O “segredo” português a bordo da missão Artemis II

Material português serviu como escudo térmico e ajudou a proteger astronautas na missão Artemis II à Lua. Descubra qual.

Cortiça nacional viaja até à Lua como proteção térmica na Artemis II. Foto ilustrativa: Unsplash
Cortiça nacional viaja até à Lua como proteção térmica na Artemis II. Foto ilustrativa: Unsplash

Depois de dez dias no espaço, os astronautas da missão Artemis II regressaram em segurança à Terra.

Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto), Christina Koch (especialista em missões) e o astronauta da Agência Espacial Canadiana (CSA) Jeremy Hansen (especialista em missões) fizeram história, tendo chegado mais longe do que qualquer ser humano.

A viagem, feita na nave Orion, representou a primeira vez que uma mulher e uma pessoa negra realizam uma missão lunar. Mas estas não foram as únicas surpresas. No meio dos quatro astronautas norte-americanos, encontrava-se algo bem nacional.

Sim, é isso mesmo. Na primeira viagem tripulada à volta da Lua em mais de 50 anos, que chegou ao fim na madrugada de dia 11 de abril, houve uma presença nacional.

Vinda dos sobreiros, utilizada em rolhas, sapatos e até bijuteria, a cortiça portuguesa desta vez foi mais longe. A matéria-prima foi transformada num material conhecido na indústria aeroespacial como P50.

E não foi uma estreia. É que a matéria-prima já tinha ido ao espaço a bordo da Artemis I, em 2022. Porquê? Entre as suas vantagens, estão o isolamento térmico em condições de calor extremo, a absorção de energia sob esforço mecânico, a flexibilidade para adaptação a geometrias complexas e a compatibilidade com sistemas compósitos mais avançados.

Missão: proteger estruturas críticas

“O papel da cortiça é, no fundo, simples, mas crítico: proteger ao sacrificar-se. À medida que as temperaturas aumentam, o material sofre uma transformação controlada, formando uma camada carbonizada que reforça a resistência térmica e protege as estruturas subjacentes”, explicou à ‘SIC’ o diretor de inovação da Amorim Cork Solutions, Eduardo Soares.

Da tradição à inovação. Foto: Instagram // amorimcork
Da tradição à inovação. Foto: Instagram // amorimcork

De forma mais simples e resumida, serve como uma espécie de escudo que protege estruturas críticas da nave das temperaturas adversas, durante o voo. Uma espécie de 'escudo' térmico.

“No setor aeroespacial, a continuidade não é assumida — é conquistada através do desempenho”, afirmou, por sua vez, o diretor-geral da Corticeira Amorim, António Rios de Amorim, numa nota partilhada no Linkedin. Na mesma, destaca que a escolha da NASA mostra a “fiabilidade” da cortiça portuguesa.

Um grande potencial

Segundo o mesmo comunicado, o desempenho de materiais como o P50 é possível através de um processo de engenharia altamente especializado. Depende não só de uma equipa técnica qualificada, mas também de sistemas de controlo de qualidade rigorosos.

“A presença contínua da cortiça neste contexto reflete uma evolução mais profunda. O futuro da engenharia de alta performance dependerá cada vez mais de materiais inspirados na natureza. E se a cortiça consegue responder num ambiente tão complexo e tecnologicamente exigente como o espaço, demonstra o seu potencial para responder a desafios em praticamente qualquer indústria”, acrescentou.

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