CAP atribui a Bernardo Vieira e Brito o prémio “Melhor Projeto de Jovem Agricultor 2026”

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) anunciou nesta segunda-feira, 8 de junho, na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, o vencedor do prémio “Melhor Projeto de Jovem Agricultor 2026”, no âmbito do Concurso Nacional de Jovens Agricultores.

O prémio “Melhor Projeto de Jovem Agricultor 2026” foi atribuído a Bernardo Vieira e Brito (ao centro, na imagem) e entregue pelo presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura. Crédito da fotografia: CAP.
O prémio “Melhor Projeto de Jovem Agricultor 2026” foi atribuído a Bernardo Vieira e Brito (ao centro, na imagem) e entregue pelo presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura. Crédito da fotografia: CAP.

Bernardo Vieira e Brito tem 36 anos, é licenciado em Direito e possui um MBA, sendo detentor de experiência profissional nas áreas da advocacia, da consultoria de gestão e de marketing. E é o vencedor do prémio “Melhor Projeto de Jovem Agricultor 2026”, atribuído pela CAP.

O prémio, propositadamente anunciado na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, durante uma conferência dedicada aos jovens agricultores, foi entregue a um projeto que, para a CAP, “assume a agricultura com a mesma exigência de planeamento, eficiência e visão estratégica exigidos a qualquer outra atividade empresarial”.

A exploração agrícola de Bernardo Vieira e Brito agora premiada integra três hectares de vinha DOC vinho verde, oito hectares de kiwi biológico (das variedades verde e amarela), dois aviários de produção biológica, com capacidade de 3.000 galinhas cada, e outras produções complementares, como o milho, limões e mel. De acordo com informação revelada pela CAP, este modelo de gestão “reflete uma visão integrada e sustentável da atividade agrícola, combinando inovação, eficiência e criação de valor”.


O modelo assenta na maximização e reutilização de recursos dentro da exploração, promovendo uma lógica de economia circular, onde diferentes componentes do sistema produtivo se articulam para aumentar a eficiência, reduzir o desperdício e gerar valor acrescentado para o consumidor.

Aposta na economia circular

“O projeto distinguido destaca-se pela abordagem empresarial, diversidade e aposta na economia circular”, explica a Confederação liderada por Álvaro Mendonça e Moura.

A CAP acrescenta que a atividade desenvolvida por Bernardo Vieira e Brito está “assente numa estratégia de produção de várias culturas e diferentes atividades agrícolas”, procurando “potenciar sinergias internas, otimizar recursos e reduzir os riscos inerentes à produção agrícola”.

Um estudo da consultora Consulai divulgado em finais de março deste ano revelava que, no setor agrícola, se está a assistir a “um envelhecimento contínuo da mão-de-obra familiar”.
Um estudo da consultora Consulai divulgado em finais de março deste ano revelava que, no setor agrícola, se está a assistir a “um envelhecimento contínuo da mão-de-obra familiar”.

O projeto liderado por este jovem agricultor aposta ainda na incorporação de tecnologias e boas práticas que, segundo a CAP, “contribuem para a sustentabilidade e competitividade”.

Entre essas boas práticas está a utilização de inteligência artificial, energia verde e gestão estratégica da rega, com vista a uma “utilização mais eficiente dos recursos e uma redução do impacto ambiental”.

A distinção atribuída a Bernardo Vieira e Brito surge associada ao Concurso Nacional de Jovens Agricultores, promovido pela CAP, que se tem mostrado preocupada com a renovação geracional para o futuro da agricultura portuguesa.

Envelhecimento contínuo da mão-de-obra

Um estudo da consultora Consulai divulgado em finais de março deste ano revelava que, no setor agrícola, se está a assistir a “um envelhecimento contínuo da mão-de-obra familiar”, cuja idade média passou de 46 anos em 1989 para 59 anos em 2023.

Esta tendência, frisa a Consulai, é “transversal às regiões, mas mais acentuada no Alentejo e no Centro, onde predominam explorações de maior dimensão e gestão tradicional”. Apesar da modernização gradual a que temos assistido, a consultora refere que “o aumento da idade média evidencia falta de renovação geracional e declínio do trabalho familiar jovem”. E isso, acrescenta, tem “impactos diretos na capacidade de inovação, sucessão e adaptação às exigências tecnológicas e ambientais”.

E a CAP está ciente da situação, defendendo o reconhecimento e a valorização de projetos como os de Bernardo Vieira e Brito, agora premiado.

Para a Confederação, é preciso avançar para a “implementação de políticas públicas e europeias mais eficazes, com simplificação administrativa, previsibilidade e condições de investimento”, de modo a permitir aos jovens agricultores instalar-se, produzir com viabilidade económica e construir um futuro sustentável no setor.

Em 2023 deu-se uma redução generalizada do peso do emprego agrícola em toda a Europa. A União Europeia registou 217,7 milhões de trabalhadores, dos quais 8,43 milhões na agricultura (3,9%).
Em 2023 deu-se uma redução generalizada do peso do emprego agrícola em toda a Europa. A União Europeia registou 217,7 milhões de trabalhadores, dos quais 8,43 milhões na agricultura (3,9%).

E, para a CAP, o “Melhor Projeto de Jovem Agricultor 2026” reflete os “fatores necessários à agricultura: jovens com ambição, capacidade de gestão e visão estratégica”.

Em 2023 deu-se uma redução generalizada do peso do emprego agrícola em toda a Europa. A União Europeia registou 217,7 milhões de trabalhadores, dos quais 8,43 milhões na agricultura (3,9%).

Portugal segue a tendência europeia de redução do trabalho agrícola, mas com uma queda mais acentuada do que a média da União. Em 2023, o nosso país empregava 270 mil pessoas na agricultura em 5,24 milhões de trabalhadores (5,2%).

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