El Niño aproxima-se: trará tempo extremo e temperaturas mais elevadas ao mundo; o que significa isto para Portugal?
O fenómeno climático El Niño poderá desenvolver-se nos próximos meses, sendo favorável a um aumento da temperatura global e à possível ocorrência de eventos meteorológicos extremos. Que efeitos poderá provocar em Portugal?

O fenómeno El Niño, designado oficialmente como Oscilação Sul do El Niño (ENSO, em inglês), é um aquecimento anómalo das águas superficiais do Pacífico Central e Oriental. Este fenómeno tem a capacidade de alterar a circulação atmosférica tropical, modificando os padrões globais de precipitação e temperatura. Os efeitos do El Niño são sentidos a milhares de quilómetros de distância e, embora estas alterações afetem todo o Pacífico, a América do Sul é uma das regiões do planeta que sofre o maior impacto. Os seus efeitos chegam mais disfarçados à Europa.
Nos anos em que o El Niño se torna mais forte, a temperatura à escala global tem tendência a subir temporariamente e a probabilidade de ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos aumenta em algumas partes do mundo. Dada a possibilidade de se voltar a desenvolver, muita gente questiona as possíveis consequências na Europa e em Portugal.
O próximo El Niño poderá ser forte: possíveis efeitos à escala global
Os principais centros climáticos internacionais estão a monitorizar atentamente a evolução das temperaturas no Pacífico equatorial, tendo em conta a possibilidade de desenvolvimento de um El Niño nos próximos meses, nomeadamente a partir do verão. Além disso, algumas previsões alertam para o facto de poder ser um evento particularmente intenso.
A transition from La Niña to ENSO-neutral is expected in February-April 2026 (60% chance), with ENSO-neutral likely persisting through the Northern Hemisphere summer (56% chance in June-August 2026). A #LaNina Advisory remains in effect. #ENSO https://t.co/5zlzaZ1aZx pic.twitter.com/GtZedJtycH
— NWS Climate Prediction Center (@NWSCPC) February 12, 2026
Quando este fenómeno começa a formar-se, o aquecimento das águas superficiais do oceano altera a circulação atmosférica e desencadeia mudanças na circulação atmosférica à escala planetária. Esta fase do ENSO também está frequentemente associada a anos quentes, o que, juntamente com o atual processo de alterações climáticas, poderá dar origem a valores recorde a nível planetário.

Além disso, o El Niño costuma alterar os padrões de precipitação e trovoadas em muitas regiões do mundo, aumentando a probabilidade de episódios de chuva intensa em algumas zonas e de secas noutras. Devido a tudo isto, o desenvolvimento deste fenómeno costuma estar associado a um maior risco de ocorrência de eventos meteorológicos extremos em partes diferentes do globo.
Os possíveis impactos na Europa e em Portugal
Apesar de o El Niño ter origem no Oceano Pacífico equatorial, os seus efeitos podem propagar-se a grande parte do planeta através da circulação atmosférica global. No entanto, na Europa e em Portugal, a sua influência tende a ser muito mais indireta e variável, apresentando uma correlação baixa em relação a outras regiões do mundo.

Na Península Ibérica o seu sinal é fortemente mascarado por outros padrões e teleconexões no Atlântico e no Mediterrâneo. Vários estudos científicos sugerem que os outonos e invernos dominados pelo El Niño podem, em alguns casos, estar associados a temperaturas mais amenas do que o habitual, especialmente no Sudoeste Europeu, incluindo Portugal. No entanto, esta ligação nem sempre é assim e depende também de outros fatores atmosféricos.
No que diz respeito à precipitação, o sinal é ainda mais variável. Alguns episódios de El Niño coincidiram com períodos mais chuvosos na fachada atlântica da Península Ibérica (Portugal continental e Galiza), enquanto noutros anos as diferenças detetadas em relação à climatologia habitual foram pouco significativas.
Deste modo, os meteorologistas alertam que o El Niño não determina diretamente o estado do tempo em Portugal, sendo, no entanto, capaz de influenciar os padrões atmosféricos de grande escala que condicionam o clima europeu.