Previsão de chuva: Alfredo Graça surpreendido com o rio atmosférico que liga Portugal às Caraíbas

O estado do tempo em Portugal vai manter-se predominantemente instável e chuvoso, embora com períodos temporários de sol, possivelmente até meados de fevereiro devido, entre vários outros fatores, a rios atmosféricos provenientes das Caraíbas.

Após o rasto de destruição provocado pela tempestade Kristin entre Leiria e Coimbra, o tempo em Portugal continental irá acalmar temporariamente esta quarta-feira (28), embora com os períodos de céu nublado e abertas a alternar ocasionalmente com alguns aguaceiros, por vezes fortes e sob a forma de granizo, e potencialmente acompanhados de trovoadas.

Porém, ao final da tarde de hoje, prevê-se uma nova vaga de chuva, gerada por uma frente fria associada a mais uma depressão posicionada no meio do Atlântico, que será reforçada por um impressionante rio de humidade que conecta as Caraíbas ao nosso país. A precipitação será mais provável e frequente nas regiões a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela.

Na quinta-feira (29) prevê-se a continuidade deste cenário de chuva, por vezes forte, principalmente nas Regiões Norte e Centro, sendo que a sul do Tejo a precipitação será temporariamente forte durante parte da tarde. Haverá ainda rajadas de vento Oeste até 70 km/h no litoral e até 90 km/h nas terras altas e queda de neve nos pontos mais elevados da Serra da Estrela.

Quanto à agitação marítima estão em vigor os avisos laranja e vermelho entre hoje e amanhã devido às ondas que poderão atingir 12 a 14 metros de altura máxima na faixa costeira ocidental.

Na sexta-feira (30) de manhã a precipitação voltará a surgir e a intensificar, sendo mais provável e frequente precisamente devido ao referido rio atmosférico que elevará a probabilidade de água precipitável em território nacional.

O que tem de tão surpreendente o rio atmosférico que une as Caraíbas a Portugal?

De acordo com o modelo Europeu, a curto/médio prazo, um dos aspetos mais surpreendentes de um extenso rio atmosférico que une as Caraíbas a Portugal é a sua persistência e contínua alimentação da chuva gerada pelas frentes das depressões centradas sobre o Atlântico Norte. Ao estar carregado de humidade proveniente das latitudes subtropicais, o rio atmosférico elevará a quantidade de água precipitável, intensificando a chuva, especialmente nas zonas mais expostas.

Neste mapa observa-se um enorme rio de humidade que liga a área geográfica das Caraíbas a Portugal e a outros países europeus, como Espanha ou Grécia.
Neste mapa observa-se um enorme rio de humidade que liga a área geográfica das Caraíbas a Portugal e a outros países europeus, como Espanha ou Grécia.

A configuração sinóptica atual consiste num bloqueio de altas pressões persistente nas latitudes altas, favorável a uma corrente de jato polar mais desviada para sul do que o habitual e que tem estado a encaminhar frentes e depressões atlânticas diretamente para o Sudoeste Europeu, onde se insere Portugal continental. Além disto, a precipitação gerada pelos sistemas frontais ver-se-á reforçada pelos já referidos rios atmosféricos, algo permitido pela atual distribuição dos centros de ação (anticiclones e depressões).

Entre hoje, 28 de janeiro, e a próxima terça-feira (3) haverá alguns períodos sem precipitação (soalheiros ou de céu nublado), mas a tendência que prevalece nos mapas a curto e médio prazo aponta para uma continuidade do domínio do tempo húmido e instável em Portugal continental.

O arquipélago dos Açores, fruto da sua localização geográfica e da atual distribuição dos centros de ação, também estará muito exposto ao rio de humidade das Caraíbas e a outras frentes e depressões atlânticas.

Os próximos dias e semanas continuarão a ser tendencialmente chuvosos. A precipitação dever-se-á, em boa parte, à chegada quase contínua de rios de humidade que tornarão a precipitação mais persistente e abundante.
Os próximos dias e semanas continuarão a ser tendencialmente chuvosos. A precipitação dever-se-á, em boa parte, à chegada quase contínua de rios de humidade que tornarão a precipitação mais persistente e abundante.

Segundo os mapas de médio prazo ou subsazonais (próximas semanas), enquanto esta configuração se mantiver - poderá durar até meados de fevereiro -, a combinação da precipitação abundante com o ar ameno e húmido de origem tropical marítima dos rios atmosféricos impulsionados pela circulação de Oeste até ao nosso país, poderá provocar o derretimento da neve nos cumes das principais montanhas portuguesas.

Isto, aliado aos solos saturados pela instabilidade quase permanente das últimas semanas, agravará o risco de cheias, inundações, derrocadas e deslizamentos de terras.