Coldplay não farão mais tours até saberem como ser neutros em carbono

A banda inglesa vai evitar fazer novos tours enquanto procura estratégias para que as suas práticas sejam amigas do ambiente. Saiba mais aqui!

Enzo Campetella Enzo Campetella Alfredo Graça 29 Nov. 2019 - 22:45 UTC
Coldplay
Coldplay toma a decisão de afastar-se dos tours até descobrirem uma estratégia amiga do ambiente.

O famoso vocalista da banda Coldplay, e a sua cara mais conhecida, Chris Martin, afirmou à BBC, há cerca de uma semana atrás, que a banda se vai manter um ou dois anos à margem dos tours até que eles consigam descobrir alguma forma para que estes resultem ambientalmente sustentáveis, com um balanço de carbono neutro.

Global Citizen, uma ONG dedicada a trabalhar para erradicar a pobreza, e da qual Martin é um dos seus mais reconhecidos curadores, informou que a banda pensa em atuar apenas nos lugares onde se eliminem os plásticos de uso único enquanto investiga formas de alimentar os seus espetáculos com energia solar.

Um dia antes de lançar o seu novo disco Everyday Life (para alguns críticos o melhor que os Coldplay produziram), anunciaram que não pensam em fazer um tour como estava inicialmente previsto para que iniciem assim, uma pesquisa que os leve a obter estratégias para que no futuro estas resultem num balanço de emissões de dióxido de carbono neutro.

Minimizar vôos será a primeira medida

Alguns pensaram logo que uma estratégia seria fazer concertos no mesmo lugar e que sejam os fãs quem tem de se deslocar. Mas não, essa ideia acabaria por ser mais contaminante que realizar tours por diferentes lugares do mundo. Por isso, a ideia é a mais concreta lançada até agora: esperar alguns anos até poder resolver essa necessidade e ajudar realmente o meio ambiente. De momento o normal é ver atores ou músicos a militar pelo meio ambiente, mas ninguém parece querer mudar os seus hábitos à custa de ganhar menos dinheiro.

Na sua nota com a BBC Martin fez especial enfoque à pegada de carbono que deixam os vôos de avião, e uma das maiores fontes de emissão de CO2 das pessoas em média, o que aumenta exponencialmente no caso de passageiros frequentes. Um vôo de ida e volta de Nova Iorque a Los Angeles liberta emissões de gases de efeito de estufa suficientes para derreter quase 3 metros quadrados de gelo na Antártida.

Uma estratégia poderá passar também por, em princípio limitar tours a um só continente à vez e espaçar os espetáculos para que não seja necessários voar e utilizar outras formas de transporte. Outros dos objetivos a cumprir são aproveitar os resíduos que os concertos geram para que tenham um impacto positivo.

Outras bandas já ativaram estratégias

Chris Martin e a banda têm um sonho: poder dar um concerto onde não se consuma nada de plástico e que a energia utilizada seja totalmente energia solar. Esta decisão implica que os Coldplay deixem de ganhar vários milhões de dólares numa indústria onde os ganhos mais expressivos estão nos concertos ao vivo, acima da venda de discos físicos.

Coldplay
O afastamento dos Coldplay dos tours poderá ser durante um ou dois anos.

Para exemplo, o seu anterior tour “A Head Full of Dream Tour” fez-lhes ganhar mais de 500 milhões de dólares, o que a posicionou no quinto lugar mais rentável de toda a história. Outras bandas como Pearl Jam compensam as emissões de carbono dos seus tours ao investir em esforços de reflorestação. Em dois tours em 2018, a banda compensou 6,000 toneladas de carbono.

Por sua vez U2, que recebeu críticas devido aos seus tours pouco amigos do ambiente, tentam agora compensar as suas emissões de dióxido de carbono e encoraja os seus fãs a partilhar as viagens e a evitar plásticos de uso único. O mundo da música está à procura de alinhar os seus discursos com as suas práticas.

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