Braga é a cidade mais antiga de Portugal? Eis o que diz a história
Braga é frequentemente apontada como a cidade mais antiga do país, mas a resposta pode não ser tão linear (nem tão consensual). Tudo depende de quão longe queremos recuar na história.

Quando se fala na cidade mais antiga de Portugal, o nome surge quase de imediato: Braga. Mas será mesmo assim tão simples?
Portugal é considerado um dos países mais antigos da Europa e a sua história é milenar. Por aqui passaram celtas, fenícios, romanos, muçulmanos e não só até à consolidação definitiva do território como um reino independente. Hoje, os testemunhos do passado vasto refletem-se em ruas, ruínas, monumentos e igrejas.
Contudo, falta consenso sobre qual a cidade mais antiga do país. Braga tem argumentos fortes. Por isso mesmo é considerada por algumas fontes como "a cidade mais antiga de Portugal".
Uma cidade com raízes romanas
Cidade fundada pelos romanos no século 16 antes de Cristo, com o nome de Bracara Augusta, tornou-se um dos principais centros administrativos da província da Galécia.
Mais importante ainda: nunca deixou de ser habitada desde então. Essa continuidade é um dos fatores que levam muitos historiadores a considerá-la a cidade mais antiga do país.
“A longa história de Braga é visível nos seus monumentos e igrejas, sendo a Catedral a mais imponente que exibe vários estilos, do romano ao barroco, orgulhando-se também das esplêndidas casas, particularmente do século XVIII”, lê-se no site da autarquia.
Antes dos romanos: povos e povoados
No entanto, se ampliarmos o olhar para além do período romano, a história complica-se. Muito antes de existirem cidades no sentido clássico do termo, já havia comunidades organizadas no território que hoje é Portugal.

Um exemplo notável é a Citânia de Briteiros, um castro da Idade do Ferro que revela uma sociedade estruturada, com habitações circulares em pedra e sistemas defensivos elaborados.
E se recuarmos ainda mais no tempo, encontramos vestígios impressionantes da presença humana pré-histórica, como a Anta Grande do Zambujeiro, com cerca de seis mil anos. Estes monumentos megalíticos mostram que o território era habitado muito antes de qualquer fundação urbana formal.
Tudo depende da definição
Outra questão relevante é o conceito de “cidade portuguesa”. Braga existia muito antes da formação do reino. Já Guimarães, frequentemente chamada de “berço da nação”, desempenhou um papel central na consolidação da independência no século XII.
Então, Braga é a cidade mais antiga de Portugal? Se considerarmos uma cidade com origem romana e ocupação contínua até aos dias de hoje, a resposta é muito provavelmente sim. Mas se falarmos de presença humana ou de núcleos organizados anteriores, o território português guarda histórias bem mais antigas.
Talvez a verdadeira conclusão seja esta: Portugal não nasceu num único lugar nem num único momento. A sua história construiu-se camada sobre camada, desde os monumentos megalíticos às cidades romanas, passando pelos castros e pelas vilas medievais. E é precisamente essa profundidade temporal que torna o país tão fascinante.
O que ver e fazer num passeio por Braga
Quem visita Braga encontra, hoje, uma cidade onde o passado e o presente convivem lado a lado. É possível começar o dia a explorar as ruínas romanas, como as termas e vestígios da antiga Bracara Augusta, e percorrer o centro histórico, onde igrejas, palácios e praças contam séculos de história.
"O facto de ser uma cidade antiga e cheia de tradições não impede Braga de ser também uma das regiões mais jovens de Portugal e até da Europa. Aqui, o antigo e o jovem convivem de forma harmoniosa e criam um contraste único, vibrante e difícil de descrever", nota o site 'Taste Braga'.
A imponente Sé de Braga, uma das mais antigas do país, é paragem obrigatória para quem aprecia património religioso e arquitetura. Já o Santuário do Bom Jesus do Monte, com a sua escadaria monumental, oferece não só um ícone barroco, mas também vistas panorâmicas sobre a cidade.
Entre museus, jardins e esplanadas animadas, Braga revela-se também moderna e vibrante. Cafés, restaurantes e espaços culturais dão nova vida a ruas que existem há mais de dois mil anos.