Exportações de cortiça atingiram 148 mil toneladas e valeram 1 100 milhões de euros em 2025. EUA mantêm a "incerteza"
No ano passado, a produção de cortiça em Portugal ficou-se pelas 3,5 milhões de arrobas, a que se somaram dois milhões de arrobas em Espanha, levando a que a produção ibérica tivesse caído cerca de 15% face a 2024. Apesar disso, as exportações portuguesas do setor subiram 1,7%.

A conjuntura do mercado da cortiça em Portugal em 2025 levou a que, nesse ano, uma quantidade relevante de cortiças tivessem a extração adiada para 2026, o que gerou uma quebra na produção alcançada.
A produção andou na ordem de 3,5 milhões de arrobas em Portugal e 2,0 milhões de arrobas em Espanha, totalizando 5,5 milhões de arrobas (82.500 toneladas), o que significa menos 15% face à campanha de 2024.
Apesar disso, e segundo a Associação Interprofissional da Fileira da Cortiça (Filkork), a campanha de 2025 “permitiu assegurar os níveis de stocks na indústria para uma normal atividade” do ano industrial.
Por segmento, as rolhas representam mais de 70% do valor do mercado dos produtos de cortiça exportados por Portugal, com as respetivas vendas a aumentarem 3% em quantidade entre 2024 e 2025, embora com uma quebra de 2,5% em valor.

O preço médio da globalidade das rolhas baixou 5% no último ano, embora mantenha um crescimento acumulado de 13,5% desde 2021, de acordo com os dados do setor.
“Quebras relevantes” nas rolhas naturais
Na verdade, entre 2024 e 2025, as rolhas aglomeradas “cresceram de forma razoável em quantidade (+6%) e em valor (+7%)”, enquanto as rolhas de espumante registaram “aumentos moderados, quer em quantidade (+5%) quer em valor (+2%)”.
Já no que respeita às rolhas naturais, estas apresentaram “quebras relevantes”, tanto em quantidade (-11%) como em valor (-11%).
De acordo com os números do INE citados pela UNAC - União da Floresta Mediterrânica, no período 2021-2025, todas as categorias de rolhas mostram “aumentos expressivos no preço médio”.
EUA: um mercado de incerteza
Na rolha natural, esse aumento foi de 30%, “evidenciando que a substituição por rolha técnica está a ocorrer nos segmentos de mais baixa gama”.
No mesmo período, França registou o maior aumento do preço médio (+28%), ao passo que o Chile apresentou a maior quebra (-14%).

Em 2025, de acordo com a UNAC, os EUA foram o mercado com maior volatilidade e incerteza, apesar de o setor português da cortiça até ter beneficiado do regime especial que isentou alguns produtos das tarifas máximas de 15% - Portugal é o maior exportador mundial deste produto.
Nos EUA, de 2024 para 2025, verificou-se uma “descida do preço médio (-10%), resultado de uma quebra, quer de valor (-13%), quer de volume (-3%)”, o que foi considerado “um comportamento atípico, especialmente após o mês de agosto”
Em França, o valor total do mercado cresceu 6% desde 2021, com o preço médio da rolha natural a apresentar uma tendência de evolução muito positiva desde essa data (+48%).
Em suma, os números do setor mostram que o ano de 2025 “confirma o reforço dos mercados europeus, a perda relativa dos EUA e uma tendência de estabilização da valorização dos produtos de cortiça” a que se assiste desde 2021.
De acordo com a UNAC, ”a forte depressão do preço de aquisição da matéria-prima que, nos últimos dois anos, baixou 28%, tem contribuído para assegurar maior viabilidade da indústria”.
No entanto, esta associação deixa o alerta: este cenário “não pode continuar a colocar em perigo a rentabilidade da produção primária”.