O Atlântico já produz depressões sucessivas, mas o anticiclone protege Portugal: onde e quando poderá chover até dia 23

O Atlântico está cada vez mais ativo, mas um anticiclone continua a proteger parcialmente Portugal. Até ao final da semana, duas frentes frias conseguirão alcançar o território, embora a chuva prevista continue pouco significativa para outubro.

O Atlântico começa a mostrar uma dinâmica cada vez mais típica do outono, com sucessivas depressões a circularem a norte do nosso País. No entanto, Portugal continua parcialmente protegido por um anticiclone robusto, que desvia os principais centros depressionários para latitudes mais elevadas. Ainda assim, algumas frentes associadas conseguirão alcançar o território, trazendo períodos de chuva, sobretudo ao Norte.

Primeira frente chega esta noite, mas com pouca chuva

Na transição desta terça para quarta-feira, dia 21, uma primeira frente fria deverá alcançar o Noroeste português. Esta encontra-se associada a um sistema depressionário cujo núcleo circulará bastante longe de Portugal, em direção às Ilhas Britânicas e ao norte da Europa.

O anticiclone mantém-se robusto a oeste de Portugal e desvia as depressões para norte. Ainda assim, uma frente fria conseguirá alcançar o Noroeste durante a madrugada de quarta-feira.
O anticiclone mantém-se robusto a oeste de Portugal e desvia as depressões para norte. Ainda assim, uma frente fria conseguirá alcançar o Noroeste durante a madrugada de quarta-feira.

Ao mesmo tempo, um anticiclone robusto mantém-se a oeste da Península Ibérica, com o seu núcleo nas proximidades dos Açores. A sua posição é determinante para compreender o cenário previsto. A circulação anticiclónica dificulta a progressão das depressões diretamente para Portugal e favorece o seu desvio para norte.

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Por este motivo, será essencialmente a extremidade da frente fria que conseguirá alcançar o território continental, já com pouco conteúdo precipitável. A chuva deverá concentrar-se sobretudo no extremo Norte e Noroeste, afetando particularmente os distritos de Viana do Castelo e Braga, podendo também chegar a alguns pontos de Vila Real.

A primeira frente deverá deixar muito pouca chuva: os acumulados deverão ficar, em geral, abaixo dos 3 mm nas zonas mais afetadas do extremo Norte e Noroeste.
A primeira frente deverá deixar muito pouca chuva: os acumulados deverão ficar, em geral, abaixo dos 3 mm nas zonas mais afetadas do extremo Norte e Noroeste.

Os acumulados serão bastante modestos, segundo o modelo ECMWF, deverão ficar, em geral, abaixo dos 3 mm durante esta passagem frontal. Trata-se, portanto, de um episódio bastante fraco quando comparado com aquilo que pode ocorrer no Norte de Portugal nesta altura do ano.

Quinta-feira, dia 22 uma nova depressão aproxima-se mais de Portugal

Depois da primeira frente, as atenções viram-se rapidamente para uma nova depressão atlântica, prevista para quinta-feira, dia 22. Desta vez, o sistema depressionário deverá aproximar-se mais da Península Ibérica.

Uma nova depressão aproxima-se mais da Península Ibérica na quinta-feira, mas o anticiclone continua a condicionar a sua trajetória, impedindo uma aproximação direta a Portugal.
Uma nova depressão aproxima-se mais da Península Ibérica na quinta-feira, mas o anticiclone continua a condicionar a sua trajetória, impedindo uma aproximação direta a Portugal.

Contudo, o anticiclone volta a desempenhar um papel importante, embora se reorganize no Atlântico, não desaparece nem perde totalmente a sua capacidade de bloqueio, contribuindo novamente para que o núcleo da depressão seja encaminhado para norte, posteriormente em direção a França.

Portugal ficará, mais uma vez, na periferia do sistema. Ainda assim, a maior proximidade desta depressão permitirá que a frente associada chegue ao território com mais humidade e precipitação do que a anterior, embora as quantidades previstas continuem pouco expressivas para um episódio frontal de outubro.

A segunda frente poderá avançar mais para sul

Segundo as atuais projeções, a chuva deverá começar a alcançar o Noroeste português ao final da tarde ou início da noite de quinta-feira, aproximadamente a partir das 20 horas. Ao contrário da primeira frente, esta terá maior capacidade para progredir pelo território. Durante a noite de quinta e a madrugada de sexta-feira, a faixa de precipitação deverá avançar gradualmente de noroeste para sudeste, atravessando parte das regiões Norte e Centro.

Durante a madrugada e manhã de sexta-feira, a frente deverá avançar de noroeste para sudeste, já mais enfraquecida, podendo ainda deixar alguma chuva residual junto à região de Lisboa.
Durante a madrugada e manhã de sexta-feira, a frente deverá avançar de noroeste para sudeste, já mais enfraquecida, podendo ainda deixar alguma chuva residual junto à região de Lisboa.

Já durante a manhã de sexta-feira, alguma precipitação residual poderá mesmo conseguir chegar à região de Lisboa, embora bastante mais fraca e fragmentada.Este cenário mostra uma mudança importante no Atlântico. As depressões estão a tornar-se mais frequentes e as frentes começam a aproximar-se de Portugal. Porém, ainda não existe uma configuração favorável à chegada direta de sistemas depressionários robustos ao nosso país.

Por enquanto, o anticiclone continua a funcionar como uma espécie de barreira parcial, deixando passar algumas frentes, mas desviando para norte os sistemas mais ativos. Assim, teremos chuva, mas ainda longe dos episódios generalizados e abundantes que o Atlântico pode proporcionar em pleno outono.