Notícia animadora: esforços e colaboração ambiental a nível global mantêm camada de ozono em rota de recuperação!

A camada de ozono é uma camada gasosa composta pelo gás ozono (O3), localizada na estratosfera entre 15 e 35 km de altitude e funciona como um escudo protetor da Terra, que nos protege contra os raios ultravioleta nocivos do sol.

A camada de ozono protege-nos da radiação UV prejudicial ao ser humano.
A camada de ozono protege-nos da radiação UV prejudicial ao ser humano.

No entanto, desde a década de 1970 começou-se a verificar um lento e constante declínio no volume total de ozono, rarefação da camada de ozono, que era maior por cima da Antártida, a que se chamou Buraco do Ozono. Mas a situação tem vindo a alterar-se.

Notícia animadora

A Organização Meteorológica Mundial, OMM, coordena uma rede global de observações terrestres da camada de ozono operadas pelos Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais e outros parceiros.

Estas observações são fornecidas principalmente por espectrofotómetros, que medem a coluna total de ozono, ou a espessura da camada de ozono, e por sondagens de ozono, que recolhem informação sobre a distribuição vertical do ozono na atmosfera.

O sistema de observação terrestre é complementado por medições de satélite, que ajudam a alargar a cobertura a regiões com poucos dados.

No seu Boletim sobre UV e Ozono, publicado anualmente, a OMM fornece atualizações sobre o estado da camada de ozono, o buraco na camada de ozono da Antártida e os desenvolvimentos científicos relacionados.

No último Boletim, divulgado no Dia Mundial do Ozono, 16 de setembro, a OMM informa que em 2025, o buraco na camada de ozono da Antártida foi um dos mais pequenos das últimas décadas.

O buraco na camada de ozono do ano passado situou-se entre o quarto e o quinto mais pequeno desde 1992, ano em que foram observados padrões de depleção severa.

O ano de 2025 foi o segundo ano consecutivo em que o buraco na camada de ozono apresentou uma profundidade e extensão significativamente abaixo da média de 1990-2010.

O tamanho do buraco na camada de ozono da Antártida varia de ano para ano porque as condições atmosféricas influenciam a quantidade de ozono que desaparece após o inverno austral.

No entanto, além disso, o processo de decomposição da camada de ozono na atmosfera, a partir da década de 1970, foi causado pela ação do homem, com a emissão de gases clorofluorcarbonetos (CFCs), usados em sprays, que degradaram a camada de ozono durante muitos anos, provocando a sua decomposição.

A emissão de gases clorofluorcarbonetos são prejudiciais à camada de ozono
A emissão de gases clorofluorcarbonetos são prejudiciais à camada de ozono

Ao abrigo do Protocolo de Montreal, acordo internacional histórico para a eliminação gradual das substâncias químicas que destroem a camada de ozono e que entrou em vigor em 1992, têm sido desenvolvidos esforços conjuntos a nível internacional que têm dado frutos.

Além deste Protocolo, é de referir a Emenda de Kigali de 2016. A emenda prevê uma redução gradual dos hidrofluorocarbonetos (HFCs), utilizados em tecnologias de refrigeração e outros equipamentos. Estes gases não danificam a camada de ozono, mas alguns retêm milhares de vezes mais calor do que o dióxido de carbono, fazendo da sua redução uma parte importante dos esforços para limitar o aquecimento global.

A notícia animadora do último Boletim da OMM confirma que a camada de ozono continua em rota de recuperação a longo prazo.

De acordo com a OMM, com a recuperação da camada de ozono, em curso desde 2000, e a recuperação completa da camada de ozono, prevista dentro de algumas décadas, pode descrever-se o progresso que se tem verificado como um caso de sucesso ambiental.

Um buraco mais pequeno na camada de ozono é uma notícia bem-vinda, embora os cientistas necessitem de décadas de medições para separar os efeitos das alterações nos padrões climáticos, da recuperação impulsionada pela queda dos níveis de substâncias químicas que destroem a camada de ozono.

Uma camada de ozono em recuperação não elimina os riscos da radiação UV

Atendendo que a camada do ozono absorve cerca de 90% da radiação ultravioleta (UV) nociva emitida pelo sol, a sua recuperação é importante para a saúde humana, embora a quantidade de radiação UV que atinge as pessoas dependa também da cobertura de nuvens e da duração da insolação.

As medições citadas no boletim da OMM mostram que a radiação UV aumentou até 20% em algumas partes da Europa desde meados da década de 1990, impulsionada principalmente pela menor quantidade de nuvens e pela maior duração da insolação.

Uma maior exposição aumenta o risco de cancro de pele e outras doenças relacionadas com os raios UV, dando às autoridades de saúde pública uma razão para manter a proteção contra os raios UV firmemente na agenda, mesmo enquanto a camada de ozono recupera.

Os raios UV são nocivos para as pessoas
Os raios UV são nocivos para as pessoas

O progresso contínuo depende do conhecimento sobre o que está a ser libertado para a atmosfera, principalmente após emissões inesperadas de substâncias controladas terem exposto lacunas que requerem atenção regulamentar.

Nas últimas quatro décadas, as medições atmosféricas demonstraram reduções significativas nas concentrações de substâncias controladas que destroem a camada de ozono.

É por isso que a monitorização atmosférica continua a ser essencial para apoiar ações regulamentares direcionadas por parte das autoridades nacionais.

O número de estações ativas que utilizam instrumentos tradicionais de monitorização do ozono desceu de cerca de 130 no início da década de 2000 para cerca de 110, com os encerramentos a afetarem frequentemente locais onde as medições já são escassas.

Os instrumentos mais modernos expandiram-se rapidamente, mas o seu foco, na qualidade do ar, deixa uma necessidade contínua de observações dedicadas à camada de ozono que protege a vida abaixo dela.