Os modelos europeu e GFS preveem uma última grande depressão antes do final de fevereiro: datas-chave
Frentes associadas à depressão poderão trazer chuva significativa, rajadas até 70 km/h e ondas de 5 metros nestes dias da reta final de fevereiro.

Uma nova depressão atlântica poderá marcar os últimos dias de fevereiro. Segundo as mais recentes atualizações do modelo europeu ECMWF e do modelo norte-americano GFS, o sistema deverá intensificar-se no Atlântico Norte entre 24 e 27 de fevereiro, influenciando Portugal através da passagem de frentes associadas.
Apesar de o núcleo mais intenso da depressão dever passar mais a norte, entre o Atlântico Norte e as Ilhas Britânicas, Portugal continental poderá sentir os seus efeitos entre 24 e 26 de fevereiro, período em que se prevê a fase mais ativa no nosso território.
Fase mais ativa prevista entre 24 e 26 de fevereiro
Durante essa janela temporal, a circulação associada à depressão favorecerá a aproximação sucessiva de frentes atlânticas, num padrão típico de instabilidade de origem oceânica. A primeira deverá atravessar o país de oeste para leste, trazendo precipitação mais persistente ao litoral Norte e Centro. No Minho e no Douro Litoral, os acumulados poderão situar-se entre 20 e 40 mm em 24 horas, podendo ser localmente superiores em áreas de relevo exposto ao fluxo húmido de sudoeste.

À medida que a depressão se intensifica no Atlântico e se desloca para nordeste, o gradiente de pressão aumenta sobre a Península Ibérica, o que deverá traduzir-se num reforço do vento. São possíveis rajadas entre 60 e 70 km/h, sobretudo no litoral e nas terras altas, podendo ser pontualmente superiores em zonas mais expostas e montanhosas, especialmente no Norte.

A agitação marítima também deverá aumentar de forma significativa. A ondulação na costa ocidental poderá atingir 4 a 5 metros, com valores mais elevados a norte do Cabo Raso e em zonas particularmente expostas à ondulação de oeste ou sudoeste, sobretudo durante o pico da instabilidade atmosférica.
Instabilidade poderá prolongar-se após a frente principal
Após a passagem da frente principal, o território poderá permanecer sob influência de ar instável, num padrão típico de regime pós-frontal, com alternância entre períodos de céu muito nublado, abertas e ocorrência de aguaceiros intermitentes, mais frequentes nas regiões Norte e Centro.
Mesmo com o núcleo da depressão a evoluir para norte, a circulação associada continuará a condicionar o estado do tempo em Portugal, mantendo um fluxo dominante de oeste ou sudoeste que favorece a entrada de novas frentes e prolonga um padrão de instabilidade atlântica.
Sendo uma situação ainda a vários dias de distância, pequenas variações na trajetória da depressão poderão alterar a distribuição e intensidade dos impactos, pelo que será importante acompanhar as próximas atualizações dos modelos meteorológicos.