Tendências a 10 dias em Portugal: temperaturas descem, a instabilidade ganha força e a chuva poderá regressar
O cenário meteorológico começa a mudar em Portugal. Uma massa de ar polar fará descer os termómetros no fim de semana e, na próxima semana, o Atlântico poderá abrir caminho ao regresso da chuva.

Portugal prepara-se para uma mudança significativa no estado do tempo ao longo dos próximos dez dias. Depois de uma primeira metade de outubro marcada por temperaturas persistentemente elevadas, os modelos começam finalmente a desenhar um cenário mais próximo do outono, com uma descida térmica acentuada, entrada de ar mais frio e um possível regresso de frentes atlânticas.
Até sexta-feira, o calor ainda resiste
Esta quinta-feira, dia 15, mantém-se o padrão que tem caracterizado os últimos dias, temperaturas máximas muito elevadas para meados de outubro, sobretudo no interior.
Segundo o modelo europeu (ECMWF), vários locais poderão aproximar-se novamente dos 30 ºC, enquanto o litoral Norte e Centro permanecerá bastante mais ameno devido à influência marítima. Poderá ainda surgir alguma instabilidade, nomeadamente no distrito de Viseu, embora, a ocorrer precipitação, esta deva ser fraca, localizada e passageira.
Na sexta-feira, dia 16, o ambiente continuará relativamente quente, mas começam a surgir os primeiros sinais da mudança. As temperaturas deverão iniciar uma descida em várias regiões do Norte e Centro, antecipando uma alteração mais expressiva durante o fim de semana.
Fim de semana traz ar mais frio: Trás-os-Montes será uma das primeiras regiões a senti-lo
Entre sábado e domingo, uma massa de ar polar em altitude irá avançar para latitudes mais próximas da Península Ibérica. Inicialmente, o núcleo do ar mais frio não estará diretamente sobre Portugal, mas a circulação de noroeste permitirá que a sua influência comece a fazer-se sentir.
O Nordeste Transmontano e o Alto Douro estarão entre as primeiras regiões a registar a mudança, com uma descida significativa das temperaturas. Em Bragança, por exemplo, os termómetros poderão indicar apenas cerca de 8 ºC entre as 22 e as 23 horas de domingo.
No Sul, o sábado ainda poderá proporcionar alguma sensação de calor durante a tarde, mas a tendência geral será já de descida. O domingo deverá acentuar esta mudança. Além do arrefecimento, o vento deverá intensificar-se, enquanto os mapas começam também a apresentar algum sinal de precipitação fraca, dispersa e pouco organizada.
Segunda-feira, dia 19, poderá trazer temperaturas muito abaixo do normal
A madrugada de segunda-feira, dia 19, poderá marcar um dos momentos mais evidentes desta transição. O ar frio deverá fazer descer consideravelmente as temperaturas no interior Norte e Centro. Depois de vários dias consecutivos com anomalias térmicas positivas, o cenário inverte-se: as temperaturas matinais previstas neste dia são muito abaixo dos valores habituais para a época do ano.
O mapa de anomalias do ECMWF é particularmente expressivo, apontando para desvios negativos generalizados durante as primeiras horas do dia. Em alguns pontos do interior Centro, estes poderão aproximar-se dos -7 a -8 ºC, enquanto grande parte do Norte poderá apresentar valores entre 3 e 6 ºC abaixo da referência climatológica. Será, portanto, uma mudança bastante brusca face ao calor registado poucos dias antes.
A partir de dia 21, o Atlântico poderá finalmente ganhar espaço
A alteração mais interessante poderá, contudo, surgir durante a segunda metade do período analisado. Por volta de quarta-feira, dia 21, as atuais projeções do ECMWF sugerem a aproximação de uma frente associada a uma depressão atlântica. Embora o núcleo depressionário deva circular a norte de Portugal, a respetiva frente poderá alcançar o território continental e proporcionar uma passagem de chuva mais abrangente e organizada.
Posteriormente, o modelo começa a sugerir o desenvolvimento de uma segunda depressão atlântica, igualmente afastada de Portugal, mas potencialmente capaz de encaminhar uma nova frente para a Península Ibérica no dia 23.
A esta distância temporal, a trajetória, intensidade e quantidade de precipitação permanecem naturalmente incertas, pelo que estes cenários deverão ser acompanhados nas próximas atualizações.
Ainda assim, há uma tendência que começa a ganhar consistência. Depois de semanas dominadas por temperaturas anormalmente elevadas e longos períodos de estabilidade, a segunda metade de outubro poderá finalmente apresentar características bastante mais outonais em Portugal.