Gigantes ocultos da lua: porque é que as montanhas são mais altas do que o Everest, mas são tão arredondadas?
A identificação e caracterização do relevo lunar revela montes mais poderosos e mais altos do que as montanhas terrestres, mas muito mais arredondadas. Saiba porquê aqui!

Este artigo apresenta uma metodologia para identificar e delinear de forma exaustiva o relevo positivo, ou seja, montes e montanhas, na superfície da Lua. O principal objetivo é ilustrar este procedimento e, ao fazê-lo, fornecer um significado preciso ao relevo positivo em relação a um nível de base local específico para cada feição mapeada.
A metodologia baseia-se na inversão do sinal do Modelo Digital de Elevação (DEM) – que utiliza dados do Altímetro Laser do Orbitador de Reconhecimento Lunar (LOLA) – transformando os montes e montanhas em depressões fechadas que podem ser facilmente identificadas e delineadas.
A técnica permitiu mapear várias feições geológicas em diferentes locais de testes lunares
A técnica aplicada revelou-se útil para mapear domos e cones vulcânicos muito rasos, cristas de enrugamento e qualquer outro relevo positivo. Foi possível identificar domos vulcânicos muito rasos, com alturas relativas inferiores a 100 metros, bem como cones vulcânicos. Um cone vulcânico com a forma de pirâmide de três lados, com 1098 metros de altura intermédia, foi identificado em Mare Imbrium.

Os picos centrais das crateras foram também mapeados, atingindo altitudes intermédias de até cerca de 2000 metros. O estudo observou que muitas montanhas lunares significativas, como picos centrais de crateras, e a montanha mais poderosa, apresentam a forma de uma pirâmide de três lados.
O estudo mostrou que as montanhas lunares são mais poderosas em altura relativa
Um resultado notável do trabalho foi a identificação da montanha mais poderosa da Lua, encontrada após uma análise sistemática de toda a superfície lunar. Esta montanha atinge uma altura relativa de 7.201,9 metros em relação ao seu nível de base local. Está localizada no bordo da grande bacia de impacto South Pole-Aitken (SPA), e é o resultado do efeito de empilhamento dos rebordos de crateras e material ejetado de impactos sucessivos.
As alturas relativas do Everest e do Kilimanjaro, calculadas pela mesma metodologia, foram de 3304 metros e 4518 metros, respetivamente. Contudo, a montanha lunar mais poderosa é mais arredondada e não tem as encostas íngremes das montanhas da Terra.
A inclinação média dentro de um círculo de 3 km de raio em torno do cume é de 39º para o Monte Everest, 26º para o Monte Kilimanjaro e apenas 12º para a montanha lunar mais poderosa. Esta diferença deve-se à ausência na Lua de processos erosivos terrestres, como rios, glaciares e grandes movimentos de massa, e à ação de micrometeoritos que suavizam a superfície.
Os investigadores deste estudo concluem que a metodologia proposta tem um potencial significativo e pode ser adicionada ao conjunto de ferramentas da geologia e geomorfologia planetária.
Referência da notícia
Pardo-Igúzquiza, E., Dowd, P. Identification and delineation of mounds and mountains on the surface of the Moon. Discov Sp 129, 15 (2025). https://doi.org/10.1007/s11038-025-09576-w