos, a repetição frequente de eventos pirotécnicos pode contribuir para a acumulação de contaminantes em determinadas áreas, sobretudo quando não existem condições meteorológicas favoráveis à dispersão dos poluentes.

Os impactos não se limitam à qualidade do ar. O ruído intenso provocado pelas explosões constitui outra das principais preocupações ambientais.

Animais domésticos e espécies selvagens reagem frequentemente com elevados níveis de stress, alterando comportamentos de alimentação, reprodução e deslocação. Em certas aves, por exemplo, o susto provocado pelos rebentamentos pode levar ao abandono temporário dos locais de nidificação.

Outro aspeto frequentemente esquecido é a quantidade de resíduos produzidos após cada espetáculo. Restos de papel, plástico, cartão e outros materiais utilizados na construção dos dispositivos acabam espalhados nas ruas, jardins, rios e zonas costeiras, exigindo operações de limpeza para evitar que permaneçam no ambiente.

Apesar destes efeitos, os investigadores recordam que os fogos de artifício não constituem a principal fonte de poluição atmosférica nas cidades.

O tráfego rodoviário, juntamente com a indústria e os sistemas de aquecimento continuam a representar uma contribuição muito superior ao longo do ano. Ainda assim, os espetáculos pirotécnicos provocam episódios de poluição intensa num curto espaço de tempo, razão pela qual têm despertado um interesse crescente por parte da comunidade científica.

Alternativas mais sustentáveis

Nos últimos anos começaram também a surgir alternativas mais sustentáveis. Algumas empresas desenvolveram fogos de baixo fumo, enquanto vários eventos internacionais passaram a recorrer a espetáculos com drones equipados com luzes LED, capazes de criar figuras e animações no céu sem explosões nem emissões significativas de partículas.

Atualmente já são várias as cidades que optam por oferecer espetáculos com drones luminosos e fogos de baixo fumo como alternativa mais sustentável, reduzindo a poluição atmosférica e sonora sem perder o efeito visual.
Atualmente já são várias as cidades que optam por oferecer espetáculos com drones luminosos e fogos de baixo fumo como alternativa mais sustentável, reduzindo a poluição atmosférica e sonora sem perder o efeito visual.

Em muitos casos, estas soluções são complementadas com projeções de luz e efeitos multimédia, reduzindo o impacto ambiental sem eliminar o caráter festivo das celebrações.

O conhecimento científico hoje disponível não pretende acabar com os fogos de artifício, mas sim compreender melhor os seus efeitos e incentivar a adoção de soluções mais equilibradas.

A inovação tecnológica demonstra que é possível continuar a celebrar momentos especiais, conciliando tradição, entretenimento e uma maior preocupação com a proteção da saúde pública e do ambiente.

Referência da notícia

Guan-Lin Chen, Meng Du, Chen Qian, Han-Qing Yu. (2026). Molecular-Level Perturbations of Dissolved Organic Matter Driven by Episodic Firecracker Residue Leaching.