Previsão de chuva a médio prazo: eis como irá chover em Portugal entre 27 de abril e 3 de maio, segundo o melhor modelo

Na próxima semana, tanto Portugal continental como os Açores, poderão ter de enfrentar a chegada de bolsas de ar frio que aumentarão os episódios de chuva, trovoada e outros fenómenos meteorológicos adversos.

A semana de 27 de abril a 3 de maio arrancará com calor anómalo e estabilidade relativa (embora com possibilidade de aguaceiros localizados em algumas regiões) em Portugal continental. Porém, o modelo de referência para a Meteored (modelo Europeu - ECMWF) indica que a partir de terça-feira, dia 29 de abril, começa a desenhar-se uma mudança importante na circulação atmosférica à escala europeia: o padrão dominante (crista atlântica) mudará (bloqueio).

Entre 27 de abril e 3 de maio a crista atlântica evoluirá para um bloqueio sobre as Ilhas Britânicas

De acordo com os mapas do ECMWF, entre segunda-feira (27) e quarta-feira (29) observa-se uma região de altas pressões posicionada sobre o Atlântico a estender-se em crista desde o Atlântico médio até às Ilhas Britânicas (crista atlântica), mas que evoluirá gradualmente para um padrão de bloqueio, confirmando a já referida mudança importante no padrão atmosférico à escala europeia.

Na última atualização do modelo ECMWF verifica-se a mudança importante na circulação atmosférica à escala europeia. O padrão de crista atlântica deixará de dominar, dando lugar ao padrão de bloqueio.
Na última atualização do modelo ECMWF verifica-se a mudança importante na circulação atmosférica à escala europeia. O padrão de crista atlântica deixará de dominar, dando lugar ao padrão de bloqueio.

O mapa de geopotencial a 700 hPa prevê que a região de altas pressões, disposta em crista sobre o Atlântico até às Ilhas Britânicas (orientada de sul para norte), passe a funcionar como um ‘escudo anticiclónico’ (padrão de bloqueio). Esta configuração sinóptica - bloqueio anticiclónico instalado sobre as Ilhas Britânicas - irá impedir a circulação normal de oeste (zonal), sendo visível nos mapas como as massas de ar são forçadas a desviar, o que acaba por promover a formação de bolsas de ar frio, que se desprendem e isolam da corrente de jato polar.

Jato polar ondula consideravelmente e quebra, permitindo a instalação de um bloqueio anticiclónico sobre as Ilhas Britânicas. No flanco ocidental da região de altas pressões observa-se uma bolsa de ar frio a descer em latitude até posicionar-se a noroeste dos Açores, começando a afetar o arquipélago entre terça e quarta-feira, dias 28 e 29. Uma segunda bolsa de ar frio, visível a norte da Península Ibérica, alcançará as imediações de Portugal continental após vários dias em movimento retrógrado (quando se isolar em altitude ainda sobre países da Europa do Norte e Central).
Jato polar ondula consideravelmente e quebra, permitindo a instalação de um bloqueio anticiclónico sobre as Ilhas Britânicas. No flanco ocidental da região de altas pressões observa-se uma bolsa de ar frio a descer em latitude até posicionar-se a noroeste dos Açores, começando a afetar o arquipélago entre terça e quarta-feira, dias 28 e 29. Uma segunda bolsa de ar frio, visível a norte da Península Ibérica, alcançará as imediações de Portugal continental após vários dias em movimento retrógrado (quando se isolar em altitude ainda sobre países da Europa do Norte e Central).

Para a próxima semana prevê-se a formação de duas dessas bolsas: uma a noroeste dos Açores e outra a norte da Península Ibérica. Esta última, antes de chegar às imediações do Continente português, descreverá um movimento retrógrado (de nordeste para sudoeste) desde a Escandinávia, passando por Alemanha, Bélgica e partes de França e Reino Unido até alcançar a nossa geografia (possivelmente a partir de quinta-feira 30 de abril).

A bolsa de ar frio posicionada a norte da Península Ibérica poderá ter efeitos mais diretos em Portugal continental, sendo mais provável na Região Norte e em toda a faixa do interior, onde o ar mais frio em altitude provocaria um aumento da instabilidade sob a forma de aguaceiros e trovoadas.

Novos episódios de aguaceiros e trovoadas no Continente e depressão sobre os Açores

Como já foi referido, prevê-se que os Açores sejam afetados pela precipitação, vento forte e agitação marítima entre terça e quarta-feira, dias 28 e 29 de abril devido à já referida bolsa de ar fria que descerá em latitude. Os primeiros sinais indicam que todos os Grupos estarão expostos aos fenómenos meteorológicos adversos, embora o Ocidental e Central sejam os mais afetados.

Além disto, embora as previsões a médio prazo não sejam capazes de fornecer muito mais detalhes concretos para além das datas referidas, os mapas de precipitação acumulada da Meteored sugerem que a instabilidade poderá persistir de forma ocasional entre quinta-feira (30) e domingo (3) no arquipélago açoriano.

Sistema depressionário a surgir sobre os Açores entre terça e quarta-feira, dias 28 e 29 de abril.
Sistema depressionário a surgir sobre os Açores entre terça e quarta-feira, dias 28 e 29 de abril.

Quanto a Portugal continental, após uma segunda (27) e terça-feira (28) marcadas por aguaceiros dispersos e intermitentes durante a tarde (por vezes localmente fortes), especialmente nas Regiões Norte e no interior Centro e Sul, os mapas revelam indícios de que a partir de quinta-feira (30) ocorra um novo episódio de tempo instável abrangendo todo o território continental, possivelmente com aguaceiros e trovoadas mais frequentes e fortes, devido à já referida passagem da bolsa de ar frio em altitude.

Para os primeiros três dias de maio em Portugal continental, a tendência atual aponta para uma melhoria relativa do estado do tempo, com uma menor probabilidade de precipitação. No entanto, como já é habitual na primavera, a circulação atmosférica deverá manter-se muito dinâmica e variável, pelo que a previsão apresenta uma elevada incerteza e está sujeita a ajustes.

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