Rede nacional de Hubs Azuis mergulha no oceano para levar ciência e inovação até à economia portuguesa

Oito polos de investigação vão converter o Atlântico num laboratório gigante e gerar conhecimento para acelerar a transição ecológica.

O Atlântico une os oito polos de inovação, transformando as águas nacionais num laboratório de tecnologia e ciência aplicada. Foto: Adobe Stock
O Atlântico une os oito polos de inovação, transformando as águas nacionais num laboratório de tecnologia e ciência aplicada. Foto: Adobe Stock

O Atlântico expandiu desde sempre o destino geográfico dos portugueses, mas a relação com o mar prepara-se para entrar numa era marcadamente digital e tecnológica. O país está a estruturar uma rede nacional de centros de inovação que pretende converter o oceano num espaço permanente de experimentação científica.

O projeto dos Hubs Azuis junta universidades, empresas e laboratórios colaborativos para desenvolver soluções em condições reais, encurtando de forma decisiva a distância tradicional entre a teoria académica e a operação económica.

A infraestrutura distribuída pelo litoral conta com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência para consolidar a soberania científica portuguesa. A grande mudança reside na recolha contínua de informação sobre as correntes, a atmosfera e a biodiversidade.

Mais do que desenvolver equipamentos isolados, a prioridade passa por recolher e partilhar dados à escala global para apoiar políticas públicas, a segurança de navegação e a conservação de ecossistemas vulneráveis.

Do mar profundo ao espaço subaquático

A norte, o Hub Azul de Leixões foca a sua atividade no desenvolvimento de robótica para ambientes extremos. O polo coordenado pelo INESCTEC irá testar veículos autónomos programados para recolher informação a milhares de metros de profundidade sob pressões esmagadoras.

No mesmo território portuário, o Hub Azul Leixões 2 complementa esta visão através da engenharia subaquática avançada. Os investigadores, liderados pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, criam sistemas eletrónicos para missões industriais que ajudam a posicionar o país em redes internacionais de cooperação militar e de segurança no âmbito da NATO.

Biotecnologia, pesca e turismo

Mais a sul, a Universidade de Aveiro lidera o centro focado em oceanografia e biotecnologia marinha. Neste hub, o objetivo é coordenar os esforços para extrair conhecimento científico que ajude a estruturar planos sustentáveis de exploração económica.

De norte a sul, o mar português é o elemento unificador de uma rede tecnológica focada no desenvolvimento sustentável. Foto: Adobe Stock
De norte a sul, o mar português é o elemento unificador de uma rede tecnológica focada no desenvolvimento sustentável. Foto: Adobe Stock

A transição para o polo de Peniche traz uma abordagem muito centrada na capacitação das populações litorais. Este Hub Azul promove a qualificação de profissionais da pesca e do turismo náutico, assegurando que a transferência de tecnologia chega à economia real das vilas costeiras.

A monitorização do clima e das águas

O Hub Azul Oeiras Mar assume um papel crucial na segurança coletiva ao integrar os sistemas de observação da atmosfera do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Coordenado por José Guerreiro, presidente do IPMA, o centro centraliza a recolha de dados meteorológicos urgentes para prever tempestades extremas e apoiar a navegação mercantil no Atlântico.

A informação gerada nesta unidade apoia as decisões governamentais de adaptação climática e serve de escudo protetor para as infraestruturas costeiras nacionais mais expostas à erosão marítima.

No Algarve, o polo de Olhão dedica-se ao desenvolvimento da aquacultura sustentável e da biotecnologia alimentar. As equipas, coordenadas pela autarquia local, trabalham na melhoria genética de espécies marinhas e na eficiência das unidades de produção aquícola em mar aberto. A vertente agroalimentar visa reduzir a dependência externa de pescado, gerando alternativas económicas viáveis que respeitem os limites ecológicos do ecossistema marinho do sul do país.

Um sistema de sistemas integrados

A visão global do projeto culmina na Hub Azul School, uma valência transversal focada em preparar as novas gerações para as profissões da economia azul. Esta malha de inovação nacional permite que Portugal se apresente perante os parceiros europeus como um território coeso e dinâmico, apto a testar novas tecnologias em alto-mar antes de serem replicadas noutros pontos do globo.

A rede de Hubs Azuis recolhe dados do oceano, gerando conhecimento para impulsionar a economia, a ciência ou a segurança marítima. Foto: Adobe Stock
A rede de Hubs Azuis recolhe dados do oceano, gerando conhecimento para impulsionar a economia, a ciência ou a segurança marítima. Foto: Adobe Stock

A articulação entre os diversos polos pretende demonstrar que a valorização dos recursos marítimos nacionais já não se faz de forma isolada. Ao interligar a robótica do norte com a biologia do sul, o consórcio ambiciona criar um ecossistema integrado que valoriza cada gota de água estudada.

O futuro do país, segundo os seus promotores, passa inevitavelmente por este domínio tecnológico das suas águas territoriais, onde o conhecimento gerado representa um dos maiores ativos económicos.

Referência da notícia

Hub Azul Portugal. Oito Hubs regionais em Portugal.