Agricultura: Governo cria plataforma de suporte aos modos de produção biológico e produção integrada
Em 2023, a área agrícola total em produção biológica em Portugal estava contabilizada em 860 878 hectares. O Despacho agora assinado pelo ministro da Agricultura e Mar vem esclarecer procedimentos, definir responsabilidades e, em alguns casos, operacionalizar instrumentos.

Na agricultura, o modo de produção biológica é um sistema global de gestão das explorações agrícolas e de produção de géneros alimentares que combina vários fatores em simultâneo.
Por um lado, implica a adoção das melhores práticas ambientais, um elevado nível de biodiversidade, a preservação dos recursos naturais, a aplicação de normas exigentes em matéria de bem-estar dos animais e um método de produção em sintonia com a preferência de certos consumidores por produtos obtidos utilizando substâncias e processos naturais.
Mais do que uma técnica agrícola, a prática da agricultura biológica é uma forma de estar mais próxima da natureza e das pessoas, também porque se baseia no respeito pelos ciclos naturais, na proteção da biodiversidade e na valorização dos recursos locais, promovendo ainda um equilíbrio entre o ser humano e a natureza.
Mais. Está demonstrado que este modo de produção agrícola pode desempenhar um papel importante na mitigação dos efeitos das alterações climáticas e na restauração da biodiversidade.
O que significa ser biológico?
É um facto que os produtos de origem agrícola biológica estão cada vez mais presentes nos nossos mercados e nas superfícies comerciais da chamada grande distribuição e, mesmo, nos pequenos estabelecimentos de bairro.

A associação ambientalista ZERO questiona, porém, sobre o que significa, na verdade, o termo biológico.
Numa outra perspetiva, “podemos olhar a agricultura biológica como um sistema de regulamentação e certificação da aplicação de normas em matéria de bem-estar dos animais e método de produção obtida com utilização de substâncias e processos naturais”, acrescenta a associação ambientalista.
A agricultura biológica também é conhecida como “agricultura orgânica” (no Brasil e em países de língua inglesa), “agricultura ecológica” (em Espanha e na Dinamarca) ou “agricultura natural” (no Japão).
Portugal: 860 878 ha em modo biológico
Em 2023, a área agrícola total em produção biológica em Portugal estava contabilizada em 860 878 hectares, o que representava uma proporção de 22,3% da Superfície Agrícola Utilizada (SAU) e um aumento de quatro vezes em cinco anos.
Portugal registou, aliás, um aumento da área agrícola em produção biológica para todos os grupos de culturas, com prevalência gradual em “prados e pastagens permanentes” que, em 2023, representaram 50,5% da área total em modo de produção biológica.
O Despacho nº 5207/2026 que o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, fez publicar esta semana determina agora a criação e operacionalização de uma plataforma digital de suporte aos modos de produção biológica e produção integrada.
O Ministério da Agricultura fala de um “reforço da partilha de informação entre entidades públicas e o controlo destes regimes” de produção agrícola: biológica e integrada.

São, assim, disposições e diretrizes específicas no quadro da ação governativa e que careciam de publicação em Diário da República, para serem formalizadas, tornando públicas as decisões e orientações definidas pelas entidades competentes.
Controlo da comercialização pela ASAE
Em Portugal, o controlo oficial da produção biológica é regulamentado pelo Plano de Controlo em Regimes de Qualidade (Produção Biológica) – PNCP, coordenado pela Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (“DGADR”).
Este controlo incide sobre as fases de produção, preparação, distribuição, importação e colocação de produtos biológicos à disposição do consumidor final.
A verificação destas práticas cabe aos organismos de controlo reconhecidos pela DGADR, que verificam os sistemas de controlo disponíveis através de uma supervisão anual.
Numa outra vertente, o controlo da comercialização dos produtos biológicos nos vários locais de venda é assegurado pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).
A associação ZERO alerta, contudo, para o facto dos organismos de controlo serem, “sobretudo, empresas privadas , cuja fonte de receita é advém dos produtores que controlam”.
Assim sendo, “apesar da existência de uma supervisão robusta, este possível conflito de interesses pode levar a lacunas no controle”, avisa a ZERO.
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