Municípios abrem abrigos e ativam planos contra o calor extremo
Perante a temperaturas elevadas em todo o território, as autarquias mobilizam recursos humanos e logísticos para proteger os mais vulneráveis dos efeitos do stress térmico.

A massa de ar quente e seco que atinge o país colocou os serviços de proteção civil em alerta máximo. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera alargou o aviso vermelho até domingo em dez distritos do litoral e do interior sul.
Diante do longo período com tempo quente e seco, a Associação Nacional de Municípios Portugueses, em articulação com a Direção-Geral da Saúde, emitiu diretrizes urgentes. O objetivo passa por criar uma rede de salvaguarda capaz de proteger a população.

As orientações incluem a abertura de abrigos climatizados em edifícios públicos, disponíveis entre as nove e as 20 horas. Os municípios foram também aconselhados a interditar o acesso a parques infantis e recintos desportivos durante os períodos críticos, além de proibir o uso de grelhadores em áreas florestais.
Respostas locais à geografia do sul
No Alentejo, habitualmente fustigado por temperaturas elevadas, a autarquia de Évora acionou de imediato o plano municipal de contingência. A cidade assegura o acesso a edifícios com controlo de temperatura e ajustou os horários dos cantoneiros, garantindo que as tarefas pesadas terminem antes das onze da manhã.

Mais a sul, a Câmara Municipal de Beja adotou restrições excecionais para proteger a saúde da população e o território do perigo de incêndio. A proteção civil local proibiu totalmente a utilização de maquinaria agrícola nas horas de maior perigo para evitar a deflagração de incêndios rurais.
Dada a grande comunidade de trabalhadores imigrantes, Odemira, no litoral alentejano, articulou com as empresas da região a paragem das atividades agrícolas em estufas e campos abertos nas horas de maior exposição solar.
Estremoz, por seu turno, colocou no terreno um plano de distribuição ativa de água e folhetos de sensibilização nas interfaces de transportes públicos.
Em Faro, a estratégia combina a segurança dos residentes com a forte afluência turística da época estival. Em parceria com os concessionários balneares, as autoridades distribuem folhetos bilíngues sobre os perigos da radiação ultravioleta e da desidratação rápida, enquanto os bombeiros sapadores estão no terreno para responder a qualquer emergência clínica.
Refúgios e descontos na Grande Lisboa
Em Lisboa, a resposta à onda de calor faz-se através da abertura dos pavilhões do Casal Vistoso e do Manuel Castelo Branco. Para apoiar a população em situação de sem-abrigo, a rede de Metropolitano mantém as estações do Oriente, do Rossio e de Santa Apolónia abertas durante a noite, assegurando espaços arejados.
A capital estendeu ainda o horário de vários espaços públicos que passam a servir de locais de acolhimento. O Parque Florestal de Monsanto, a Biblioteca do Palácio Galveias, o Museu do Design e o Cinema São Jorge são alguns dos pontos de paragem para quem necessita de escapar à radiação solar.
Cascais, além de encerrar preventivamente os recintos desportivos ao ar livre, aprovou uma redução excecional de até 25% na tarifa de água para consumo e higienização, incentivando a hidratação sem penalização financeira para as famílias.
Combate às ilhas de calor no asfalto do Porto
A norte, o município do Porto concentra as atenções na assistência social de proximidade. As equipas de rua foram reforçadas para distribuir água e detetar pessoas em esforço físico. Os centros de dia prolongaram a permanência dos utentes em salas equipadas com ar condicionado, avançando-se também com a vistoria e abertura de todos os fontanários públicos da cidade.
As bibliotecas Almeida Garrett e Municipal Pública, localizadas junto a importantes pulmões verdes da cidade, estão abertas a quem precisa de um ambiente controlado. Juntamente com os polos do Porto Innovation Hub e os museus municipais, estas infraestruturas constituem a primeira linha para a comunidade ultrapassar a onda de calor.

O período prolongado de calor levou, por fim, o Governo a decretar hoje a situação de alerta em todo o território continental a partir da meia-noite desta sexta-feira, face ao elevado risco de incêndio e às altas temperaturas esperadas até segunda-feira.
As autoridades apelam ao rigoroso cumprimento das recomendações de segurança, lembrando que o comportamento individual é decisivo para evitar tragédias humanas e ambientais nos próximos dias.