O que podemos esperar, afinal, dos preços das casas em Portugal?
Depois de anos de fortes aumentos, será que os preços vão finalmente estabilizar? Conheça as previsões para o mercado imobiliário português.

Se anda à procura de casa, ou sonha fazê-lo em breve, provavelmente já fez esta pergunta mais do que uma vez: será que os preços vão finalmente baixar?
A resposta curta é pouco animadora. Pelo menos, para quem espera uma queda acentuada.
A boa notícia? O crescimento dos preços poderá começar a perder velocidade. A menos boa é que isso não significa, necessariamente, que comprar casa vá ficar mais fácil.
“Depois de dois anos consecutivos com aumentos expressivos, Portugal mantém-se no top 3 dos países europeus com maior subida dos preços das casas até 2028”, lê-se no site ‘Viver nas Ondas’.
Um mercado que continua a desafiar os compradores
Nos últimos anos, o preço das casas em Portugal disparou. Em muitos concelhos, os valores mais do que duplicaram desde 2017, uma evolução que transformou o sonho da casa própria num objetivo cada vez mais difícil para muitas famílias.
Dados divulgados pelo Banco de Portugal no Boletim Económico, mostram que, entre 2017 e 2025, mais de uma centena de municípios registaram aumentos superiores a 100% no valor mediano das habitações.
Aliás, os novos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que, no primeiro trimestre de 2026, o preço médio de venda de uma habitação em Portugal foi de 262 839€. “Este valor representa um aumento de 13% em relação ao ano anterior e é o valor mais elevado de sempre registado”, escreve o ‘The Portugal News’.
E onde é que houve as maiores valorizações? Sem grandes surpresas, estas concentraram-se sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa, na Área Metropolitana do Porto e em vários concelhos da Península de Setúbal, onde a procura cresceu de forma muito expressiva.

“Entre os exemplos mais marcantes estão Sintra, Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal, onde o valor mediano por metro quadrado das casas vendidas cresceu mais de 200% no período analisado”, nota a ‘Versa’.
“Parte desta valorização aconteceu em zonas que, até há poucos anos, eram vistas como alternativas mais acessíveis”, acrescentam.
Este fenómeno explica-se, em parte, por um efeito de "expansão". À medida que comprar casa nos centros urbanos se tornou incomportável para muitos compradores, a procura foi deslocando-se para municípios vizinhos, que até há poucos anos eram considerados alternativas mais económicas. O resultado foi uma subida dos preços também nessas zonas.
E os próximos anos? As previsões das principais entidades internacionais apontam para uma continuação da tendência de valorização, embora sem os aumentos excecionais registados recentemente.
A S&P Global, empresa americana especialista em informações e análises financeiras, estima que Portugal continuará entre os mercados imobiliários europeus com maior crescimento dos preços até 2028. Depois de aumentos muito expressivos em 2024 e 2025, a expectativa é de uma desaceleração gradual, mas não de uma inversão da tendência.
Isto significa que o mercado poderá entrar numa fase mais equilibrada, com subidas mais moderadas, mas sem sinais claros de uma descida generalizada dos preços.
Porque é que as casas continuam tão caras?
Há uma explicação relativamente simples: continua a haver mais procura do que oferta.

Por um lado, há cada vez mais famílias à procura de habitação. O crescimento do número de agregados familiares, as alterações demográficas e as mudanças nos estilos de vida aumentaram a necessidade de casas, mesmo sem um crescimento populacional proporcional.
Por outro lado, construir continua a ser um processo lento e caro. Os custos dos materiais, a falta de mão de obra especializada, a burocracia no licenciamento e o ritmo insuficiente da construção nova fazem com que a oferta não consiga acompanhar a procura.
Mas não pense que tudo sobe ao mesmo ritmo. Apesar da tendência nacional, o mercado não se comporta da mesma forma em todo o país.
Lisboa, Porto e respetivas áreas metropolitanas continuam, sim, entre as zonas mais pressionadas. Ainda assim, muitos compradores estão agora a procurar alternativas em regiões como o Oeste, Vale do Tejo, parte do Alentejo ou alguns municípios do Norte, onde ainda é possível encontrar valores relativamente mais acessíveis.
No Algarve, “a história é um pouco diferente”, explica a ‘Versa’. Apesar de continuar entre as regiões mais caras do país, o ritmo de crescimento dos preços tem sido mais moderado do que noutras zonas. Isto porque se trata de um mercado muito influenciado pela procura internacional, que já partia de níveis elevados.
“Segundo o estudo, os municípios algarvios ‘que já se destacavam com rácios preço-renda superiores à média nacional ― muito influenciados pela procura por não residentes’, tiveram aumentos menos intensos do que outras zonas do território.”

E o arrendamento? Quem procura casa para arrendar também não tem escapado à subida dos preços.
Em vários concelhos, as rendas mais do que duplicaram nos últimos anos, refletindo a escassez de oferta disponível e a crescente procura.
Segundo os dados do Banco de Portugal, o valor mediano das rendas por metro quadrado mais do que duplicou em 23 municípios. “Grândola, Sines e Moita destacam-se, com subidas superiores a 125% entre 2017 e 2024, o último ano com dados disponíveis”, avança ainda a ‘Versa’.
Há sinais de mudança?
Sim, pode haver. Isto é, existem alguns fatores que podem contribuir para uma maior estabilização.
A construção de novas habitações tem vindo a aumentar gradualmente e foram aprovadas medidas para acelerar licenciamentos e incentivar novos projetos habitacionais. No entanto, entre o momento em que um empreendimento é aprovado e a entrega das casas podem passar vários anos.
Ao mesmo tempo, a descida das taxas de juro observada desde 2024 deu algum novo impulso ao crédito à habitação, embora o financiamento continue mais caro do que durante o período de juros historicamente baixos.
“Valerá a pena esperar?”, perguntam-se muitos portugueses. A resposta depende sempre da situação de cada pessoa.
Se a expectativa é encontrar, dentro de poucos meses, uma queda generalizada dos preços, os indicadores disponíveis não apontam nesse sentido. O cenário mais provável é o de um mercado que continua a subir, mas de forma mais moderada.
Mais importante do que tentar adivinhar o momento perfeito para comprar é perceber se a decisão faz sentido para a sua realidade financeira. Avaliar o orçamento, comparar opções de crédito, escolher uma localização compatível com o seu estilo de vida e evitar assumir uma prestação demasiado elevada continuam a ser os fatores mais importantes.
No fim de contas, o mercado imobiliário pode mudar de velocidade, mas continua longe de travar. Para quem procura casa, isso significa que informação, planeamento e alguma paciência continuam a ser os melhores aliados.
Referência da notícia
Versa, Salema, F. (2026). Afinal, onde dá para viver em Portugal? O que esperar dos preços das casas?.
Viver nas Ondas. (2026). Comprar casa em Portugal vai continuar mais caro? Eis o que dizem as previsões.
The Portugal News. (2026). Comprar uma casa em Portugal está a tornar-se cada vez mais difícil.