Astrofísico Zeus Valtierra explica o que são os asteroides troianos e porque orbitam ao lado dos planetas

Os asteroides troianos pertencem ao cinturão principal de asteroides, situado entre Marte e Júpiter. Devido à gravidade de Júpiter, estes asteroides acompanham o planeta, tanto à sua frente como atrás dele, atuando como "pastores", explicou Zeus Valtierra, especialista da Meteored.

A maioria dos asteroides tem formas irregulares, embora alguns sejam quase esféricos e apresentem frequentemente depressões ou crateras.
A maioria dos asteroides tem formas irregulares, embora alguns sejam quase esféricos e apresentem frequentemente depressões ou crateras.

Hoje, vamos explorar um dos maiores mistérios do cosmos com o especialista espacial da Meteored, Zeus Valtierra, astrofísico da UNAM, para explicar um fenómeno fascinante que pode parecer ficção científica, mas que, na verdade, faz parte do delicado equilíbrio do nosso sistema solar: os asteroides troianos.

Mas, primeiro, vamos falar sobre os próprios asteroides. De acordo com a NASA, os asteroides, por vezes chamados de planetas menores, são vestígios rochosos e sem atmosfera que sobraram da formação inicial do nosso sistema solar, há cerca de 4,6 mil milhões de anos.

A maioria orbita o Sol entre Marte e Júpiter, dentro do cinturão principal de asteroides, e variam muito em tamanho. Enquanto o maior, Vesta, tem cerca de 530 quilómetros de diâmetro, outros têm menos de 10 metros de diâmetro. A massa combinada de todos os asteroides é ainda menor do que a da Lua da Terra.

Por vezes, os asteroides e os cometas são empurrados para a vizinhança da Terra pela gravidade de planetas próximos. Estes objetos são conhecidos como Objetos Próximos da Terra (NEO, sigla em inglês). Cerca de 99 por cento de todos os NEO's são asteroides. A sua aproximação máxima ao Sol é inferior a 1,3 vezes a distância da Terra ao Sol.

De que são feitos os asteroides?

A maioria dos asteroides tem formas irregulares, embora alguns sejam quase esféricos e apresentem frequentemente cavidades ou crateras de impacto. À medida que percorrem órbitas elípticas em torno do Sol, os asteroides também rodam, por vezes de forma bastante caótica, girando sobre si próprios enquanto se deslocam pelo espaço.

Ao longo dos anos, inúmeros filmes retrataram impactos catastróficos de asteroides e até mesmo o fim do mundo. Na realidade, porém, é extremamente improvável que um asteroide suficientemente grande para causar danos generalizados atinja a Terra nos próximos 100 anos — ou mais.

Esta conclusão provém de cientistas do Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra (CNEOS) da NASA, no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), no sul da Califórnia.

À medida que os astrónomos continuam a descobrir asteroides escondidos nos pontos de Lagrange de Júpiter, dão-lhes nomes de heróis da Guerra de Tróia.
À medida que os astrónomos continuam a descobrir asteroides escondidos nos pontos de Lagrange de Júpiter, dão-lhes nomes de heróis da Guerra de Tróia.

A maioria dos objetos que entram na atmosfera terrestre tem apenas pouco mais de um metro de diâmetro e entra na atmosfera terrestre várias vezes por ano sem causar quaisquer danos.

Zeus Valtierra explica os asteroides troianos

Estes asteroides pertencem ao cinturão principal de asteroides, situado entre Marte e Júpiter. Devido à gravidade de Júpiter, eles viajam ao lado do planeta gigante, tanto à sua frente como atrás dele, atuando como "pastores", explicou o astrofísico Zeus Valtierra, da Meteored.

Agora, um pouco de história. Segundo a NASA, a 22 de fevereiro de 1906, o astrofotógrafo alemão Max Wolf ajudou a redefinir, mais uma vez, a nossa compreensão do sistema solar. Ele descobriu um asteroide com uma órbita particularmente invulgar. À medida que Júpiter se movia em torno do Sol, o asteroide permanecia à frente do planeta gigante, como se estivesse, de alguma forma, preso na órbita de Júpiter.

O astrónomo alemão Adolf Berberich reparou que o asteroide se encontrava quase 60 graus à frente de Júpiter. Essa posição específica lembrou ao astrónomo sueco Carl Charlier um comportamento invulgar previsto mais de um século antes pelo matemático ítalo-francês Joseph-Louis Lagrange.

Lagrange propôs que, se um pequeno corpo, como um asteroide, fosse colocado num dos dois pontos estáveis da órbita de um planeta em torno do Sol — conhecidos como pontos de Lagrange L4 e L5 —, permaneceria numa posição estável em relação ao planeta devido às forças gravitacionais combinadas do planeta e do Sol.

Assim que três destes asteroides, que ocupavam os pontos de Lagrange, foram descobertos, os astrónomos começaram a questionar-se sobre como lhes dar um nome.

Naquela época, à maioria dos asteroides eram atribuídos nomes de mulheres da mitologia grega ou romana, a menos que as suas órbitas fossem especialmente invulgares. Uma vez que estes objetos se enquadravam certamente nessa descrição, o astrónomo austríaco Johann Palisa sugeriu batizá-los de Aquiles, Pátroclo e Heitor, em homenagem às personagens da Ilíada de Homero.

Aquiles era o herói grego quase invencível (exceto pelo seu famoso calcanhar), enquanto Pátroclo era o seu companheiro mais próximo. Heitor, o príncipe troiano, acabou por matar Pátroclo, e Aquiles vingou o seu amigo matando Heitor. Os asteroides recém-descobertos receberiam todos nomes inspirados na Ilíada.

À medida que os astrónomos continuavam a descobrir asteroides escondidos nos pontos de Lagrange de Júpiter, deram-lhes nomes de heróis da Guerra de Tróia, tendo-se tornado conhecidos como "asteroides troianos".

O termo "asteroides troianos" acabou por passar a designar os asteroides que ocupam os pontos de Lagrange estáveis de qualquer planeta, embora os nomes da Ilíada continuem reservados para os asteroides troianos de Júpiter.