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Portugal com uma das secas mais gravosas até ao início de Dezembro de 2017

Portugal está a viver mais uma situação de seca grave, com regiões do país a serem afectadas por uma das secas mais intensas com impacto na agricultura e pecuária e no abastecimento de água às populações. 

Teresa Abrantes Teresa Abrantes 12 Dez. 2017 - 10:37 UTC
Seca e ponte do rio Mourinho
Seca deixa a descoberto ponte submersa há duas décadas (Foto: Manuela Pires/RR).

A seca que tem atingido Portugal tem provocado uma descida acentuada do nível das albufeiras. Na imagem pode ver-se a ponte do rio Mourinho no Alentejo, uma ponte do séc. XIX, que ficou a descoberto com a seca devido à descida do nível da albufeira. Há duas décadas que esta ponte estava submersa pelas águas da barragem do Pego do Altar, região de Alcácer do Sal. 

A seca é um dos desastres naturais que ocorrem no globo de origem meteorológica ou climatológica e que em situação extrema afecta um maior número de pessoas e durante mais tempo que qualquer outro. Não é um fenómeno que se identifica de imediato, como maior parte dos desastres naturais, mas resulta de uma acumulação de situações passadas com ausência de precipitação.

Seca Meteorológica

Pode classificar-se a seca meteorológica como uma medida do desvio da precipitação em relação ao valor normal e caracteriza-se pela falta de água resultante do desequilíbrio entre a precipitação e a evaporação.

A seca classifica-se em relação à sua intensidade como fraca, moderada, severa e extrema e pode ser analisada através da utilização de alguns índices de seca, tais como o PDSI (“Palmer Drought Severity Index”). Este índice baseia-se no conceito do balanço da água tendo em conta dados da quantidade de precipitação, temperatura do ar e capacidade de água disponível no solo.

O ano de 2017 está a ser caracterizado por um ano de seca severa ou extrema na maior parte das regiões de Portugal, resultante de um período prolongado com ausência de precipitação ou com precipitação inferior ao normal e com temperaturas elevadas.

Em 2017 registaram-se extremos climáticos 

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), depois de um inverno 2016/2017 com precipitação inferior aos valores normais, a primavera foi caracterizada por muito quente e muito seca seguindo-se de um verão quente e extremamente seco.

O outono de 2017 (setembro, outubro, novembro) em Portugal Continental foi quente e extremamente seco. Foi o 2º outono mais seco desde 1931 (depois de 1971) e o 5º mais quente desde 2000. De salientar que o valor médio da temperatura máxima do ar foi a mais alta desde 1931.

O défice de precipitação agravou-se nos últimos meses sendo novembro o 8º mês consecutivo com valores de precipitação inferiores ao normal. Este período, abril a novembro, é o mais seco desde 1931 (precipitação cerca de 30% do normal).

Ainda segundo o IPMA, a atual situação de seca, no final de novembro, é das mais gravosas em comparação com anos anteriores, pois é a que apresenta maior percentagem de território (97 % do território) nas classes de seca severa e extrema. 

Classes do índice PDSI – Percentagem do território afetado entre abril e novembro de 2017.

Em Portugal Continental, no final do verão, é normal o país apresentar uma situação de seca, mas que na maior parte dos anos desaparece devido à precipitação que começa a ocorrer em Outubro e Novembro. No entanto este ano foi especial, pois além de praticamente não ter ocorrido precipitação nestes meses, o verão e o outubro foram muito quentes e com situações de vento moderado a forte. A conjugação de todos estes factores agravou a situação de seca pois a evapotranspiração (perda de água do solo por evaporação e a perda de água da planta por transpiração) aumenta com o vento e com as temperaturas elevadas. 

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