Porque não chegam frentes de chuva e depressões a Portugal? A combinação atmosférica que vai afastar a chuva

Uma combinação de altas pressões e uma corrente de jato desviada para norte deverá manter Portugal longe das depressões e frentes atlânticas nos próximos dias. O resultado será tempo seco e temperaturas anormalmente elevadas para meados de outubro.
Portugal continental prepara-se para vários dias de tempo estável, seco e anormalmente quente para outubro. Até, pelo menos, dia 17, a configuração atmosférica prevista pelo modelo europeu ECMWF deverá dificultar a aproximação de depressões e sistemas frontais. Mas o que está por detrás desta persistência?
Um anticiclone no Atlântico fecha a porta à instabilidade
Durante este fim de semana, as altas pressões dominam o Atlântico às latitudes de Portugal, favorecendo estabilidade atmosférica e ausência de precipitação significativa.
A partir de segunda-feira, dia 12, o centro anticiclónico deverá aproximar-se da Península Ibérica e estender a sua influência para norte. Esta posição é particularmente importante, pois as depressões que circulam pelo Atlântico Norte encontram maior dificuldade em descer para as nossas latitudes, sendo desviadas para regiões mais setentrionais da Europa.

Ao mesmo tempo, esta configuração favorecerá a manutenção de uma massa de ar bastante quente para a época, com anomalias térmicas positivas generalizadas. As temperaturas máximas poderão atingir ou mesmo ultrapassar os 30 ºC em algumas regiões, valores pouco habituais para meados de outubro.
A corrente de jato também ficará muito a norte
Há ainda outra peça importante neste conjunto de configurações "anti-chuva": a corrente de jato polar. Trata-se de uma faixa de ventos muito fortes que circula a vários quilómetros de altitude e que desempenha um papel fundamental na trajetória das depressões e frentes nas latitudes médias.
A configuração prevista das altas pressões favorece uma trajetória do jato a norte da Península Ibérica sem ondulações. Por volta de quinta-feira, dia 15, os ventos mais intensos em altitude deverão atravessar o Atlântico Norte em direção às Ilhas Britânicas e à Escandinávia, enquanto Portugal permanece bastante afastado deste corredor.
Assim, não só as depressões ficam longe, como também diminui a possibilidade de passagem de frentes frias capazes de provocar uma descida acentuada das temperaturas e trazer chuva generalizada ao território.
Até dia 17, poucas mudanças à vista
Esta configuração poderá persistir até 17 ou 18 de outubro. Nos próximos dias, Portugal deverá continuar com temperaturas acima da média, alguma nebulosidade intercalada com períodos de céu mais aberto e, sobretudo, sem sinal de precipitação significativa.
Contudo, o cenário começa a tornar-se mais interessante no final deste período. Para dia 17, o ECMWF projeta uma depressão muito profunda no Atlântico Norte, a latitudes bastante superiores às de Portugal, acompanhada por uma extensa frente de precipitação.

A grande questão será a sua evolução posterior: conseguirá esta frente avançar para sul e aproximar finalmente a chuva de Portugal, ou as altas pressões continuarão a bloquear a sua progressão?
A esta distância temporal, ainda não é possível dar uma resposta definitiva. As próximas atualizações serão fundamentais para perceber se a “receita” que mantém Portugal seco se prolongará ou se estará finalmente à vista uma mudança do padrão atmosférico.