Previsão sazonal para fevereiro, março e abril no globo: eis as anomalias da temperatura e precipitação, segundo a OMM
A Organização Meteorológica Mundial, OMM, divulga todos os meses uma previsão sazonal a nível global para os próximos três meses, com a previsão das anomalias da temperatura à superfície e da precipitação.

Esta previsão sazonal baseia-se nas previsões multimodelo, ou seja, são analisados em termos probabilísticos os valores médios mensais da temperatura à superfície e da precipitação no ensemble dos resultados de vários modelos de diferentes instituições meteorológicas.
Previsão probabilística das anomalias das temperaturas no globo para o período de fevereiro a abril de 2026
Os modelos globais utilizados para o cálculo do ensemble são os seguintes: Beijing, CMCC, CPTEC, ECMWF, Exeter, Melbourne, Montreal, Moscow, Offenbach, Pretoria, Seoul, Tokyo, Toulouse e Washington.
A razão fundamental para os bons resultados da abordagem multimodelo, em comparação com os resultados obtidos individualmente por vários modelos, prende-se com o facto de todos os modelos possuírem erros com amplitude suficiente para que não exista uma degradação significativa das previsões quando integrados à escala sazonal.
A temperatura à superfície da água do mar (SST) influencia o clima, as correntes, a circulação oceânica e os padrões meteorológicos, desde a escala local à escala global. Como exemplo disto temos o fenómeno El Niño-Oscilação do Sul (ENSO) que é um fenómeno climático natural, caraterizado por alterações significativas na distribuição da temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico tropical e que causa alterações nos padrões de chuva e temperatura em várias partes do globo.
Nesta previsão sazonal para o período de fevereiro a abril de 2026 (FMA 2026), a previsão do conjunto multimodelo indica que as anomalias da temperatura da superfície do mar, que estão abaixo da média no Pacífico equatorial central e oriental (La Niña), diminuam, indicando uma transição gradual para condições neutras do ENSO.
No Atlântico equatorial, prevê-se que a SST nas latitudes tropicais do norte e do sul se situem ligeiramente acima do normal.
O sul e o extremo nordeste da América do Norte, a América Central, as Caraíbas e o Ártico apresentam elevadas probabilidades de condições acima do normal, corroboradas pela robusta consistência dos modelos. Em contraste, o noroeste da América do Norte não apresenta um sinal consistente na dispersão do conjunto.

No Hemisfério Sul, prevê-se um aumento da probabilidade de temperaturas acima do normal no norte da Nova Zelândia, enquanto uma inclinação mais fraca para condições acima do normal é indicada na América do Sul. A maior parte da Austrália apresenta apenas um sinal moderado de aquecimento, e o sul de África, a sul de 10°S, não exibe uma clara preferência de temperatura.
Nos trópicos, com uma concordância moderada a forte entre os modelos, prevê-se um forte aumento da probabilidade de temperaturas acima do normal na África equatorial e em algumas regiões da Europa.
Nos oceanos, prevê-se que as temperaturas sejam superiores ao normal em grande parte do Pacífico, no Atlântico, a norte do Equador entre os 10° e os 30°N, na região leste do Atlântico Sul, e no leste do Oceano Índico, com forte concordância entre os modelos. Noutras áreas dos oceanos extratropicais, as condições abaixo do normal restringem-se a regiões isoladas do Oceano Antártico perto dos 60°S.
Previsão das anomalias da precipitação no globo para o trimestre fevereiro, março e abril de 2026
As previsões de precipitação no Pacífico equatorial, para FMA2026, permanecem consistentes com condições semelhantes às de La Niña, mesmo com a previsão de que as Temperaturas da superfície do mar evoluam para a neutralidade em relação ao El Niño-Oscilação Sul (ENSO).
Assim, a probabilidade é alta de ocorrer precipitação abaixo da média em maior parte do Pacífico equatorial central e oriental, mas uma menor probabilidade no ocidental, onde nas regiões terrestres adjacentes a probabilidade de ocorrer precipitação abaixo da média é alta. Prevê-se uma precipitação próxima da média junto à costa oeste da América do Sul.

Para além do Pacífico, prevê-se um aumento da probabilidade de ocorrência de chuvas abaixo da média no sudoeste da América do Norte, em partes do leste da Ásia e no Oceano Índico equatorial.
Em contrapartida, a probabilidade de ocorrência de chuvas acima da média aumenta no Mar das Filipinas e estende-se para leste, bem como no norte da América do Norte, no sul da América Central, estendendo-se até ao noroeste da América do Sul, nas Caraíbas e no norte da Ásia, a norte de 50°N.