Indústria da alimentação animal debate desafios e vulnerabilidades do setor em contexto de incerteza global

A Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA) organiza a 28 de abril a sua Reunião Geral da Indústria. O encontro acontece no momento em que a inflação nos produtos alimentares não transformados atinge os 6,4%, mais do dobro da inflação geral.

O setor da alimentação animal impacta em cerca de 46.000 explorações especializadas e 35.000 mistas (agrícolas e pecuárias). O setor fatura anualmente cerca de 2,3 mil milhões de euros.
O setor da alimentação animal impacta em cerca de 46.000 explorações especializadas e 35.000 mistas (agrícolas e pecuárias). O setor fatura anualmente cerca de 2,3 mil milhões de euros.

Santa Iria de Azoia acolhe no próximo dia 28 de abril o Encontro da Indústria da Alimentação Animal, promovido pela IACA.

A Associação propõe-se debater os desafios e as vulnerabilidades do setor dos alimentos para animais num contexto de incerteza global como o que vivemos por estes dias, com a crise no Médio Oriente, que impacta diretamente na economia global.

O evento vai reunir agentes da cadeia da alimentação animal e pecuária, assim como vários especialistas nacionais e internacionais.

O objetivo é analisar os impactos do atual contexto geopolítico, bem como as implicações do próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia para Portugal (2028-2024), com especial enfoque na Política Agrícola Comum (PAC).

A IACA refere que vivemos hoje numa realidade que inclui “diversas tensões”. Daí que esta reunião dos industriais, que inclui o debate com vários especialistas, tenha justamente como tema “Desafios e Vulnerabilidades da Indústria em tempos de incerteza”.

Tempestades geram 20 milhões de prejuízo

A Associação fala dos prejuízos provocados pelo comboio de tempestades que afetou Portugal, com danos estimados em cerca de 500 milhões de euros na agricultura e 20 milhões de euros só nas empresas de alimentos compostos para animais.

O conflito no Médio Oriente, por seu lado, tem provocado em Portugal um “agravamento mensal de custos de produção estimados nos 9 a 10 milhões de euros para o setor da alimentação animal”. A somar a tudo isto, há ainda o impacto da nova lei europeia de combate à desflorestação e degradação florestal (EUDR), que, no entender da IACA e dos seus dirigentes, “pode refletir-se num aumento de 30 a 70 euros por tonelada na carne de suíno e entre 7,5 e 25 euros na carne de aves”.

A edição deste ano do Encontro da Indústria da Alimentação Animal também promete analisar os processos de simplificação regulatória e para a criação de valor no setor agroalimentar.

O comboio de tempestades em Portugal gerou danos estimados em cerca de 500 milhões de euros na agricultura e 20 milhões de euros só nas empresas de alimentos para animais.
O comboio de tempestades em Portugal gerou danos estimados em cerca de 500 milhões de euros na agricultura e 20 milhões de euros só nas empresas de alimentos para animais.

O setor da alimentação animal tem um impacto direto em cerca de 46.000 explorações especializadas e 35.000 mistas (atividade agrícola e pecuária).

O setor gera, anualmente, um volume de negócios de 2,3 mil milhões de euros, o que representa 12,5% do volume de negócios da agroindústria.

As empresas de produção de alimentos compostos para animais empregam, atualmente, 3.500 trabalhadores, 4% do volume de emprego do setor agroalimentar.

Vulnerabilidades da indústria

O programa do evento conta com um conjunto diversificado de oradores de referência, incluindo, logo na sessão de abertura, Romão Braz, presidente da IACA, e Susana Pombo, diretora-geral da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

Após a abertura, a agenda do evento conta com Eduardo Diniz, diretor-geral do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) do Ministério da Agricultura, para abordar o contexto geopolítico e as perspetivas financeiras da União Europeia.

Também participam Ana Cláudia Coelho, diretora de sustentabilidade da PwC, para uma intervenção sobre sustentabilidade enquanto eixo estratégico de valor; Lola Herrera, diretora regional da USSEC, que apresentará as tendências do mercado da soja e de outras matérias-primas; José Manuel Costa, da DGAV, com uma análise às obrigações decorrentes do Regulamento EUDR, e Pedro Cordero, presidente da Federação dos Fabricantes Europeus de Alimentos para Animais (FEFAC), que reflete sobre os principais desafios e vulnerabilidades da indústria da alimentação animal.

Romão Braz e Pedro Cordero juntam-se, ainda, a Miguel Costa, presidente da Associação Nacional de Armazenistas, Comerciantes e Importadores de Cereais e Oleaginosas (ACICO) e a Helena Sanches, diretora-geral de Economia, numa mesa-redonda que promove o debate estratégico sobre o futuro do setor e sobre os impactos na cadeia de abastecimento.

A Associação Portuguesa dos Industriais dos Alimentos Compostos para Animais (IACA) integra 55 associados - empresas de alimentos compostos para animais, pré-misturas e aditivos.
A Associação Portuguesa dos Industriais dos Alimentos Compostos para Animais (IACA) integra 55 associados - empresas de alimentos compostos para animais, pré-misturas e aditivos.

Dirigida a todos os operadores da cadeia da alimentação animal e pecuária, a Reunião Geral da Indústria de 2026 quer afirmar-se como “um espaço privilegiado de reflexão, partilha de conhecimento e networking, contribuindo para antecipar desafios e identificar oportunidades num setor cada vez mais exposto a dinâmicas globais complexas”.

Romão Braz, presidente da IACA, não tem dúvidas de que “o setor agroalimentar, em geral, e as empresas de alimentação animal, em particular, são resilientes. No contexto atual, a reunião dos agentes deste setor é um momento fulcral para percebermos como vamos ultrapassar as tensões que lhe estão associadas”.
Em paralelo, as empresas de alimentação animal terão sempre em mente que “o objetivo, além de ultrapassar os desafios do atual contexto, é prosperar”. E, para Romão Braz, “prosperar significa produzir melhor, com menos custos e mais qualidade”, significando ainda “acesso dos portugueses a alimentação de qualidade ao menor custo possível.”

Por sua vez, Jaime Piçarra, secretário-geral da IACA, deixa um sublinhado: “Talvez estejamos perante uma das mais relevantes reuniões gerais da Indústria. Os desafios são inúmeros e os caminhos para os ultrapassar ainda não são claros”.

E tudo isto “numa altura em que iniciamos a discussão do futuro da pecuária na União Europeia e estamos fortemente preocupados com os temas da segurança alimentar e da autonomia estratégica”, explica Jaime Piçarra.

2,3 mil milhões de euros de negócios

A Associação Portuguesa dos Industriais dos Alimentos Compostos para Animais (IACA) integra 55 associados - empresas de alimentos compostos para animais, pré-misturas e aditivos –, representando 80% da produção nacional de alimentos compostos para animais e a totalidade das pré-misturas de produção nacional.

Os principais destinos da produção desta indústria são a alimentação para animais de estimação e para as explorações pecuárias. Para estas últimas, que representam 4.000 milhões de euros e 33% da economia agrícola nacional, a alimentação animal constitui o principal fator de produção.

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