Gases fluorados: Universidade de Coimbra coordena projeto de 2,9 milhões de euros para acelerar eliminação de poluentes

Os gases fluorados são substâncias químicas sintéticas, amplamente utilizadas em sistemas de refrigeração e climatização, como ar condicionado e bombas de calor. No entanto, o seu potencial de aquecimento global e destruição na camada de ozono é muito superior ao do dióxido de carbono.

Os gases fluorados são substâncias químicas sintéticas, amplamente utilizadas em aplicações industriais, comerciais e domésticas, sobretudo em sistemas de refrigeração e climatização.
Os gases fluorados são substâncias químicas sintéticas, amplamente utilizadas em aplicações industriais, comerciais e domésticas, sobretudo em sistemas de refrigeração e climatização.

O Protocolo de Quioto, adotado em 11 de dezembro de 1997, foi o primeiro tratado jurídico internacional que determinou o avanço para a limitação das emissões de gases com efeito de estufa, exigindo aos países desenvolvidos que reduzissem coletivamente as suas emissões em pelo menos 5%.

E os gases fluorados (F-gases) com efeito de estufa estavam entre aqueles cuja eliminação era mais premente, através de restrições e do controlo da sua colocação no mercado e da destruição de produtos e equipamentos que contêm esses gases.

Se é certo que estas substâncias químicas sintéticas, que são amplamente utilizadas em aplicações industriais, comerciais e domésticas, sobretudo em sistemas de refrigeração e climatização - ar condicionado e bombas de calor, espumas isolantes, equipamentos de combate a incêndios e dispositivos médicos -, elas também criaram novos desafios climáticos.

Porque este é um dos principais desafios ambientais associados à transição energética e à descarbonização, ao longo dos anos foram surgindo regras e regulamentos internacionais e europeus para limitar o seu uso e promover alternativas mais sustentáveis.

Em Portugal, a comunicação de dados sobre gases fluorados com efeito de estufa é feita junto da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), de modo a assegurar uma estimativa precisa das respetivas emissões nos inventários nacionais.
Em Portugal, a comunicação de dados sobre gases fluorados com efeito de estufa é feita junto da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), de modo a assegurar uma estimativa precisa das respetivas emissões nos inventários nacionais.

Em Portugal, a comunicação de dados sobre gases fluorados com efeito de estufa é feita junto da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), de modo a assegurar uma estimativa precisa das respetivas emissões nos inventários nacionais.

2,9 milhões do programa Horizon Europe

A comunicação do Formulário de Gases Fluorados relativo ao ano de 2025 decorreu entre o dia 1 de janeiro de 2026 e 31 de março de 2026.

Ciente do desafio que está colocado aos países, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) meteu mãos à obra e comunicou esta semana que vai liderar um novo projeto europeu com vista a apoiar a eliminação progressiva dos gases fluorados. O projeto de investigação foi batizado com o nome "GWPathFinder" e é coordenado por Luís Pedro Viegas, investigador do Centro de Química de Coimbra do Departamento de Química da FCTUC. Conta com um financiamento de 2,9 milhões de euros, através do programa europeu Horizon Europe.

Este consórcio internacional liderado pela FCTUC irá desenvolver uma plataforma digital considerada “inovadora, interativa e de acesso livre”, destinada a apoiar decisores políticos, indústria e comunidade científica na avaliação e seleção de alternativas mais sustentáveis.

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai liderar um novo projeto europeu com vista a apoiar a eliminação progressiva dos gases fluorados.
A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai liderar um novo projeto europeu com vista a apoiar a eliminação progressiva dos gases fluorados.

A ferramenta vai funcionar como uma verdadeira “bússola” ecológica global, recorrendo a modelos científicos avançados para prever o impacto ambiental de novos gases fluorados e simular diferentes cenários de descarbonização em tempo real.

Potencial de aquecimento muito elevado

O objetivo, diz a FCTUC em comunicado, é “disponibilizar informação robusta, comparável e baseada em evidência científica”, de maneira a permitir acelerar a adoção de soluções de menor impacto climático.

Luís Pedro Viegas, o investigador do Centro de Química de Coimbra do Departamento de Química da FCTUC, explica que este projeto pretende “fornecer os dados e as metodologias necessárias para apoiar decisões informadas” e com isso contribuir para “uma transição sustentável dos setores que dependem de tecnologias de refrigeração e climatização”.

A FCTUC refere ainda que o projeto "GWPathFinder" está alinhado com os objetivos da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal.

Trata-se de um acordo internacional que estabelece a redução gradual da utilização de hidrofluorocarbonetos (HFC), que é, neste momento, um dos principais grupos de gases fluorados responsáveis pelo aquecimento global.

De acordo com a associação ambientalista Zero, os F-gases – em especial os hidrofluorocarbonetos (HFC), os perfluorocarbonetos (PFC) e o hexafluoreto de enxofre (SF6) – têm um “potencial de aquecimento global muito elevado”.

Ou seja, mesmo em pequenas quantidades, os F-gases “retêm muito mais calor na atmosfera do que o dióxido de carbono (CO2)”, com isso “contribuindo significativamente para as alterações climáticas”.

A associação Zero dá um exemplo: “o SF6 tem um potencial de aquecimento global de 24.300, ou seja, um efeito de estufa 24 mil vezes mais potente que o CO2”.