Eventos meteorológicos extremos de 2025 relacionados com as alterações climáticas

De acordo com os cientistas do World Weather Attribution, as alterações climáticas, agravadas pelo comportamento humano, fizeram de 2025 um dos três anos mais quentes já registados.

2025 foi o terceiro ano mais quente no mundo e na Europa.
2025 foi o terceiro ano mais quente no mundo e na Europa.

Diferentes estudos científicos têm demonstrado que o aquecimento do globo tem contribuído para uma intensificação e aumento da frequência dos eventos climáticos extremos., que matam milhares de pessoas e causam prejuízos de bilhões de dólares anualmente, e o ano 2025 não foi exceção.

As alterações climáticas são culpadas de todos os eventos climáticos severos?

A resposta a esta pergunta é não, mas as alterações climáticas são responsáveis pelos eventos climáticos mais severos, com maior intensidade.

Durante décadas, os cientistas responderam a essa pergunta em termos gerais, que, à medida que o planeta aquece, pode esperar-se que muitos desses eventos climáticos se tornem mais frequentes e extremos.

Mas, nos últimos anos, os avanços na ciência da atribuição permitiram aos investigadores responder à pergunta com muito mais detalhe.

Foi criado assim o World Weather (WWA), que trabalha com cientistas de todo o mundo e quantifica como as alterações climáticas influenciaram a intensidade e a probabilidade do evento meteorológico extremo ter ocorrido, utilizando observações meteorológicas e modelos climáticos.

Além disso os estudos da WWA também avaliam como a vulnerabilidade existente agravou os impactos do evento extremo.

Alguns dos eventos extremos ocorridos em 2025 relacionados com as alterações climáticas

De acordo com a WWA, o ano de 2025 foi um ano mau em termos de condições meteorológicas extremas.

As emissões de combustíveis fósseis continuam a aumentar, elevando as temperaturas globais e alimentando condições climáticas extremas cada vez mais destrutivas em todos os continentes.

Num relatório recente, os cientistas do WWA analisaram alguns dos piores eventos climáticos extremos de 2025, agravados pelas alterações climáticas.

Foram identificados 157 eventos climáticos extremos como os mais graves em 2025, o que significa que atenderam a critérios como causar mais de 100 mortes, afetar mais da metade da população de uma área ou levar à declaração de estado de emergência. Desses 157 foram analisados detalhadamente 22.

As ondas de calor foram os desastres mais mortais de 2025; registou-se calor recorde em mais de 70 países.

Os cientistas afirmaram que algumas das ondas de calor estudadas em 2025 eram 10 vezes mais prováveis do que teriam sido há uma década devido às alterações climáticas.

As ondas de calor analisadas teriam sido quase impossíveis de ocorrer sem as alterações climáticas induzidas pelo homem.

Em 2025, após um mês de junho relativamente fresco, Noruega, Suécia e Finlândia foram atingidos por uma intensa onda de calor que durou cerca de duas semanas a partir de meados de julho, com temperaturas máximas repetidamente superiores a 30 °C, provocando a morte de dezenas de pessoas.

Nas ondas de calor é importante beber água para prevenir a desidratação
Nas ondas de calor é importante beber água para prevenir a desidratação

O tempo quente também secou o solo e a vegetação, criando condições favoráveis para incêndios florestais. Como resultado, ocorreram numerosos incêndios florestais em toda a região, incluindo na Lapónia.

Em março de 2025, a Ásia Central sofreu uma onda de calor extremamente intensa, com temperaturas batendo recordes em toda a região, com máximas superiores a 30 °C, mesmo a 1000 m de altitude e com fortes impactos na população.

Em meados de fevereiro um calor extremo começou a afetar uma grande região da África Oriental continental. Temperaturas diurnas extremas foram registadas no Sudão do Sul, afetando particularmente as pessoas que vivem em habitações precárias, as crianças e os trabalhadores ao ar livre, que é uma grande parte da população.

Em Juba, um terço da população não tem acesso a água e apenas 1% da cidade oferece espaços verdes e sombra para as pessoas que não têm acesso a refrigeração em casa.

As ondas de calor são o tipo mais mortal de evento climático extremo, mas o número de mortes é frequentemente subestimado e só é conhecido meses após o evento.

Em 2025, o aumento das chuvas intensas e das inundações extremas num clima em aquecimento ameaçaram algumas regiões do globo. Este foi o caso das regiões densamente povoadas do Sri Lanka e no Estreito de Malaca.

Em novembro, a ciclone tropical Ditwah atingiu o Sri Lanka com ventos fortes e chuvas muito intensas, causando as piores inundações e deslizamentos de terra desde o início dos anos 2000, sendo assim o desastre climático mais mortal desde o tsunami de 2004.

Esta tempestade causou mais de 600 mortes e impactos desastrosos afetando 2,1 milhões de pessoas.

Durante uma tempestade, o deslizamento de terras é responsável pelo desaparecimento e morte de muitas pessoas
Durante uma tempestade, o deslizamento de terras é responsável pelo desaparecimento e morte de muitas pessoas

Também em novembro, a Indonésia, a Malásia e o sul da Tailândia enfrentavam chuvas fortes e persistentes, intensificadas pelo ciclone tropical Senyar, que causou impactos devastadores.

Em outubro, o furacão Melissa atingiu a costa sul da Jamaica como uma tempestade de categoria 5 na escala Saffir-Simpson, trazendo ventos extremos, chuvas torrenciais e ondas de tempestade com risco de vida para as áreas costeiras. No seu trajeto em direção a Cuba, Melissa enfraqueceu, mas causou também fortes impactos em Cuba.

De acordo com os estudos do WWA, as alterações climáticas aumentaram a intensidade dos ciclones tropicais mencionados.

Na região leste do México, em outubro, chuvas muito fortes causaram inundações generalizadas, com transbordo de rios e numerosos deslizamentos de terra, que afetaram desproporcionalmente as comunidades indígenas e socialmente vulneráveis altamente expostas.

Cerca de 50 000 casas foram danificadas e milhares de escolas, hospitais e empresas ficaram gravemente danificados ou destruídos, além de cerca de uma centena de mortes.

No Brasil, 2025 também foi marcado por eventos climáticos extremos que afetaram cidades de norte a sul. Chuvas intensas, ondas de calor, granizo e tornados provocaram mortes, desalojamentos e prejuízos generalizados.