Até 42 ºC: episódio de tempo quente atingirá o seu pico entre hoje e terça-feira 23 nestas zonas de Portugal continental

Até terça-feira, 23 de junho, Portugal continental enfrentará temperaturas elevadas, acima dos 40 ºC nalgumas zonas, noites tropicais e poeiras do Saara. A presença de uma gota fria poderá ainda provocar aguaceiros e trovoadas. Saiba mais aqui!
Entre hoje - domingo, 21 de junho - e terça-feira, 23 de junho, Portugal continental estará exposto à ocorrência de um episódio de tempo quente, resultante da interação entre uma crista anticiclónica instalada sobre a Península Ibérica e uma depressão isolada em altitude (ou gota fria) posicionada a oeste da nossa geografia.
A configuração sinóptica acima descrita será favorável ao transporte de uma massa de ar tropical continental, quente e seco, procedente do Norte de África, que provocará uma subida generalizada das temperaturas.
De acordo com as mais recentes atualizações dos modelos de referência da Meteored, os dias mais quentes deste período de calor intenso serão hoje (21 de junho) e a próxima terça-feira (23 de junho). Prevê-se que as temperaturas máximas variem entre os 30 e os 42 ºC, estando os valores mais elevados previstos para as regiões do interior. Quanto à faixa costeira ocidental, espera-se que a influência marítima limite as máximas a valores geralmente entre os 22 e os 30 ºC.

O período noturno também será fortemente marcado pela subida das temperaturas. Numa parte significativa do território de Portugal continental, as temperaturas mínimas irão manter-se acima dos 20 ºC, especialmente na primeira metade da semana vindoura. Isto traduzir-se-á na ocorrência das chamadas noites tropicais (quando a temperatura mínima é igual ou superior a 20 ºC durante toda a noite), que poderão reduzir substancialmente o conforto térmico.
Estas serão as zonas mais quentes do país nos próximos dias
Neste momento está ativo o aviso laranja de tempo quente nos distritos de Vila Real, Bragança e Guarda, todos situados no interior Norte e Centro, uma vez que as atuais previsões apontam para valores próximos de recordes históricos nalgumas estações meteorológicas do interior Norte (especialmente nas localidades inseridas nos vales dos rios Tua, Sabor e Douro).

Em todas estas áreas do interior Norte e Centro, e ainda na Beira Baixa (distrito de Castelo Branco), bem como em vastas zonas dos distritos de Portalegre, Évora e Beja preveem-se os valores de temperatura diurna mais elevados dos próximos dias, com os nossos mapas a insistirem em máximas compreendidas entre os 36 e os 42 ºC (Ponte de Sor, Mora, Idanha-a-Nova, Vila Velha de Ródão, Figueira de Castelo Rodrigo, Vila Nova de Foz Côa, Torre de Moncorvo, Alfandega da Fé, Mogadouro, Mirandela, Miranda do Douro e Chaves, entre muitas outras).
Poeiras do Saara mantêm-se e haverá risco para uma nova vaga de aguaceiros e trovoadas
Além do calor intenso, o estado do tempo em Portugal continental terá outros protagonistas, tais como a presença de poeiras em suspensão levantadas desde o deserto do Saara e transportadas pelo fluxo de sul e sudeste associados à entrada da massa de ar africana.

As partículas terão a particularidade de conferirem ao céu um aspeto mais esbranquiçado ou amarelado, podendo degradar temporariamente a qualidade do ar ao espalharem-se por todo o país. Os seus níveis serão, em certos momentos, temporariamente mais elevados no interior Centro e Sul e mais tarde na Região Norte.
Ao mesmo tempo, a aproximação da gota fria deverá desencadear um aumento da instabilidade meteorológica entre hoje e amanhã, dias 21 e 22 de junho, promovendo a formação de nuvens convectivas de evolução diurna. Assim, a partir do meio-dia e durante toda a tarde, não se descarta a potencial ocorrência de aguaceiros e trovoadas localizadas.

Devido à trajetória errática da gota fria, a intensidade e distribuição da precipitação convectiva mantém-se muito incerta, apesar dos mapas de descargas elétricas da Meteored atribuírem uma maior probabilidade de distribuição geográfica nos distritos de Vila Real, Bragança, Viseu e Guarda. Ainda assim, não se descarta que surjam pontualmente em áreas do interior dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e por vezes também em zonas a sul do rio Tejo.