CAP reelege Álvaro Mendonça e Moura como presidente e manifesta-se em Estrasburgo contra o aumento dos fertilizantes
A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) participou na última semana em Estrasburgo (França) numa ação de protesto, junto ao Parlamento Europeu, com vista a alertar para o impacto do aumento dos custos dos fertilizantes, combustíveis e energia na agricultura.

Álvaro Mendonça e Moura foi reeleito este mês como presidente da Direção da CAP para o triénio 2026-2029. A única lista concorrente aos corpos gerentes da Confederação obteve 96% dos votos das organizações de agricultores (153 votos a favor e 7 em branco).
A nova Direção da CAP fica igualmente marcada por uma profunda renovação, com cerca de 60% dos seus membros a integrarem pela primeira vez este órgão social, o que é interpretado como “um sinal de rejuvenescimento e reforço da representatividade setorial e territorial da Confederação”.
Aliás, “ser reeleito neste ano comemorativo reforça ainda mais essa responsabilidade e o compromisso de continuar a defender o setor agrícola nacional num contexto particularmente exigente”, prossegue Álvaro Mendonça e Moura.
Valorização da produção nacional
E o presidente da CAP explica quais são os desafios que a agricultura tem tido pela frente. Eles estão relacionados com a “competitividade, sustentabilidade, a gestão da água, a atração de mão-de-obra, a valorização da produção nacional e a necessidade de assegurar condições para o futuro das novas gerações de agricultores”.

Por todas estas razões, a CAP garante que “continuará a afirmar-se como uma voz representativa, construtiva e firme na defesa da Agricultura e do mundo rural, em Portugal e na Europa”.
Protesto junto ao Parlamento Europeu
E foi justamente na Europa que a Confederação se fez ouvir na última semana, em Estrasburgo (França), numa ação de protesto junto ao Parlamento Europeu sob o lema “Crise nos fertilizantes e nos combustíveis hoje, crise alimentar amanhã”.
O objetivo desta concentração de protesto, promovida pelo Copa-Cogeca e pelas principais organizações agrícolas europeias, teve como objetivo “alertar para o impacto insustentável do aumento dos custos dos fertilizantes, combustíveis e energia”.
Luís Mira, secretário-geral da CAP, representou os agricultores portugueses nesta ação de protesto em Estrasburgo, que serviu para exigir “medidas concretas, urgentes e eficazes de apoio à agricultura”.
Crise alimentar à vista
É que, segundo a CAP, “o atual nível dos custos ameaça seriamente a viabilidade económica das explorações agrícolas, compromete a competitividade da agricultura europeia e coloca em risco a segurança alimentar dos cidadãos”.

De acordo com a CAP, a manifestação que teve lugar em Estrasburgo foi também “um sinal claro dirigido ao Governo português”, visto que “Portugal continua a ser um dos países da União Europeia com menos medidas concretas de apoio aos agricultores a serem efetivamente aplicadas”.
Uma diferença de tratamento dos agricultores face a países que concorrem diretamente com a agricultura portuguesa – como Espanha, França e Itália, onde estão já em execução pacotes de apoio ao setor agrícola – e que é “claramente penalizadora para a produção nacional”.
“Em Portugal, os agricultores continuam confrontados com anúncios sucessivos, promessas repetidas e ausência de respostas concretas por parte do Governo capazes de mitigar os impactos desta crise no rendimento das explorações”, afirma Luís Mira, citado em comunicado.
“É inaceitável que os agricultores portugueses sejam obrigados a competir em clara desigualdade dentro do mercado europeu por falta de vontade política do Governo português em apoiar a Agricultura”, disse ainda o responsável da CAP, acrescentando que “os agricultores portugueses não podem continuar a ser tratados como agricultores de segunda dentro da União Europeia”.
Para a CAP, sem medidas urgentes e eficazes, “a atual crise dos fertilizantes, dos combustíveis e da energia transformar-se-á inevitavelmente numa crise alimentar”.
E essa crise terá “consequências graves para a produção agrícola, para os consumidores e para a soberania alimentar europeia”.
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