Previsão oficial da Meteored para a temporada de furacões de 2026: teremos mais ciclones este ano?

Nós, especialistas em meteorologia da Meteored, chegámos a um consenso sobre a temporada de furacões de 2026, para as bacias do Atlântico — que incluem o Golfo do México e o Mar das Caraíbas — e do Pacífico Nordeste — que abrange a costa ocidental dos Estados Unidos, do México e da América Central.

Oficialmente, a temporada dos furacões no Atlântico começa a 1 de junho e, no Nordeste do Pacífico, a 15 de maio; ambas terminam a 30 de novembro.
Oficialmente, a temporada dos furacões no Atlântico começa a 1 de junho e, no Nordeste do Pacífico, a 15 de maio; ambas terminam a 30 de novembro.

Para elaborar a previsão, foi realizada uma análise aprofundada, tendo em conta observações e fenómenos climáticos, modelação numérica avançada e interpolação de dados das estimativas publicadas por organismos governamentais e académicos.

Ao realizar a interpolação das previsões já publicadas por agências meteorológicas, incluindo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), observa-se um consenso analítico em que as projeções numéricas combinadas mostram um impacto na cisalhamento do vento relacionado com a oscilação do El Niño.

Por seu lado, as simulações de longo prazo do Modelo Europeu (ECMWF), na sua versão de previsão sazonal, fornecem dados cruciais sobre as anomalias da pressão ao nível do mar e os vetores de vento. O modelo insiste que, apesar dos sinais do El Niño, as pressões no Atlântico tropical se manterão ligeiramente abaixo do normal, o que poderá enfraquecer parcialmente o cisalhamento do vento em setores específicos das Caraíbas.

Além disso, o ECMWF destaca um sinal de elevada energia potencial disponível no Pacífico Central e Oriental, confirmando que as condições dinâmicas serão excecionalmente propícias à formação de perturbações de grande dimensão e longa duração.

ENOS e a sua influência na formação de ciclones tropicais

Recorde-se que, estatisticamente, o aquecimento no Pacífico equatorial associado a padrões climáticos como o El Niño gera uma interação atmosférica que aumenta o cisalhamento vertical do vento na bacia do Atlântico, atuando como um freio natural ao desenvolvimento de sistemas tropicais organizados.

Por outro lado, no Pacífico Nordeste e Central, a redução dos ventos nos níveis médios e altos, combinada com o aumento da energia térmica, propicia tradicionalmente um ambiente extremamente ativo para o desenvolvimento e a rápida intensificação de furacões de grande categoria.

Ondas de calor marinhas: combustível para o desenvolvimento de ciclones tropicais

Outro fator que foi levado em conta foi a persistência de águas anormalmente quentes fora das regiões equatoriais; esta variação gerou, nos últimos anos, alterações nas correntes oceânicas, no posicionamento das altas pressões semipermanentes em ambos os oceanos e na alteração das monções, fatores que também influenciam o desenvolvimento de sistemas tropicais.

A variabilidade climática na interação oceano-atmosfera modificou as trajetórias típicas dos ciclones tropicais e extratropicais, teoria reforçada pelas observações mais recentes do Centro Nacional de Furacões (NHC) e da NOAA.

Previsão para a temporada de furacões no Oceano Atlântico em 2026: abaixo da média

De acordo com a previsão da NOAA e do NHC, prevê-se uma temporada de furacões abaixo do normal para a bacia do Atlântico este ano. A previsão aponta para uma probabilidade de 35% de uma temporada próxima do normal, uma probabilidade de 10% de uma temporada acima do normal e uma probabilidade de 55% de uma temporada abaixo do normal.

A estimativa da Meteored é: um total de 10-14 ciclones tropicais nomeados

  • 5 Tempestades tropicais nomeadas
  • 4-6 Furacões (categoria 1 e 2)
  • 1-3 grandes Furacões (categoria 3, 4 e 5 ou ventos superiores a 253 km/h)

    As costas da América Central, do Golfo do México e das Caraíbas mantêm-se sob a vulnerabilidade habitual, mas este ano os modelos estendem o risco de impactos para as latitudes médias, alertando para trajetórias que poderão atingir as costas do leste do Canadá e zonas do oeste da Europa como sistemas pós-tropicais de grande intensidade.

    Lista oficial de nomes atribuídos para identificar os ciclones tropicais que se formarem no Atlântico em 2026.
    Lista oficial de nomes atribuídos para identificar os ciclones tropicais que se formarem no Atlântico em 2026.

    Para o Atlântico, prevê-se uma diminuição do número líquido de tempestades, embora com um potencial destrutivo latente nos sistemas que venham a formar-se.

    Previsão para a temporada de furacões do Nordeste do Pacífico de 2026: acima da média anual

    De acordo com o Centro de Previsão Climática (CPC), espera-se uma temporada 70% acima do normal. Há 20% de probabilidade de uma temporada próxima do normal e apenas 10% de probabilidade de uma temporada abaixo do normal.

    A estimativa da Meteored é: um total de 22-24 ciclones tropicais nomeados

    • 10 Tempestades tropicais nomeadas
    • 7-8 Furacões (categoria 1 e 2)
    • 5-6 grandes Furacões (categoria 3, 4 e 5 ou ventos superiores a 253 km/h)

    Os valores são compatíveis com um aumento no número de dias com furacões, condição que permitirá um cenário de previsão com um número de tempestades superior à média.

    Lista oficial de nomes atribuídos para identificar os ciclones tropicais no Pacífico Nordeste em 2026.
    Lista oficial de nomes atribuídos para identificar os ciclones tropicais no Pacífico Nordeste em 2026.

    A síntese destes modelos aponta para uma temporada no Pacífico Nordeste com uma atividade significativamente superior à média histórica; é de salientar que a probabilidade de impacto em terra é elevada para as costas mexicanas, onde poderão mesmo chegar grandes furacões (isto é, furacões de grande intensidade).

    Cultura de prevenção e mitigação de riscos

    Perante este panorama meteorológico complexo para a temporada de 2026, a recomendação fundamental para a população é manter-se sempre atento aos avisos emitidos pelos meteorologistas, evitando a propagação de boatos nas redes sociais.

    É de vital importância seguir rigorosa e atempadamente as indicações e alertas precoces das entidades locais de Proteção Civil. A preparação antecipada é eficaz para salvaguardar vidas e bens.

    Plano de ação familiar e mochila de emergência

    Como medida de prevenção imediata antes do início da época, cada família deve estabelecer um plano de contingência que inclua a identificação de abrigos temporários e rotas de evacuação. É indispensável ter pronta uma mochila de emergência, que deve ser impermeável e conter os seguintes elementos essenciais para a sobrevivência durante as primeiras 72 horas:

    • Água engarrafada e alimentos não perecíveis para cada membro da família.
    • Caixa de primeiros socorros com medicamentos essenciais prescritos e material para curativos.
    • Lanterna com pilhas sobressalentes e um rádio portátil AM/FM para se manterem informados em caso de cortes de energia.
    • Cópias de documentos importantes (identificações, certidões, escrituras, etc.) guardadas em sacos plásticos herméticos ou num dispositivo USB.
    • Ferramentas básicas, apito de emergência, artigos de higiene pessoal e cobertores leves.

    Lembre-se, não se esqueça de consultar os avisos de ciclones tropicais! Na Meteored oferecemos-lhe informações oficiais em tempo real, através das nossas redes sociais, página web e da nossa aplicação para telemóveis, onde tem acesso a avisos meteorológicos imediatos, elaborados pelas nossas equipas de especialistas em meteorologia tropical.

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