Chuva não dá tréguas e coloca Portugal de prevenção até quinta-feira

Municípios de norte a sul estão em modo de alerta. Deslocação de populações, escolas fechadas ou zonas ribeirinhas interditas são algumas medidas tomadas para evitar complicações com as cheias esperadas nas próximas horas.

O rio Sado transbordou e o nível de cheia já ultrapassou 1,20 metros na zona baixa de Alcácer do Sal. Foto: reprodução de Facebook/Município de Alcácer do Sal
O rio Sado transbordou e o nível de cheia já ultrapassou 1,20 metros na zona baixa de Alcácer do Sal. Foto: reprodução de Facebook/Município de Alcácer do Sal

Com o país ainda a recompor-se dos danos provocados pela Kristin, os efeitos da depressão Leonardo já estão a sentir-se desde a noite desta terça-feira.

O mau tempo, até ao início desta tarde, já obrigou a deslocar 251 residentes, a maioria no distrito de Leiria (145), mas também em Santarém (53) e Castelo Branco (53).

Após uma madrugada de chuva intensa, os caudais dos rios, sobretudo, nas regiões Centro e Norte, subiram. As autoridades estão vigilantes, receando que o agravamento do tempo possa trazer mais constrangimentos.

A precipitação das últimas horas fez transbordar os cursos fluviais nas regiões de Leiria, Coimbra, Alentejo Litoral e Porto, deixando a Proteção Civil em alerta.

Mondego exige atenção

O Mondego está a ser monitorizado com drones, recolhendo dados que permitem fazer o acompanhamento em tempo real das condições estruturais do dique sobre o rio.

As Forças Armadas colocaram, entretanto, 42 botes e respetivas equipas em prontidão nas zonas de Coimbra, Tancos e Águeda, que poderão ser mobilizados num cenário de agravamento de cheias.

O rio Mondego está a ser permanentemente vigiado com recurso a drones. Foto: reprodução de Facebook/Município de Coimbra
O rio Mondego está a ser permanentemente vigiado com recurso a drones. Foto: reprodução de Facebook/Município de Coimbra

Num aviso à população publicado na página na rede social Facebook, a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região Metropolitana de Coimbra advertiu que é esperada precipitação forte a partir das 21 horas desta quarta-feira até às 9 horas de quinta-feira. O risco de cheias mantém-se por isso elevado, segundo a CIM, especialmente nas zonas ribeirinhas do Mondego.

Alentejo Litoral em prevenção

No litoral alentejano, a precipitação fez já transbordar a Ribeira da Corona, no concelho de Grândola, distrito de Setúbal, deixando esta manhã a população da aldeia do Lousal isolada.

O nível de cheia na zona baixa de Alcácer do Sal, também no distrito de Setúbal, já ultrapassou 1,20 metros, segundo a Proteção Civil do Alentejo Litoral, prevendo-se que a persistência da chuva e vento possa vir a provocar mais inundações no município.

Como medida de prevenção, a câmara municipal encerrou todas as escolas da cidade e ainda das localidades de Palma e Casebres, estando a articular com o agrupamento escolar a preparação de aulas online, entre hoje e sexta-feira.

A precipitação provocou algumas dezenas ocorrências no distrito de Setúbal, com as quedas de árvores a exigirem maior mobilização de meios. Embora várias estradas estejam intransitáveis, não havia, até ao início desta tarde, aldeias isoladas.

Em Mértola, com o nível da água do rio Guadiana já próximo das zonas habitacionais, a autarquia admite a eventual retirada da população ribeirinha. A monitorização do caudal é constante, estando a Proteção Civil preparada para ativar com o plano de evacuação a qualquer momento.

Vigilância no rio Douro

Mais a norte, é também expectável que o caudal do rio Douro, no Porto, venha a atingir maiores subidas durante o dia de hoje e de amanhã devido à grande quantidade de chuva prevista não só nesta região como igualmente em Espanha.

Retirada de viaturas e condicionamento de acessos foram são algumas das medidas preventivas já adotadas, nomeadamente na zona de Miragaia, onde na noite terça-feira a cota do rio atingiu os 5,20 metros.

Em três dias, as barragens portuguesas descarregaram um volume de água equivalente ao consumo anual de todo o país. Foto: Barragem de Fronhas, em Arganil/reprodução de Facebook/Nuno Martins/Barragens e Albufeiras de Portugal
Em três dias, as barragens portuguesas descarregaram um volume de água equivalente ao consumo anual de todo o país. Foto: Barragem de Fronhas, em Arganil/reprodução de Facebook/Nuno Martins/Barragens e Albufeiras de Portugal

Com as barragens cheias e continuando a descarregar água, a pressão sob os caudais permanece elevada. É de realçar que, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, entre domingo e terça-feira, as albufeiras portuguesas libertaram um volume de água equivalente ao consumo anual de todo o país.

A prevenção e segurança

Os municípios e a Proteção Civil permanecem em alerta máximo, até sábado, com os recursos de emergência mobilizados de norte a sul do país. Todos os distritos de Portugal continental estão até quinta-feira sob aviso amarelo devido à previsão de chuva intensa, vento forte, queda de neve e agitação marítima.

Tendo em conta os avisos emitidos pelo IPMA, a Proteção Civil tem lançado repetidas recomendações à população para manter-se em segurança, não atravessando pontes nem ribeiras e seguindo sempre as orientações das autoridades.

Quem vive ou circula em áreas costeiras ou ribeirinhas não deverá atravessar zonas inundadas, estacionar veículos ou fazer atividades junto a zonas ribeirinhas e marítimas.