Depressão Kristin faz dois mortos e deixa rasto de destruição em todo o país

A tempestade provocou queda de árvores e de grandes estruturas e ainda inundações em vários municípios portugueses, sobretudo a Região Centro. Os trabalhos de limpeza vão ser demorados, adverte a Proteção Civil.

A queda de árvores na região de Lisboa foi a principal consequência da tempestade Kristin. Foto: Luís Ganhão/reprodução Twitter
A queda de árvores na região de Lisboa foi a principal consequência da tempestade Kristin. Foto: Luís Ganhão/reprodução Twitter

A passagem da depressão Kristin durante a madrugada e manhã desta quarta-feira fez estragos significativos em várias zonas de Portugal Continental, mas o pior são as duas mortes que já a lamentar na sequência do mau tempo.

A rajada mais forte de vento oficialmente registada foi de 149km/hora no Cabo Carvoeiro, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Um homem morreu de madrugada, em Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, quando uma árvore tombou sobre a viatura que conduzia. A segunda vítima mortal foi registada em Monte Real, no distrito de Leiria, após a queda de uma estrutura metálica.

Com mais de duas mil ocorrências pelo território continental, que ainda estão a mobilizar várias centenas de operacionais, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), adverte que os trabalhos de limpeza vão ser demorados.

Árvores tombadas, quedas de estruturas e inundações afetaram sobretudo a Região Centro, mas a tempestade deixou um rasto de destruição por quase todo o país.

Famílias desalojadas em Coimbra, circulação ferroviária interrompidas durante a manhã nas linhas da Beira Alta e Beira Baixa, Douro e Oeste, estradas nacionais cortadas pela neve, no distrito de Viseu, circulação da A1 interdita no sentido sul-norte, na saída de Fátima ou ainda escolas encerradas por precaução na cidade de Castelo Branco estiveram entre as principais perturbações causadas pela depressão Kristin.

Houve também inundações em Évora com graves prejuízos no comércio e nas habitações por toda a cidade. A população de Leiria foi aconselhada pela proteção civil a não sair de casa durante a manhã.

Os danos materiais e os prejuízos provocados pela intempérie foram igualmente bastante elevados no concelho de Santarém, com praticamente todas as freguesias do município afetadas, principalmente por quedas de árvores que danificaram dezenas de viaturas e postos de eletricidade.

Rajadas de ventos de cerca de 200km/h, segundo a REN (Redes Energéticas Nacionais), deixaram ainda quase 700 mil clientes sem energia elétrica, especialmente nos municípios da Guarda, Coimbra, Setúbal, Castelo Branco, Portalegre, Santarém e Leiria.

As violentas rajadas de vento, durante a manhã e madrugada fizeram ainda avultados estragos com a queda de estruturas urbanas de grandes dimensões.

Na marginal da Figueira da Foz, um carrossel e uma roda gigante com mais de 30 metros de altura, desabaram, mas não provocaram feridos. O Estádio de Leiria e Aeródromo de Coimbra ficaram parcialmente destruídos e houve ainda uma casa em Alcobaça totalmente danificada após a queda de uma árvore de grande porte.

Tempestade a caminho de Espanha

Depois de uma manhã e madrugada bastante conturbadas, o pior já passou, segundo a Proteção Civil. Ainda poderemos assistir a episódios de rajadas de vento forte, sobretudo entre a Figueira da Foz e Sines, onde se registou o centro desta depressão.

Mas a tempestade Kristin já está a deixar o território continental, esperando-se, por isso, um desagravamento gradual das condições adversas do tempo. A depressão está a seguir agora para Espanha, onde já se registam precipitações intensas, sobretudo na região de Sevilha, mas com impacto menos intenso do que o registado em Portugal.