Notícia animadora: esforços e colaboração ambiental a nível global mantêm camada de ozono em rota de recuperação!
A camada de ozono é uma camada gasosa composta pelo gás ozono (O3), localizada na estratosfera entre 15 e 35 km de altitude e funciona como um escudo protetor da Terra, que nos protege contra os raios ultravioleta nocivos do sol.

No entanto, desde a década de 1970 começou-se a verificar um lento e constante declínio no volume total de ozono, rarefação da camada de ozono, que era maior por cima da Antártida, a que se chamou Buraco do Ozono. Mas a situação tem vindo a alterar-se.
Notícia animadora
A Organização Meteorológica Mundial, OMM, coordena uma rede global de observações terrestres da camada de ozono operadas pelos Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais e outros parceiros.
Estas observações são fornecidas principalmente por espectrofotómetros, que medem a coluna total de ozono, ou a espessura da camada de ozono, e por sondagens de ozono, que recolhem informação sobre a distribuição vertical do ozono na atmosfera.
O sistema de observação terrestre é complementado por medições de satélite, que ajudam a alargar a cobertura a regiões com poucos dados.
No seu Boletim sobre UV e Ozono, publicado anualmente, a OMM fornece atualizações sobre o estado da camada de ozono, o buraco na camada de ozono da Antártida e os desenvolvimentos científicos relacionados.
O buraco na camada de ozono do ano passado situou-se entre o quarto e o quinto mais pequeno desde 1992, ano em que foram observados padrões de depleção severa.
O tamanho do buraco na camada de ozono da Antártida varia de ano para ano porque as condições atmosféricas influenciam a quantidade de ozono que desaparece após o inverno austral.
No entanto, além disso, o processo de decomposição da camada de ozono na atmosfera, a partir da década de 1970, foi causado pela ação do homem, com a emissão de gases clorofluorcarbonetos (CFCs), usados em sprays, que degradaram a camada de ozono durante muitos anos, provocando a sua decomposição.

Ao abrigo do Protocolo de Montreal, acordo internacional histórico para a eliminação gradual das substâncias químicas que destroem a camada de ozono e que entrou em vigor em 1992, têm sido desenvolvidos esforços conjuntos a nível internacional que têm dado frutos.
Além deste Protocolo, é de referir a Emenda de Kigali de 2016. A emenda prevê uma redução gradual dos hidrofluorocarbonetos (HFCs), utilizados em tecnologias de refrigeração e outros equipamentos. Estes gases não danificam a camada de ozono, mas alguns retêm milhares de vezes mais calor do que o dióxido de carbono, fazendo da sua redução uma parte importante dos esforços para limitar o aquecimento global.
A notícia animadora do último Boletim da OMM confirma que a camada de ozono continua em rota de recuperação a longo prazo.
Um buraco mais pequeno na camada de ozono é uma notícia bem-vinda, embora os cientistas necessitem de décadas de medições para separar os efeitos das alterações nos padrões climáticos, da recuperação impulsionada pela queda dos níveis de substâncias químicas que destroem a camada de ozono.
Uma camada de ozono em recuperação não elimina os riscos da radiação UV
Atendendo que a camada do ozono absorve cerca de 90% da radiação ultravioleta (UV) nociva emitida pelo sol, a sua recuperação é importante para a saúde humana, embora a quantidade de radiação UV que atinge as pessoas dependa também da cobertura de nuvens e da duração da insolação.
As medições citadas no boletim da OMM mostram que a radiação UV aumentou até 20% em algumas partes da Europa desde meados da década de 1990, impulsionada principalmente pela menor quantidade de nuvens e pela maior duração da insolação.
Uma maior exposição aumenta o risco de cancro de pele e outras doenças relacionadas com os raios UV, dando às autoridades de saúde pública uma razão para manter a proteção contra os raios UV firmemente na agenda, mesmo enquanto a camada de ozono recupera.

O progresso contínuo depende do conhecimento sobre o que está a ser libertado para a atmosfera, principalmente após emissões inesperadas de substâncias controladas terem exposto lacunas que requerem atenção regulamentar.
É por isso que a monitorização atmosférica continua a ser essencial para apoiar ações regulamentares direcionadas por parte das autoridades nacionais.
O número de estações ativas que utilizam instrumentos tradicionais de monitorização do ozono desceu de cerca de 130 no início da década de 2000 para cerca de 110, com os encerramentos a afetarem frequentemente locais onde as medições já são escassas.
Os instrumentos mais modernos expandiram-se rapidamente, mas o seu foco, na qualidade do ar, deixa uma necessidade contínua de observações dedicadas à camada de ozono que protege a vida abaixo dela.