Horário de inverno 2026: saiba a data em que Portugal atrasará os relógios uma hora

Nesta data do mês de outubro vai ser possível obter mais 60 minutos de descanso na cama no Continente e Regiões Autónomas, dando-se início ao horário de inverno.

Temos pouco mais de um mês com horário de verão. Saiba quando terá de ajustar o relógio para a hora de inverno.
Temos pouco mais de um mês com horário de verão. Saiba quando terá de ajustar o relógio para a hora de inverno.

Adeus, verão. Na madrugada de hoje - quarta-feira, 23 de setembro - teve início oficialmente a estação do outono astronómico a partir do momento do equinócio quando o relógio batia as 01:04 em Portugal continental e Madeira, menos 1 hora nos Açores.

Porém, aquilo que nos remete para o tema central desta notícia é a mudança de horário de inverno que terá lugar já no último domingo do próximo mês de outubro. Assim, na madrugada de domingo, 25 de outubro de 2026, Portugal irá regressar ao horário de inverno, recuperando simbolicamente uma hora de sono.

Uma hora a mais e uma noite que se prolonga

Em Portugal continental e no arquipélago da Madeira, quando forem 2:00 da manhã, os relógios devem ser atrasados para a 01:00. Nos Açores a mudança ocorrerá à 01:00, passando a ser meia-noite. Como acontece habitualmente, o ajuste terá lugar no último domingo de outubro, sendo que a passagem para o horário de verão ocorrerá no último domingo de março de 2027.

A APS explica que a adoção permanente do horário de inverno apresenta mais vantagens, tais como mais luz natural ao início da manhã, com efeitos benéficos para o ritmo de sono-vigília, maior alinhamento com o ciclo natural luz-escuro (maior facilidade em adormecer e acordar, atenuação do jetlag social), entre outras.
A APS explica que a adoção permanente do horário de inverno apresenta mais vantagens, tais como mais luz natural ao início da manhã, com efeitos benéficos para o ritmo de sono-vigília, maior alinhamento com o ciclo natural luz-escuro (maior facilidade em adormecer e acordar, atenuação do jetlag social), entre outras.

A alternância entre os dois horários mantém-se apesar das discussões na União Europeia sobre a possibilidade de a eliminar. Como não há consenso entre os Estados-membros quanto a uma decisão unânime, houve até agora um impedimento de pôr fim à mudança sazonal da hora.

Porque é que começámos a mexer nos ponteiros do relógio?

A ideia é mais antiga do que se poderia pensar. Em 1784, Benjamin Franklin sugeriu, numa carta satírica publicada no Journal de Paris, que os parisienses poderiam aproveitar melhor a luz solar e poupar velas se acordassem mais cedo.

A adoção oficial da mudança horária surgiria, contudo, mais de um século depois. Durante a Primeira Guerra Mundial, países como a Alemanha e o Reino Unido implementaram-na com o objetivo de reduzir o consumo de carvão. Portugal seguiu-lhes as pisadas, adotando a medida em 1916.

Recortado e retocado a partir de uma fotografia da edição original da revista (C 8,5“ × A 7” × L 0,25"). A fotografia foi tirada para a exposição "Images of Benjamin Franklin: As Seen By Himself and Others" na Galeria Mamdouha S. Bobst, Biblioteca Bobst, Universidade de Nova Iorque, 2006. A revista constituía a peça B-43 na galeria. De acordo com o comunicado do evento, a revista fazia parte da coleção de Stuart Karu. Domínio Público - Wikimedia Commons.
Recortado e retocado a partir de uma fotografia da edição original da revista (C 8,5“ × A 7” × L 0,25"). A fotografia foi tirada para a exposição "Images of Benjamin Franklin: As Seen By Himself and Others" na Galeria Mamdouha S. Bobst, Biblioteca Bobst, Universidade de Nova Iorque, 2006. A revista constituía a peça B-43 na galeria. De acordo com o comunicado do evento, a revista fazia parte da coleção de Stuart Karu. Domínio Público - Wikimedia Commons.

Décadas mais tarde, quando estalava a crise petrolífera de 1973, a eficiência energética voltava a ser colocada no centro das atenções. A ideia era simples e passava por alinhar melhor o horário das atividades humanas com a luz natural e, deste modo, diminuir a necessidade de recorrer à iluminação artificial.

Mais luz, menos sono? O impacto no nosso organismo

A questão não se resume somente à eletricidade. A mudança da hora interfere diretamente com o ritmo circadiano, sistema biológico que organiza ciclos como o sono e a vigília em resposta, entre outros fatores, à alternância entre luz e escuridão.

Em 2021 a Associação Portuguesa do Sono (APS) defendia que a eliminação da mudança sazonal da hora e a manutenção permanente do horário de inverno seriam potencialmente benéficas para a saúde. De acordo com esta associação, a passagem para o horário de verão está associada, a curto prazo, à redução do tempo de sono, pior desempenho profissional e escolar e maior frequência de determinados acidentes cardiovasculares, cerebrovasculares e rodoviários.

Ainda segundo a APS, o horário de inverno permanente é favorável a uma maior exposição à luz natural durante a manhã e um melhor alinhamento entre o relógio biológico e o ciclo natural de luz e escuridão.

Entre os possíveis efeitos apontados estão melhorias em aspetos como a maior facilidade em adormecer e acordar, a atenuação do jetlag social, a melhoria do desempenho profissional e escolar, melhoria da saúde mental, redução do risco de doença física (cancro, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, doenças neurodegenerativas, problemas de disposição); redução do risco de lesões e vontade) e ainda uma repercussão positiva para a economia.