Veneza e alterações climáticas, temos de visitá-la já em 2020?

Dados os últimos acontecimentos ocorridos em Veneza com as sucessivas inundações, muita gente está a planear visitá-la antes que seja impossível fazê-lo devido às alterações climáticas. Estaremos a exagerar?

Marc Redondo Marc Redondo Alfredo Graça 11 Jan. 2020 - 16:25 UTC
Veneza
Veneza poderá ficar inundada daqui a uns anos.

Muitos dos desejos para 2020 que ouvimos no fim do Ano por parte de famosos e políticos estavam relacionados com as alterações climáticas. Parece que de uma vez por todas a consciencialização se generalizou e já todos temos claro que há que abrandá-la. Até agora só a população pedia compromissos aos governantes, mas isto já mudou.

Nos últimos dois meses do ano passado a palavra emergência foi ligada às alterações climáticas. A Cimeira de Madrid teve grande parte da culpa. Mas há algo que nos deveria fazer refletir, a nós que nos dedicamos à divulgação científica, assim como a todos os meios de comunicação em geral: o alarmismo criado. É justificado? Em parte, sim.

Um dos sinais que comprova isso é a quantidade de gente que comenta a urgência em visitar Veneza antes que as alterações climáticas a façam desaparecer. Ou ir às ilhas do Pacífico antes que o aumento do nível do mar as apague do mapa. Ou fazer esqui agora que a neve abunda, algo que não irá acontecer daqui a alguns anos devido ao aumento das temperaturas.

Há pressa em visitar Veneza?

Antes de mais, há que saber identificar se as alterações climáticas são as principais responsáveis de algo como o que está a ocorrer em Veneza. Efetivamente, tem uma pequena parte da culpa, mas não toda. Podemos extrapolar isso para qualquer tipo de desastre que ocorra nestes momentos na natureza.

Este ano os episódios de Acqua Alta foram mais intensos e duradouros que nos anteriores. Os motivos que a provocaram foram uma descarga de chuva impressionante, transportada pelos rios que ainda encheram mais que a grande lagoa, um forte vento de sudeste que arrastou mais água do mar até à costa, a pouca pressão atmosférica e, como não, as típicas marés que se formam em todos os pontos marítimos devido ao efeito da lua.

Uma das consequências das alterações climáticas é o aumento do nível do mar. Veneza é um dos pontos críticos ao estar oficialmente a 1 metro de altitude. O sistema MOSE para evitar as inundações continua em marcha e segundo as previsões, deverá aliviar as dores de cabeça aos habitantes da zona, ainda que para os turistas é toda uma atração.

Mas respondendo à pergunta de se temos de ir a correr visitar Veneza, a resposta é que não faz falta correr. Pelo menos, nós não vamos ver Veneza debaixo de água. Sim, quiçá se houver mais episódios como este, mas não o seu desaparecimento total. Isso sim, em 2100 já poderá vir a ficar completamente inundada segundo um estudo da Agência Nacional Italiana para as Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Económico Sustentável (ENEA).

O que acontece com outros destinos no mundo

O mesmo que comentamos no caso de Veneza, que tarde ou cedo poderá desaparecer, ocorrerá com os lugares que devido à sua localização poderão sofrer seriamente os efeitos das alterações climáticas. Na maioria dos casos não faz falta correr, mas podemos vir a notar algumas mudanças nestes destinos. As próximas gerações sim, podem ir de encontro ao problema de alguns sítios terem desaparecido.

Há que recordar um caso recente de há alguns anos atrás. Um grupo de ilhas do Pacífico desapareceu, supostamente, por causa do aumento do nível do mar. Foram as ilhas de Kale, Rapita, Rehana, Kakatina e Zollies. Ainda que investigando um pouco mais, não foi só devido ao aumento das águas, mas também devido à ondulação e à erosão.

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