Mais de 80 alunos vão lançar microssatélites nos céus de Ponte de Sor

Estudantes do ensino secundário vão lançar dezenas de aparelhos espaciais durante o evento CanSat a realizar entre esta quarta-feira e domingo.

O CanSat desafia, todos os anos, alunos do ensino secundário a desenvolver, montar e lançar um microssatélite do tamanho de uma lata de refigerante. Foto: UK Can Sat
O CanSat desafia, todos os anos, alunos do ensino secundário a desenvolver, montar e lançar um microssatélite do tamanho de uma lata de refigerante. Foto: UK Can Sat

Dezenas de microsatélites vão sobrevoar, entre esta quarta-feira, dia 22, e domingo, dia 26, os céus do Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, no distrito de Portalegre. São aparelhos tão pequenos quanto latas de refrigerantes, mas eficientes quanto os modelos mais convencionais. Estes dispositivos, em especial, estão preparados para recolher dados sobre a temperatura atmosférica e as condições do solo.

Quem os construiu foram cerca de 80 alunos de escolas secundárias de todo o país.

Desafiados pela European Space Education Resource Office (ESERO Portugal), em colaboração com a Ciência Viva e a Agência Espacial Europeia (ESA), os estudantes projetaram, desenvolveram e montaram, ao longo do ano escolar, todos os equipamentos e infraestruturas necessários ao sucesso da operação.

O projeto, no final, resulta num modelo funcional de um microssatélite, com um paraquedas e ainda com uma estação terrestre para receber os dados enviados por telemetria.

Missões científicas com trunfos da tecnologia espacial

Os dispositivos irão agora medir a temperatura do ar e a pressão atmosférica em operações integralmente desenvolvidas e executadas por equipas de estudantes. O lançamento irá decorrer durante o CanSat Portugal 2026 – projeto educativo que visa aproximar o público estudantil do universo da ciência e da tecnologia espacial.

A missão experimental promove a aprendizagem baseada na resolução de problemas. Foto: Município de Ponte de Sor
A missão experimental promove a aprendizagem baseada na resolução de problemas. Foto: Município de Ponte de Sor

Avaliar a vegetação, medindo o teor de clorofila das plantas, usar um algoritmo de inteligência artificial para reconhecer as condições de humidade de um terreno ou para detetar e calcular o índice de probabilidade de fogo, ativando alertas visuais e sonoros são alguns exemplos de missões científicas na edição deste ano.

O desafio de trabalhar em equipa num cenário quase real de operação

A Missão CanSat Portugal foi inaugurada em 2014, com o objetivo específico de desenvolver as aptidões dos estudantes para trabalharem em equipa num ambiente que reproduz um cenário real de operação, demonstrando a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos ao longo do seu percurso escolar.

A nível pedagógico, esta missão experimental ambiciona promover uma aprendizagem baseada na resolução de problemas. Cada estudante deve demonstrar, por isso, capacidade de trabalhar em equipa, utilizando os recursos disponíveis numa mesa de trabalho.

O desafio do CanSat passa essencialmente por desenvolver um modelo funcional de um microsatélite, em que todos os sistemas são integrados no volume de uma lata de refrigerante.

O módulo terá de cumprir todos os requisitos exigidos no regulamento do concurso – assumir a forma de cilindro com 115 mm de altura e 66 mm de diâmetro e uma massa de 350 gramas.

O lançamento e a aterragem milimetricamente planeados

O aparelho é lançado por um foguetão até uma altitude de mil metros para que, durante a descida, seja possível realizar uma experiência científica, captar os sinais emitidos (telemetria) e garantir uma aterragem segura.

O CanSat reúne anualmente dezenas de alunos em municípios portugueses para planear e executar uma missão real, com o desenvolvimento e o lançamento de microssatélites. Foto: Ciência Viva
O CanSat reúne anualmente dezenas de alunos em municípios portugueses para planear e executar uma missão real, com o desenvolvimento e o lançamento de microssatélites. Foto: Ciência Viva

Os módulos CanSat projetados pelos alunos estão, por isso, devidamente equipados com sistemas que permitem a sua recuperação em bom estado de funcionamento, com aterragem num ponto previamente definido.

Embora o método mais usual seja o do paraquedas, as equipas podem utilizar outras abordagens, como a descida em voo planado com Asa Delta, Lifting Body, entre outras opções que demonstrem as suas capacidades de engenho e de criatividade para apresentar soluções inovadoras e surpreendentes.

Durante a descida, após a separação do foguetão de lançamento, o CanSat deverá emitir dados por telemetria para uma estação recetora no solo, cuja conceção e construção são igualmente da responsabilidade dos alunos.

O grande show dos foguetões e a última etapa do concurso

O lançamento final dos rockets ou foguetões está previsto para amanhã, dia 24, entre as 09h00 e as 12h30. Na última jornada do concurso, no dia 26, a partir das 10h00, vai realizar-se uma mesa-redonda sobre carreiras no setor aeroespacial em Portugal, antecedendo a cerimónia de entrega de prémios, pelas 11h00. A equipa vencedora será convidada pela ESA a participar no “Space Engineer for a Day”, nos Países Baixos, de 17 a 19 de junho.

Referência do artigo

O CanSat Portugal está de volta para a 13.ª edição! European Space Education Resource Office (ESERO Portugal)

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