O El Dourado Chinês: descoberta de jazigo com concentração recorde de ouro
Geólogos chineses encontram depósito supergigante de mil toneladas de ouro com pureza recorde de 138 gramas por cada tonelada extraída. Saiba mais aqui!

A descoberta de um jazigo de ouro na China, com uma concentração extraordinária de metal precioso, representa um dos marcos geológicos mais significativos dos últimos anos. Localizado no campo aurífero de Wangu, no condado de Pingjiang (província de Hunan, no centro do país), este achado promete não só transformar a economia regional, mas também redefinir o equilíbrio de poder no mercado global de metais preciosos.
Uma descoberta de dimensões colossais
Geólogos do Gabinete Geológico da Província de Hunan anunciaram a deteção de mais de 40 veios de ouro a uma profundidade de até dois quilómetros.
No entanto, através da utilização de tecnologias avançadas de modelação geológica em 3D, os especialistas projetam que as reservas se estendam até aos três quilómetros de profundidade, elevando o total para mais de 1.000 toneladas.

Para contextualizar a magnitude deste número, se as previsões se confirmarem, este jazigo superaria a mina de South Deep, na África do Sul, até agora considerada a maior reserva mundial (com cerca de 900 a 1.000 toneladas). O valor de mercado deste tesouro chinês é estimado em aproximadamente 83 mil milhões de dólares (cerca de 80 mil milhões de euros).
Concentração recorde: 138 gramas por tonelada
O que torna esta descoberta verdadeiramente singular não é apenas o seu volume, mas a sua pureza.
A existência de 138 gramas por tonelada é, por isso, uma anomalia estatística de extrema riqueza, o que sugere que o custo de extração por grama poderá ser significativamente mais baixo do que noutras explorações mundiais.
Os impactos a nível mundial
A China já detém o título de maior produtor de ouro do mundo, sendo responsável por cerca de 10% da produção global. Contudo, devido à sua colossal procura interna impulsionada tanto pela joalharia como pela reserva de valor e aplicações tecnológicas, o país continua a ser um dos maiores importadores de ouro, recorrendo a mercados como a Austrália e a África do Sul.

Esta nova jazida poderá garantir a auto-suficiência chinesa durante décadas e fortalecer a posição do yuan no cenário internacional. Além disso, no contexto do bloco BRICS, existe uma discussão crescente sobre a criação de sistemas de pagamento alternativos ao dólar, possivelmente lastreados em ouro. Um aumento drástico nas reservas físicas da China confere ao país um poder de negociação e uma estabilidade financeira sem precedentes.
Desafios técnicos e o futuro
Apesar do entusiasmo, a exploração deste jazigo enfrenta desafios hercúleos. Minerar a profundidades de 2.000 a 3.000 metros exige tecnologia de ponta para lidar com pressões extremas e temperaturas elevadas. Sistemas de ventilação e arrefecimento de alta complexidade serão necessários para garantir a segurança dos trabalhadores.
Especialistas do Conselho Mundial do Ouro alertam que, embora a descoberta seja promissora, a conversão destas "estimativas" em "reservas provadas" e, posteriormente, em produção ativa poderá levar vários anos. Ainda assim, o impacto psicológico nos mercados foi imediato, reforçando a ideia de que, mesmo numa era de ativos digitais, o ouro continua a ser o pilar fundamental da riqueza real e da estratégia soberana das grandes potências.