Ilha Madre de Dios: um paraíso geológico único na Patagónia chilena

Este canto remoto da região de Magallanes, moldado por forças extremas da natureza, é um laboratório vivo para a ciência e um refúgio de biodiversidade único no mundo.

Esta ilha cheia de grutas e cavernas foi visitada na antiguidade pelo povo Kawésqar e é atualmente considerada um verdadeiro “laboratório” natural. Crédito da imagem: Ministério do Património Nacional.
Esta ilha cheia de grutas e cavernas foi visitada na antiguidade pelo povo Kawésqar e é atualmente considerada um verdadeiro “laboratório” natural. Crédito da imagem: Ministério do Património Nacional.

No extremo sul do Chile, onde os ventos sopram com tal força que pode parecer que o mundo acaba ali, encontra-se o Arquipélago de Madre de Dios. Um grupo de 54 ilhas, dominadas pelos colossais Madre de Dios e Duque de York, formam um cenário natural de beleza selvagem e agreste.

Este arquipélago, declarado Património Nacional Protegido, é um verdadeiro tesouro geológico e biológico, um lugar onde a natureza esculpiu paisagens de uma beleza sobrenatural.

Um labirinto de mármore esculpido pela natureza

A ilha Madre de Dios é famosa pelas suas formações de mármore, resultado de um fenómeno chamado carstificação.

Este processo ocorre quando a água da chuva, ligeiramente ácida, dissolve lentamente as rochas carbonatadas, dando forma a paisagens únicas com falésias, fendas e cavernas subterrâneas.

Este arquipélago alberga as formações carbonatadas mais meridionais do planeta, consideradas de uma pureza tão elevada que podem ser classificadas como mármore. As chuvas torrenciais e o vento transformaram este território numa obra de arte natural.

Nesta ilha, as rajadas de vento atingem os 200 quilómetros por hora e a precipitação quase constante é de 8 a 10 milímetros por ano, com uma temperatura média de apenas 5°C. Crédito da imagem: Ministério do Património Nacional.
Nesta ilha, as rajadas de vento atingem os 200 quilómetros por hora e a precipitação quase constante é de 8 a 10 milímetros por ano, com uma temperatura média de apenas 5°C. Crédito da imagem: Ministério do Património Nacional.

Por exemplo, as cavernas que se estendem sob a superfície são um paraíso para os espeleólogos, que exploram essas profundezas para compreender a história geológica da região.

Estas grutas não são apenas visualmente deslumbrantes, mas também fornecem informações cruciais sobre o clima e a evolução do planeta.

Segundo os cientistas, o estudo destes sistemas cársicos pode revelar conhecimentos sobre a forma como a Terra reagiu às alterações ambientais ao longo de milhões de anos.

Refúgio de vida

Apesar das condições inóspitas, a Ilha Madre de Dios abriga uma biodiversidade única.

As suas florestas costeiras sempre verdes albergam espécies como a Hebe elliptica, uma planta endémica adaptada ao solo pobre e ao clima extremo. Nas suas costas, o chungungo, também conhecido como lontra-marinha, encontra refúgio e alimento.

A ilha é também um refúgio para as aves marinhas, que aproveitam o seu isolamento para nidificar longe dos predadores.

Este ecossistema delicado, mas frágil, demonstra como a vida encontra formas de prosperar mesmo nos ambientes mais adversos.

Neste contexto, a atividade humana tem sido limitada. Os Kawésqar, povo indígena nómada dos canais patagónicos, percorreram estas costas durante mais de 6.000 anos, deixando vestígios culturais que enriquecem o valor patrimonial da ilha.

A ciência como visitante

O acesso à Ilha Madre de Dios é tão complicado como o seu clima: só se chega por mar, após dias de navegação desde Puerto Montt ou Puerto Natales.

Este isolamento fez dela um tesouro para a ciência, onde os investigadores encontram um ambiente imaculado para estudar fenómenos naturais que não são observados noutros locais do planeta.

Os poucos visitantes que aqui chegam ficam maravilhados com a beleza selvagem das suas paisagens e com a sensação de isolamento vivida neste canto remoto do planeta. Crédito da imagem: Ministério do Património Nacional.
Os poucos visitantes que aqui chegam ficam maravilhados com a beleza selvagem das suas paisagens e com a sensação de isolamento vivida neste canto remoto do planeta. Crédito da imagem: Ministério do Património Nacional.

As expedições científicas têm salientado que este arquipélago é um “laboratório vivo”. Processos como as alterações climáticas, a evolução dos ecossistemas e a formação de paisagens extremas podem ser estudados aqui.

Num mundo onde a intervenção humana chega cada vez mais longe, Madre de Dios continua a ser um santuário de natureza selvagem.

Os seus ventos, chuvas e paisagens não só desafiam aqueles que se aventuram a explorá-lo, como também inspiram aqueles que procuram compreender e proteger o planeta.

Referência da notícia

- Ministerio de Bienes Nacionales. Archipielago Madre de Díos. Publicado na secção “Patrimonio Natural” do Ministerio de Bienes Nacionales.