Portugal registou 8.252 incêndios em 2025. O grande desafio é a prevenção e gestão dos fogos de grande dimensão

Em 2025, arderam cerca de 271 mil hectares durante os incêndios ocorridos em Portugal, “o quarto valor mais elevado desde 2001”, com 44 incêndios a serem responsáveis por aproximadamente 91% da área ardida. Em 2026, até 8 de julho, já arderam mais de 30 mil hectares.

Em 2025, arderam cerca de 271 mil hectares em Portugal, “o quarto valor mais elevado desde 2001”, com 44 incêndios a serem responsáveis por aproximadamente 91% da área ardida.
Em 2025, arderam cerca de 271 mil hectares em Portugal, “o quarto valor mais elevado desde 2001”, com 44 incêndios a serem responsáveis por aproximadamente 91% da área ardida.

O relatório de atividades do Sistema Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) relativo ao ano de 2025, divulgado na última sexta-feira, 10 de julho, revela que Portugal registou 8.252 incêndios rurais nesse ano.

Tratou-se do terceiro valor mais baixo desde 2001, mas, numa análise mais fina, verifica-se que apenas 44 desses fogos consumiram 91% da área ardida naquele ano.

O documento, da autoria da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), faz ainda notar que o combate aos fogos se deve concentrar em “incêndios extremos”.

“O principal desafio do sistema reside atualmente na prevenção e gestão de incêndios de grande dimensão e elevada complexidade”, refere o relatório, que também refere que 2025 foi “um dos anos meteorologicamente mais severos das últimas décadas”, em que a área ardida - 271 mil hectares - foi quarto valor mais elevado desde 2001, com 29 dias consecutivos de perigo "Máximo", "Extremo" ou "Excecional".

O relatório mostra, assim, que “o principal desafio do sistema deixou de ser o elevado número de ocorrências e passou a concentrar-se na prevenção e gestão de um número reduzido de incêndios extremos”.

Resposta centrada nas alterações climáticas

Um trabalho que exige “uma resposta cada vez mais centrada na adaptação às alterações climáticas, na transformação do território e na antecipação do risco”.

O relatório da AGIF deixa ainda uma nota para os reacendimentos, onde houve mais falhas no controlo em comparação com anos anteriores.

Em 2025, “a taxa de reacendimentos, embora com valores mais baixos do que antes de 2017, foi de 8%, superior à meta de 1%”, diz o relatório da AGIF.
Em 2025, “a taxa de reacendimentos, embora com valores mais baixos do que antes de 2017, foi de 8%, superior à meta de 1%”, diz o relatório da AGIF.

Em 2025, “a taxa de reacendimentos, embora com valores mais baixos do que antes de 2017, foi de 8%, superior à meta de 1%”, diz o relatório da AGIF, explicando que as “análises dos incêndios mais complexos reforçam a necessidade de evoluir para um modelo mais antecipatório baseado na avaliação do risco e no planeamento prospetivo”.

É certo que Portugal registou progressos relevantes na gestão florestal e de combustível nos espaços florestais. O Programa Nacional de Ação atingiu 53%, de acordo com os dados contidos no relatório agora publicado. Foram executados cerca de 196 mil hectares de gestão de combustível, ultrapassando a meta anual.

62 OIGP e 100 mil hectares

No final de 2025, encontravam-se em execução 62 Operações Integradas de Gestão da Paisagem (OIGP), abrangendo aproximadamente 100 mil hectares, com um “investimento superior a 180 milhões de euros”.

Por sua vez, os programas “Aldeia Segura Pessoas Seguras” e “Condomínio de Aldeia” passaram a abranger 2.386 aglomerados.

Em 2025, 73% da área ardida verificou-se na região centro, o que aponta para “a urgência de direcionar recursos e investimento preventivo para as Áreas Prioritárias de Prevenção e Segurança”.
Em 2025, 73% da área ardida verificou-se na região centro, o que aponta para “a urgência de direcionar recursos e investimento preventivo para as Áreas Prioritárias de Prevenção e Segurança”.

No total, o investimento global do SGIFR atingiu 600 milhões de euros. Deste montante, 54% da despesa foi aplicada em prevenção.

Apesar disso, é necessário “acelerar a adaptação dos territórios rurais, aumentar a sua resiliência e reforçar a capacidade operacional para responder a eventos extremos”. Tanto mais porque 84% da área ardida ocorreu em zonas de perigosidade alta ou muito alta. Por outro lado, 73% da área ardida verificou-se na região centro, o que aponta para “a urgência de direcionar recursos e investimento preventivo para as Áreas Prioritárias de Prevenção e Segurança”.

Em 2025, morreram seis pessoas por causa dos fogos rurais, menos 10 do que em 2024, e “as emissões de carbono atingiram cerca de 3,6 milhões de toneladas, representando aproximadamente o dobro da média histórica observada desde 2003”.

De acordo com o relatório, “as perdas económicas diretas associadas aos espaços florestais, agrícolas e aos serviços dos ecossistemas ascenderam a cerca de 85 milhões de euros”.

Mais de 30 mil hectares ardidos em 2026

E em 2026, os números não são animadores. Até ao início do mês de julho, a área ardida em Portugal já ultrapassava os 30 mil hectares, o valor mais elevado desde 2017 para o mesmo período, segundo dados provisórios do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) divulgados pela agência Lusa.

Os números deste Sistema de gestão integrada, que é gerido pela Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, mostram que os 4.592 incêndios rurais registados em 2026 já consumiram 30.155 hectares até 5 de julho.

entre os dias 1 e 5 de julho deste ano, já arderam mais de 15 mil hectares, o que fez duplicar a área queimada em apenas cinco dias.