O mapa geográfico da segurança para quem viaja sozinho: dos refúgios europeus aos destinos de maior risco

Segurança, saúde e infraestruturas: o guia completo dos destinos mais recomendados e dos locais a evitar numa aventura a solo. Saiba mais aqui!

Viajar vai muito além de mudar de localização geográfica ou acumular carimbos no passaporte. É, acima de tudo, um processo de transformação interior e de desconstrução.
Viajar vai muito além de mudar de localização geográfica ou acumular carimbos no passaporte. É, acima de tudo, um processo de transformação interior e de desconstrução.

Viajar sozinho é uma experiência incrivelmente libertadora, mas que exige um planeamento minucioso e cuidados redobrados, especialmente no que toca à escolha do destino.

Segundo um estudo recente levado a cabo pela plataforma de seguros de viagem Squaremouth, que analisou 113 países, existem enormes disparidades globais no que respeita à segurança para quem decide explorar o mundo sem companhia.

Esta avaliação minuciosa baseou-se em três pilares fundamentais: a segurança pública, a qualidade das infraestruturas locais e o acesso a cuidados de saúde. A cada país foi atribuída uma pontuação de risco numa escala de zero a dez, em que os valores mais altos correspondem a um grau de perigo mais elevado.

Os destinos de maior risco

Nesta análise, o grupo dos destinos mais perigosos para os viajantes a solo é largamente dominado por países da América do Sul e das Caraíbas. A Venezuela surge no topo desta lista pouco desejável, atingindo a preocupante pontuação de risco de 9,74.

Apesar de ser o país mais perigoso, a Venezuela abriga o Salto Ángel, a cascata mais alta do mundo, e o Lago Maracaibo, famoso pelos seus incríveis relâmpagos quase perpétuos.
Apesar de ser o país mais perigoso, a Venezuela abriga o Salto Ángel, a cascata mais alta do mundo, e o Lago Maracaibo, famoso pelos seus incríveis relâmpagos quase perpétuos.

Mas quais as razões para a Venezuela estar em primeiro lugar? Este primeiro lugar deve-se a uma confluência de fatores profundamente negativos, nomeadamente os elevados índices de criminalidade urbana, uma vez que menos de 10% dos habitantes se sentem seguros a caminhar durante a noite.

A este cenário junta-se uma grave instabilidade política, infraestruturas bastante degradadas e uma forte propensão para desastres naturais.

Em segundo lugar surge o Peru, com 8,87 pontos, onde a violência urbana contínua a ser um problema crónico e as infraestruturas de telecomunicações deficientes dificultam qualquer pedido de ajuda ou comunicação em caso de emergência.

Antes dos Incas, o Peru já albergava civilizações avançadas (como os Caral, Moche e Nasca). Mais tarde, tornou-se o centro do Império Inca.
Antes dos Incas, o Peru já albergava civilizações avançadas (como os Caral, Moche e Nasca). Mais tarde, tornou-se o centro do Império Inca.

A fechar o pódio do risco encontra-se o Gabão, na África Central, onde a principal preocupação recai na extrema fragilidade do sistema de saúde e na falta de camas hospitalares, particularmente fora das grandes cidades.

Gabão é um país com mais de 80% de floresta tropical, sendo mundialmente famoso pelos raros hipopótamos que nadam nas praias do Atlântico.
Gabão é um país com mais de 80% de floresta tropical, sendo mundialmente famoso pelos raros hipopótamos que nadam nas praias do Atlântico.

Esta lista de maior risco fica completa com a presença da Colômbia, Bolívia, Jamaica, Guiana, Equador, Trindade e Tobago e África do Sul, destinos que, segundo o estudo, requerem uma enorme cautela por parte dos aventureiros solitários.

Os destinos com maior segurança

No espetro oposto, o continente europeu destaca-se por dominar quase por completo a lista dos locais mais seguros para explorar a solo, oferecendo grande estabilidade, infraestruturas de excelência e baixíssimos índices de criminalidade.

San Marino, um pequeno microestado encravado no território italiano, lidera a tabela como o país mais seguro do mundo para quem viaja sozinho, ostentando um impressionante índice de risco de apenas 0,78.

Neste local idílico, a esmagadora maioria da população relata sentir-se totalmente segura a qualquer hora do dia, beneficiando ainda de um baixo risco ambiental e de excelentes cuidados de saúde.

É a república mais antiga do mundo ainda existente e possui a curiosa particularidade de ter mais veículos do que habitantes.
É a república mais antiga do mundo ainda existente e possui a curiosa particularidade de ter mais veículos do que habitantes.

Logo a seguir, na segunda posição, encontra-se Andorra, outro microestado pacífico situado nos Pirenéus, que se destaca pelo seu desempenho irrepreensível em todas as categorias avaliadas e por uma forte sensação generalizada de proteção entre os seus habitantes.

É o único país do mundo com o catalão como língua oficial e não possui qualquer aeroporto ou rede de comboios
É o único país do mundo com o catalão como língua oficial e não possui qualquer aeroporto ou rede de comboios

Singapura, sendo a única exceção não europeia a figurar nos dez primeiros lugares, assegura a terceira posição da tabela. Esta dinâmica cidade-estado asiática é sobejamente reconhecida a nível mundial por aliar tecnologia de ponta na área da saúde a padrões de segurança pública extremamente rigorosos.

Esta cidade-estado futurista é composta por 64 ilhas e proíbe a venda de pastilha elástica para manter as ruas limpas
Esta cidade-estado futurista é composta por 64 ilhas e proíbe a venda de pastilha elástica para manter as ruas limpas

O leque dos dez destinos mais indicados e protegidos para viagens a solo fica assim completo com países como a Áustria, a República Checa, o Catar, a Estónia, o Brunei, a Dinamarca e a Eslovénia.

Em suma, o estudo evidencia que, embora o mundo seja vasto e fascinante para descobrir de forma autónoma, a escolha ponderada e informada do destino é o primeiro passo essencial para garantir uma aventura plenamente segura e memorável.

Referência da notícia

Samuel Amaral. (2026). Os 10 países mais perigosos para quem viaja sozinho - e os 10 mais seguros.