Como vai funcionar a nova travessia e ligação do TGV no Grande Porto
A futura linha ferroviária de alta velocidade reduzirá a viagem entre Porto e Lisboa para apenas 1h15. A conclusão integral do projeto está prevista para 2032.

O projeto de linha ferroviária de alta velocidade à entrada do Porto avança com soluções que recuperam o desenho inicialmente previsto para a travessia do Douro e para a integração da infraestrutura no tecido urbano de Vila Nova de Gaia e do Porto.
O novo projeto de execução, agora colocado em consulta pública (até dia 29 deste mês de junho), confirma a construção de uma única ponte rodoferroviária sobre o rio Douro, a localização da estação de Gaia em Santo Ovídio e uma passagem superior totalmente abrigada na estação de Campanhã.
Projeto regressa à solução original após rejeição das alterações ambientais
Estas opções representam um regresso ao modelo apresentado em 2022 e resultam da rejeição, pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), de alterações propostas pelo consórcio responsável pela obra.
Em 2025, o consórcio tinha sugerido duas pontes separadas para atravessar o Douro, uma estação localizada em Vilar do Paraíso e uma passagem superior parcialmente exposta às condições meteorológicas. A APA considerou que estas soluções não respeitavam a Declaração de Impacte Ambiental aprovada em 2023, obrigando à reformulação do projeto.

A futura estação de Santo Ovídio constituirá um dos principais nós de mobilidade da região do Grande Porto. As plataformas ficarão a cerca de 60 metros de profundidade e foram concebidas para permitir a evacuação de 500 passageiros em menos de cinco minutos. Terá ainda uma ligação direta às linhas Amarela e Rubi do Metro do Porto, estacionamento subterrâneo com capacidade para 475 veículos distribuídos por seis pisos e áreas de estacionamento para bicicletas.
Nova ponte, túneis e viagens Porto-Lisboa em apenas 1h15
A travessia do Douro será garantida por uma ponte rodoferroviária que funcionará simultaneamente para o transporte ferroviário de alta velocidade e para o tráfego rodoviário. Esta solução já tinha sido consensualizada anteriormente pelos municípios de Porto e Vila Nova de Gaia, pela mão dos antigos Presidentes de Câmara do Porto (Rui Moreira) e de Gaia (Eduardo Vítor Rodrigues), tendo mesmo levado ao abandono de um anterior projeto de ponte exclusivamente rodoviária.
O traçado privilegia a integração subterrânea em Vila Nova de Gaia, reduzindo o impacto à superfície. Para tal, serão construídos vários túneis, tais como o túnel de Vila Nova de Gaia (3,4 km de extensão), além dos túneis de Negrelos, Casaldeita, sob a autoestrada A41 e o de Cassufas (este último mais a sul entre Espinho e Santa Maria da Feira). Adicionalmente, estão previstas mais algumas obras, tais como as pontes sobre as ribeiras de Senhora de Lamas e de Silvalde e os viadutos sobre a A29 e a Pedreira das Lajes.
Embora o projeto permita preservar mais habitações em Vila Nova de Gaia do que a proposta alternativa anteriormente apresentada, continuará a afetar algumas empresas situadas na Zona Industrial de São Caetano, bem como algumas casas e estabelecimentos comerciais na zona de Santo Ovídio.
As obras do primeiro troço, entre Porto e Oiã, têm início previsto ainda para este ano e deverão ficar concluídas em 2030. Quando toda a linha Porto-Lisboa estiver operacional em 2032, a viagem entre as duas cidades passará a ter uma duração de somente 1 hora e 15 minutos, com paragens intermédias possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria. Também em 2032 se espera a conclusão da ligação Porto-Vigo, com estações no Aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença.
Referência da notícia
Lusa. Confirmada uma ponte, estação em S. Ovídio e passagem abrigada em Porto-Campanhã para TGV.