Perigo à vista: calor excessivo elimina glaciares paquistaneses

A onda de calor que tem afetado alguns países da Ásia meridional, no último ano, está a ter cada vez mais consequências visíveis, que podem afetar severamente a vida de milhões de pessoas. Fique a saber mais sobre este assunto, aqui!

Paisagem glaciar.
Imagem do lago Saif ul Maluk, no Nordeste do Paquistão, uma das áreas afetadas pela onda de calor que varre a Ásia meridional.

O calor intenso que se tem verificado em certos países asiáticos, como é o caso da Índia e do Paquistão, tem exposto milhões de pessoas a temperaturas extremamente elevadas, causando constrangimentos nas redes de distribuição de eletricidade e água potável, e pondo em causa algumas atividades económicas, bem como a própria vida humana.

O potencial de ocorrência de um novo evento deste género é real, já que as previsões meteorológicas para a região não são animadoras (...).

Esta onda de calor tem tido outros efeitos inesperados, mas igualmente perigosos: no último sábado, um rebentamento de um lago glaciar (com origem no Glaciar Shisper), no Vale de Hunza, provocou um aumento súbito do caudal do rio homónimo, que por sua vez resultou na queda de uma ponte, infraestrutura robusta, em pedra, que era essencial à mobilidade dos habitantes locais.

Este evento ocorreu numa região montanhosa, a Nordeste da capital do país, Islamabad, já perto da fronteira com o Afeganistão e com a China. As temperaturas elevadas que se têm registado, mesmo em áreas montanhosas, fizeram com que grandes volumes de neve derretessem rapidamente, criando vários novos lagos de origem glaciar, bem como o fenómeno acima descrito, conhecido como GLOF, Glacial Lake Outburst Flood.

Terá sido a última vez?

O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas (ICIMOD, na sigla em inglês), afirma que o volume de água que se encontra nos lagos de origem glaciar, numerosos naquela região, tem vindo a aumentar substancialmente nas últimas semanas. No lago onde se verificou este GLOF, o volume de água tinha aumentado 40% nos 20 dias anteriores ao rebentamento.

O governo do Paquistão bem como o Departamento Meteorológico local, cientes do perigo que pode representar este tipo de eventos, emitiram um conjunto de diretrizes, aplicáveis tanto às autoridades regionais, como à população local. O objetivo foi o de sensibilizar a população para a importância de se manter alerta para a ocorrência de cheias repentinas e violentas, privilegiando estratégias que a permitam manter-se em segurança.

As regiões de Gilgit-Baltistan e Khyber Pakhtunkhwa estão entre as mais afetadas, pois nos últimos anos, as alterações climáticas foram responsáveis pelo aparecimento de mais de 3000 lagos de origem glaciar. Pelo menos 33 destes 3000 podem rebentar a qualquer momento, podendo causar danos em infraestruturas ou até vítimas mortais. A rede hidrográfica desta região é extremamente vulnerável a esta situação, principalmente devido à falta de infraestruturas que possam mitigar este tipo de evento destrutivo.

O potencial de ocorrência de um novo evento deste género é real, já que as previsões meteorológicas para a região não são animadoras: durante esta semana é possível que os termómetros registem temperaturas máximas que podem ser superiores entre 7 ºC a 9 ºC à temperatura normal para a época.